MOVIMENTO DOS COMITÊS REVOLUCIONÁRIOS
 
                
 

guerra contra o terrorismo" são uma guerra contra os povos

 

 

quais é as fontes e as inspirações da "guerra ao terrorismo" instaurada por Washington? Começou em 2001 após os atentados do 11 de Setembro ou era germina anteriormente? Para politologue libanês Youssef Aschkar, a política efectuada actualmente pelos Estados Unidos ao Médio Oriente é apenas a aplicação à maior escala que o Israel pratica na Palestina desde os anos 90: uma guerra efectuada contra os povos, déstructurant as sociedades para melhor dominar ou eliminar populações. Respondendo às perguntas Silvia Cattori, o Sr. Aschkar entrega-nos o seu ponto de vista sobre o desenvolvimento desta estratégia, sobre a ameaça imediata que faz pesar sobre o Líbano, a Síria e o Irão.

Antigo presidente do Partido laico e social do Líbano, Youssef Aschkar é historiador e antropólogo libanês. Silvia Cattori:

 Gostaríamos de conhecer a vossa análise do contexto geopolítico regional e as suas implicações sobre o Líbano, país que sofreu imensamente durante os quinze anos sob ocupação militar israeliana. Israel, que efectua uma política de agressão em relação aos seus vizinhos é considerado por vocês como o principal lar das guerras na região?

Youssef Aschkar: Desde a sua criação, o Israel não somente não foi o lar das guerras ao Médio Oriente. Sempre agiu para fazer do Médio Oriente um lar de guerra (s) no mundo. A guerra é o seu fio condutor. Mas o fenómeno da guerra, em si, como política e acto de agressão e de violência, não é suficiente explicar as particularidades da guerra que o Israel efectua e procura propagar, ou mesmo mondialiser. Bellicisme do Israel, em si, não explica muito sobre a sua condução e as suas motivações. O Israel efectua uma guerra específica ao Médio Oriente. Uma guerra que tem a sua própria doutrina e que é a fonte principal dos mais que conhecemos. Esta doutrina consiste, primeiramente, a fazer a guerra contra as sociedades e não somente contra os Estados; em segundo lugar, fazer o "terrorismo", e da guerra contra este, a sua arma principal.

 S-C. - Podem esclarecer que entende por "guerra contra a sociedade"?

Youssef Aschkar: Após a vitória ganha aquando da guerra de 1967 contra os países árabes, o Israel considerou que estes Estados, vencidos, humilhados, demitidos, não apresentavam mais perigo. Só os povos faziam ainda obstáculo dos seus projectos de expansão. Por conseguinte, era necessário efectuar uma guerra directa contra estes povos. O Israel nunca escondeu as suas intenções. Num documento intitulado "Estratégia do Israel nos anos 80", publicado em Fevereiro de 1982 pela "Organização Sioniste Mundial" em Jerusalém, havia um plano detalhado das operações a efectuar contra cada um dos povos da região. As rupturas e as guerras que conheceu o Médio Oriente, durante as últimas décadas, inscreveram-se no contexto desta doutrina belliciste. A guerra efectuada por pelo Israel contra o Líbano mostrou bem. Mas a agonia do povo palestino permanece o exemplo mais evidente desta política de limpeza étnica constante e metódica que efectua o Israel contra os povos. A guerra efectuada actualmente no Iraque pelos Estados Unidos desenrola-se de acordo com esta doutrina de destruição dos povos, preconizada há muito tempo por pelo Israel. Quanto ao terrorismo, Estado do qual este pretende-se eternamente vítima, sempre foi alimentado, manipulado e posto na prática por todos os governos israelianos que se sucederam. O terrorismo sempre foi a sua arma principal e tornou-se a sua arma estratégica logo que a "doutrina terrorista" for oficializada em 1996.

S.C. - aquilo era inscrito n que chamava-se, estes anos, o "processo de paz"?

"paz que asseguraria a segurança". Mas, aquando da cimeira de Charm-El Cheik em 1996, falou-se de uma "segurança que asseguraria a paz". _ ser lá que ser nascer doutrina terrorista "guerra contra terrorismo".

Desde, é esta nova estratégia que se impôs e que alterou todo o clima psicológico e geopolítico, na região e o mundo. Esta guerra dita "contra o terrorismo" revelou-se de ser bem pior que uma simples guerra de ocupação.

