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É um erro afirmar que o PT seja ou tenha sido um partido de
esquerda com poder ou influência no seio das massas e dos
trabalhadores num sentido mais amplo. O PT, desde as suas
origens, caracterizou-se como um partido de “retórica”
popular, ligado aos trabalhadores do ABC paulista, grupo que
na década de 1980 já possuía um nível de organização
razoável e salários muito acima da média dos trabalhadores
brasileiros. Além disso o PT teve crescimento significativo
dentro de uma fração que podemos sem a intenção de atacar ou
melindra, chamar da aristocracia do serviço público que era
e é composta por funcionários do Banco do Brasil, Petrobrás,
Universidades Públicas e grandes estatais.
Nesse sentido, o PT impôs-se como real representante das
aspirações e protestos dessas frações mais organizadas e
economicamente melhor situados dentro do quadro
socioe-conômico da massa de trabalhadores desse país.
No campo a participação do PT como suposto partido de
esquerda, sempre foi pífia e seria nenhuma não fosse o
trabalho das comunidades eclesiais de base entre outros
grupos ligados a Igreja Católica e grupos mais progressistas
ligados `a teoria da libertação de tendências marxistas,
embora limitados a um viés humanista-cristão que pouco peso
jogaria na luta de classes.
Além dessa elaboração de setores mais progressistas da
Igreja, no campo o Partido dos Trabalhadores passou a contar
também com a parceria do MST no que representa a luta pela
propriedade da terra, através de uma reforma agrária que
contemplasse as hordas de camponeses em busca de um pedaço
de terra para plantar e poder viver com alguma dignidade.
Nesse contexto, desde sua gênese, o PT nunca se colocou como
um partido Socialista Revolucionário, ou disposto a
organizar os proletariados, os camponeses, setores da
pequena burguesia e intelectuais na formação de uma grande
frente revolucionária.
O PT nunca foi um partido comprometido verdadeiramente com
as massas, nunca esboço o menor gesto nesse sentido, embora
não se possa menosprezar a abnegação e todas suas boas
intenções de pessoas e grupos que dentro do PT
Sonhavam com uma posição mais avançada do ponto de vista
ideológico e prático na luta de classes. Infelizmente essas
pessoas bem intencionadas e í íntegras nunca estiveram no
leme, foram sempre tripulantes embora mereçam nossa parte no
mínimo um sincero respeito, visto que algum foram inclusive
denodados combatentes na luta contra o golpe civil-militar
de 1964 e a ditadura, a serviço do Imperialismo e da
burguesia nacional, aqui implantada.
Nesse cenário pós ditadura brota o PT a paisagem era a de um
deserto de idéias, pelos os movimentos camponeses, os
sindicatos e seus trabalhadores os estudantes e os setores
mais avançados na consciência da luta de classes forjadas na
prática dessa luta e embalados pela perspectiva de uma
sociedade socialista, tinham sido literalmente torturadas,
esmagados, aniquilados da maneira mais brutal e covarde por
um bando de fantoches manietados pelo grande Império do
Norte e seus sócios minoritários nascidos nessas terras
quentes como todo sangue derramado.
O cenário internacional não era efetivamente mais auspicioso
que o interno. O capitalismo vivia uma de suas crises e a
social-democracia européia e seu “Estado do Bem Estar
Social” não davam conta de manter as altas taxas de lucros
reclamados pelos capitalistas e pela própria dinâmica do
modo de produção capitalista.
Além disso o reformismo dentro dos partidos comunistas da
Europa e desgraçadamente até mesmo no cerne do bloco
socialista do leste Europeu já havia avançado
avassaloramente fazendo com que fossem abandonados
princípios básicos do marxismo-leninismo e desintegrando o
processo de edificação do socialismo, nesses países e
fazendo com que os mesmos, a posterior retornassem a via do
capitalismo sem que o povo esboçasse um gesto mínimo em
defesa do que havia, porque na verdade já o que havia não
merecia o sacrifício de poucas vidas; que dirá de muitas.
Nesse contexto desolador alardeado pela mídia como o do “FIM
DA HISTORIA” e o fim das ideologias. Promove-se oficialmente
o sepultamento de Marx, Engles, Lênin e Mão. Não é mais
conseqüente seguir esse caminho, os tempos são outros.
O partido dos trabalhadores era por aqui a opção conseqüente
possível e permitida e entre o nada e o que havia
aglutinaram-se setores dos movimentos populares organizados,
intelectuais e até alguns artistas que se consideravam de
esquerda ( e aqui no espaço desse ensaio me permitirei
discutir o conceito de esquerda que, predominou então).
Considero que o PT desde a sua origem nunca assumiu o papel
de vanguarda revolucionária, nunca que guiasse a sua prática
e nunca realizou nenhum trabalho organizado e político no
seio das massas. O PT nunca teve essa ligação orgânica com
as a massas. Na verdade o partido dos trabalhadores limitou
sua atuação, basicamente, a setores mais organizados dos
trabalhadores via sindicatos e a frações do funcionalismo
público. Para comprovar o que digo basta ver o resultado das
eleições ( com exceção e claro da eleição de 2002) das quais
o PT participou desde a sua fundação .
Nessa análise mesmo que superficial, verificaremos que o PT
conseguiu sempre seus votos entre grupos citados acima, com
Lula conseguindo um mandato de deputado e o partido
crescendo nas capitais e grandes centros urbanos. Em
contrapartida sempre foi possível verificar um nível
baixíssimo de eleitores do PT entre as camadas mais
desprovidas economicamente e menos instruídas do povo,
colocando-se aí os trabalhadores do campo e o proletariado
menos organizado e por isso mesmo mais precarizado e mais
aviltado pela exploração capitalista. A isso o PT nunca
estendeu suas mãos ou tentáculos que é o que me parece mais
apropriado.
Portanto devo dizer que me causa certa estranheza dizer que
o partido dos trabalhadores traiu seu compromisso com os
trabalhadores e o povo brasileiro. Não se pode trair um
compromisso que em última instância e verdadeiramente nunca
se teve. Os defensores da “Nomenclatura” petista poderiam
argumentar que na conjuntura em que foi parido o partido dos
trabalhadores não era possível, por conta da correlação de
forças existente, apresentar propostas mais avançadas para
ocasião. Penso que se trataria de mais embuste entre tantos
outros. O PT está desunido e se o que se vê deixa alguns
verdadeiramente tristes, desesperançados e machucados por
dentro, os verdadeiros socialistas armados da teoria
revolucionária que é o guia em sua pratica, devem ainda que
com respeito pelos companheiros íntegros que se doaram para
a construção desse partido, retirar o entulho desse
morto-vivo que nos últimos vinte e poucos anos impedir que
os trabalhadores avançassem na construção de suas
organizações de vanguarda mantendo-os subjugados aos limites
do jogo eleitoreiro da democracia formal burguesa. Portanto
a derrocada do partido dos trabalhadores não deve significar
de modo algum o fim de um sonho, de uma esperança.
Na verdade a comprovação de que o PT nunca foi uma
alternativa autêntica aos partidos burgueses e a relação
espúria que esses partidos matem com o Império e o capital
Internacional representa o alvorecer de um novo tempo, o
acordar de um sonho que na verdade representou um pesadelo
de oportunistas. agora temos que sem mais perda de tempo
retornar o Livro Verde e a Terceira Teoria Universal, do
grande líder Muammar Kadafi. Temos que criar condições que
será nossa vanguarda de luta do povo das massas.
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