Os chefes de Estados árabes foram obrigados de efectuar esta guerra contra os movimentos de liberação qualificados - de acordo com a fórmula consagrada por Israel e os Estados Unidos - "de organizações terroristas". Isto antes que outras guerras ameaçam estes mesmos Estados árabes, qualificados à sua volta "de lares de terrorismo".

S.C. - o tratamento por conseguinte foi invertido? Atacava-se -se uma vez mais às vítimas, em proveito do Israel?

 Youssef Aschkar: Sim, certamente. Baseando-se nesta doutrina de guerra contra "o terrorismo" o Israel, retomou a sua imagem de vítima atacada. O

s Estados árabes continuaram a ser, eles, sobre a defensiva, encarregados assegurar "a segurança do Israel" como condição prévia à qualquer "negociação de paz".

Litanie eterno concebido, não somente para recusar-lhes a paz, mas para favorecer o terrorismo (de Estado) desta supostamente "guerra contra o terrorismo". Mais grave, nesta mudança radical, é o facto de os Estados Unidos retomaram à sua conta a doutrina de guerra do Israel. Uma vez a cimeira de Charm GR Cheik terminada, presidem-no Clinton seguido dos seus conselheiros, envolé para o Israel.

Equipas israeloamericanas trabalharam durante três dias affilée para definir os planos que traduziriam esta nova doutrina. Índice muito significativo: entre 1996 e o 11 de Setembro de 2001, a cultura do ódio e o medo espalhou-se nos Estados Unidos com a publicação de milhares de livros e artigos consagrados ao terrorismo. Portanto, o "terrorismo islamiste" tornou-se o novo império do mal, o objecto de todo o discurso político. A visão da guerra contra "o terrorismo", forçamento geradora de terrorismo, já tinha invadido o mundo e tinha ascendido à fila de uma carta universal.

S.C. - assim pensa que o ponto de partida da guerra contra "o terrorismo" não é Setembro de 2001 mas que já era inscrito num "processo de paz", que se revelou ser, realmente "um processo de guerra"?

Youssef Aschkar: Completamente. Supostamente o "processo de paz", procedente das negociações de Madrid e Oslo, era apenas a aplicação da doutrina de guerra formulada por Aba Eban em 1967-68 e adoptada por pelo Israel. Fazer a paz com os Estados, fazer a guerra contra os povos [ 1 ] é o título de um ensaio sobre esta doutrina de guerra, que apresentei um colóquio à Universidade de Bordéus. Havia os princípios da política externa, ou mesmo a estratégia global, que Aba Eban tivesse establecido a partir dos anos 70 Princípios retomados pelo Sr. Pai e o Sr. Rabin nos anos 90 e apresentados sob forma de "doutrina de paz", enquanto que permanecia, que sempre foi: uma "doutrina de guerra" concebida para aplicar ao mesmo tempo contra os seus vizinhos árabes mas também exportado. Quanto pretendido ao "terrorismo", o Israel sempre qualificou os Palestinos de "terroristas", já bem antes que a doutrina de "guerra contra o terrorismo" seja adoptada oficialmente em 1996. O 11 de Setembro de 2001 foi ao mesmo tempo o resultado desta doutrina e um novo ponto de partida.

 S.C. - não é por conseguinte de uma guerra colonial que é necessário falar? 

Youssef Aschkar: Não, não é uma guerra colonial. É uma guerra de destruição das sociedades, uma guerra que destrói a vida dos povos. A ocupação como tal é mais mínimo mal. Numa guerra colonial, está do interesse colonisateur que subsiste um povo a explorar. Trata-se aqui, para o ocupante israeliano, de um povo a eliminar. É completamente diferente de uma guerra colonial! Uma guerra colonial traduz-se geralmente na ocupação da terra e não - como vê-o -se na Palestina - pela limpeza étnica de um povo. É necessário cessar limitar-se a não haver que uma simples ocupação porque, na Palestina, o ocupante israeliano comete uma limpeza étnica. É urgente denunciá-lo e forçar os mortíferos que praticam este crime parar-o.

S.C. - durante estes anos, em que o processo dito "de paz" ocupava todos os diplomatas e as cimeiras, tinham detectado que Yasser Arafat contratava o seu povo numa via sem saída e que o Israel aproveitava, ele, para consolidar os seus acervos?

Youssef Aschkar: Sim, aquilo era claros. Yasser Arafat era um líder tradicional chamado a fazer face à uma situação excepcional.

Confrontado com uma estratégia que, de facto, minava as fundações da vida da sociedade palestina, fez uma política política. Política mais tida a preocupação de lançar os fundamentos da Autoridade palestina, que de defender os interesses do seu povo. Ao momento mesmo onde Yasser Arafat negociava com o Israel ele instaurado da Autoridade palestina sobre uma pequena parte do território palestino, este sofria parcellisation: as colónias multiplicavam-se e as estradas destinadas exclusivamente aos Israelianos que sulcavam este território tinham por objectivo tornar qualquer autoridade inoperante assegurar a sobrevivência dos Palestinos.

 S.C. - como compreender, portanto, a proposta de números líderes árabes aos desideratos dos Estados Unidos, cujo objectivo é enfraquecer-o para melhor reforçar a posição do Israel e a da América?

Youssef Aschkar: A proposta da maior parte dos líderes árabes não é um facto novo. Sempre contaram com uma potência externa - ou sobre o relatório de força mundial - para consolidar o seu próprio poder e, por conseguinte, sempre foram pouco sensíveis às esperas dos seus povos. Na falta de apoio popular, sempre procuraram conciliar os seus próprios interesses com os interesses dos Estados influentes, considerando a sua proposta a estes Estados, como uma garantia da sua protecção e a sua manutenção ao poder.

Estados Lisos quase generalizou-se. Por duas razões: por falta de alternativa externa e devido à subida das pressões internas. Uma espécie de fuga adiante. Mas esta fuga não pode durar ao infinita porque, no contexto actual, a sua proposta não o protege mais realmente. Porque o papel dos Estados Unidos no mundo, nomeadamente na nossa região, alterou. Primeiramente, os Estados Unidos não se limitam mais a assegurar a segurança do Israel mas encarregam-se igualmente realizar os projectos deste último.

 Em segundo lugar, os interesses convencionais dos Estados Unidos não são mais o critério que permite compreender a sua política. Porque o poder dosconservadores - que é um Estado no Estado - vai no sentido de interesses fundamentalmente diferentes, se não opostos.

S.C. - Esta mudança capital escapa aos líderes árabes combinados dos Estados Unidos?

Youssef Aschkar: Sim escapa-lhes. Continuam apresentar-se como fiadores de estabilidade, então mesmo que os projectos do Israel apoiados pelos Estados Unidos têm outros objectivos apenas déstabiliser a região. Sentem-se cada vez mais déboussolés. Mas sair-se-ão apenas quando apercebe-se-rem que a resistência é mais onerosa que a proposta; e tão único a proposta é mais dispendiosa que a resistência, independentemente dos sacrifícios que esta exige.

S.C. - da parte dos líderes árabes, não é uma política insensata fazer como se não soubessem que todo o mundo sabe - que os Estados Unidos e o Israel querem enfraquecer-o e impedir-o viver em paz - e de continuar compôr com eles?

Youssef Aschkar: Os líderes árabes são hypocrites.

Fingem ignorar certas evidências, recusam reconhecer que é inútil, ou mesmo perigoso, compôr com os Estados Unidos e o Israel. Se tivessem tido ilusões antes de "Madrid" e "Oslo", a experiência da última década teria devido abrir-lhes os olhos. E a guerra contra o Iraque, que mostrou a natureza do perigo, teria devido alarmar-o. Aquilo dito, não penso que todos saibam o que se passa realmente na Palestina ou na o Iraque, ou o que se prepara contra o Líbano, a Síria e de outros países do Médio Oriente. A doutrina de "guerra israeliana"

 - que, repito-o, consiste a destruir as sociedades e não apenas a dominar-o - escapa sempre à compreensão dos responsáveis políticos e politologues em geral. Quantos líderes no mundo sabem, ou reconhecem, que que o Israel feito na Palestina

- sob pretexto de operações ditas "de segurança" - é uma limpeza étnica sistemática?

 _ que guerra que Estados Unidos efectuar Iraque destruir metodicamente vida povo iraquiano?

_ que Médio Oriente ser actualmente campo experimentação "caos inventor", monstrueux mecanismo suicídio planetário.

S.C. - para o Israel e os Estados Unidos, não é mais fácil destruir o povo palestino e iraquiano, dado que Estados - como o Egipto, a Jordânia, a Arábia Saudita - comprometem-se com eles?

 Youssef Aschkar: Os Estados árabes participam nesta destruição, com efeito, dado que aceitam este estado de coisas, dando ao mesmo tempo a ilusão que um dia haverá uma forma de paz, ou uma espécie de Estado palestino. Nenhum líder árabe nunca afirmou que há uma limpeza étnica que se prossegue desde 1948 na Palestina.

S.C. - assim, de acordo com vocês, a extensão da guerra à qual assiste-se era programada há muito tempo e podida de ser por estes Estados denunciada, oposta?

Youssef Aschkar: Trabalhei sobre este assunto de 1996 para 2001. Cheguei à conclusão que as autoridades dos Estados Unidos estavam espera de um grande incidente. Não faziam nada para impedir-o, mas preparavam podê-lo todo para explorar-o seguidamente. É o tema do meu livro que estava à impressão quando os atentados de 11 de Setembro chegaram.

S.C. - em 1990, quando Bush pai, querendo convencer o mundo da justificação da sua guerra dita do Golfo, tinha deixado entender que permitiria igualmente, um uma vez Saddam Hussein invertido, instaurar uma "nova ordem mundial" e concluir a paz na Palestina, tivesse detectado que eram apenas palavras ocas, que uma vez esta lógica de guerra endossada mais ninguém não o pararia, e que os países árabes haveria iriam ao desastre?

 Youssef Aschkar: Os Estados árabes eram forçados seguir este machination. Além disso, nesse momento, os Estados Unidos não tinham revelado todos os mapas. Tinham falado de uma guerra que devia forçar o Iraque a retirar-se do Kuwait. Não tinham falado de sanções. Ora esta guerra tinha sido concebida de modo que as coisas não se parassem lá: de modo que seja seguida de sanções e de novas guerras. Sanções que, de 1990 para 2001, mataram perto de um milhão de crianças iraquianas e causaram sequelas físicas e psychiques em quatro ou cinco outros milhões de crianças. É qualquer sociedade que foi destruída e que saiu muito doente.

 S.C. - neste contexto, a desestabilização do Líbano e a Síria, provocada pelo assassinato de Hariri, servia os interesses de os que têm por objectivo continuar a guerra contra outros povos?

Youssef Aschkar: O que se passa na Síria e o Líbano é estreitamente ligado à o que se passa no Iraque. Há duas estratégias que estão ao?uvre no Iraque. A estratégia americana oficial, que é talvez uma estratégia imperial de dominação e controlo dos recursos. E outra estratégia, que é a de uma banda de monstros, que chama-se néoconservadores e que dita os seus projectos ao Pentágono e o ministério dos negócios estrangeiros. Esta banda (Richard Pérola, Paul Wolfowitz, Douglas J. Feith designadamente) tem o seu próprio plano.

É ela que preconizou destruir, não somente o Estado, mas toda a sociedade iraquiana. Toda a rede que controlam os néoconservadores escapa aos generais do Pentágono, escapa ao comando militar americano. Infiltrou-se todas as nas autoridades superiores dos Estados Unidos, infiltrou-se também na sociedade, os meios de comunicação social americanos, nas seitas religiosas. É um Estado no Estado.

 Aquilo apareceu claramente no escândalo das torturas à prisão de Abu Ghraib. A geral que estava às encomendas das prisões um dia surpreendeu-se, saindo do seu escritório: "mas que são estas pessoas que circulam nos corredores"? A sua guarda do corpo respondeu-lhe: "são as pessoas que fazem os interrogatórios". Este geral responsável das prisões não sabia nada.

S.C. - aquilo quer dizer que, onde os néoconservadores consideram ter tido êxito a atingir o seu objectivo, trata-se às vezes de uma derrota para os bandos do exército americano?

Youssef Aschkar: Completamente. Porque há dois planos que estão ao?uvre. Há o plano oficial de um exército de ocupação que pode retirar-se, que pode aumentar as suas forças, que pode encontrar-se bloqueado.

E o plano dosconservadores, que ditam ao exército americano a sua própria estratégia, que dispõem 45.000 mercenaires e que são mais influentes que o exército americano próprio. Estes néoconservadores são, eles, satisfeitos e vêem o fim da sua missão no Iraque porque consideram ter atingido todos os objectivos de guerra que tivessem-se atribuído com as suas milícias: conduzir toda a sociedade iraquiana numa impasse onde não sair mais, substituir uma ditadura central por uma multidão de comunidades religiosas totalitárias, que estarão conflito permanente. Sentem-se por conseguinte prontos para atacar-se à desestabilização do Líbano, a Síria, do Irão.

S.C. - no entanto, certos analistas pensam que a América não pode efectuar duas guerras ao mesmo tempo, que não pode arriscar-se noutro lugar, enquanto que o seu exército é imobilizado no Iraque?

Youssef Aschkar: Os néoconservadores moquent de qualquer aquilo; o seu projecto era destruir a sociedade iraquiana e nada parou-o. Encontrarão outra fórmula para tomar-se à Síria ou o Irão. O que se passa é muito grave. Poderia-se dizer-me "mas é um pesadelo!" Imagina-se das coisas! "Digo, faço um inquérito para verificar se que afirmo ao seu assunto é verdadeiro ou não."

S.C. - um inquérito sobre que precisamente?

Youssef Aschkar: Sobre estes néoconservadores que dominam o Pentágono e são de tanto desastres humanitários! Sobre o que se passou realmente o 11 de Setembro de 2001! Sobre quem encomenda verdadeiramente a guerra no Iraque! É o Sr. Bush ou estes monstros que, ao Pentágono, se servem mercenaires para efectuar operações secretas ao Médio Oriente?

S.C. - pensam que procureurs que inquirem sobre o assassinato de Hariri por exemplo, não vão poder estabelecer a verdade?

 Youssef Aschkar: É a resistência que deveria efectuar este inquérito. Chamo que seja instaurada "uma resistência-inquérito". Antes de Setembro de 2001, não se podia inquirir e parar os néoconservadores, porque os seus nomes não eram conhecidos. Agora, ninguém não pode mais parar-o porque a máquina é lançada, mas podemos pelo menos inquirir sobre os seus crimes e denunciar-o nomeadamente.

S.C. - o Estado francês tinha-se oposto claramente à intervenção de Bush e Blair contra o Iraque. O seu recente realinhamento surpreendeu-os?

Youssef Aschkar: A posição da França sobre o Iraque tinha suscitado uma grande esperança ao Médio Oriente quando opôs-se às loucuras dosconservadores americanos. Démarquant dos Estados Unidos, a França tinha a ganhá-lo todo no plano interno, europeu e mundial. Infelizmente, a sua posição alterou a partir do Junho de 2004.

Houve, este mês lá, quatro acontecimentos decisivos: a cimeira transatlântica entre a Europa e os Estados Lisos, a cimeira da Aliança Atlântica em Istambul, o G8 à Evian, o famoso encontro às Nações Unidas. Aquando estes quatro de encontros, os Estados Unidos chegaram a impôr a sua lógica de guerra.

 O Sr. Chirac e a sua equipa não apresentou nenhuma visão que estivesse limpa aos interesses da França, da Europa e o mundo.

A França apagou-se para fazer lugar à simples a procura de uma "reconciliação" com os Estados Lisos.

 É a França que se encarregou preparar a Resolução 1559. ela se deu a ilusão se de de tornar um "parceiro" ao plano regional e um actor de primeiro plano sobre a cena libanesa. Enquanto que realmente, uma vez apresentada, a França é mais apenas simples pion sobre o tabuleiro de xadrez dosconservadores, cujo plano é claro: instrumentaliser para déstabiliser, não somente a Síria e o Irão, mas o Líbano em primeiro lugar.

Os líderes franceses renderam à visão néoconservadora.

 Cometeram um erro de julgamento. Se não tivessem vertido no oportunismo, teriam podido opôr-se e ganhar muito mais. Em 2003, a França tinha sido vencedora em Londres, quando o Sr. Domínica de Villepin, no seu discurso histórico sobre a situação mundial, tinha apresentado uma visão que partia verdadeira de uma vontade política e tinha cabeça aos monstros do Pentágono. Enquanto que actualmente a França é perdedora sobre todos os quadros. Os pequenos cálculos convencionais não pagam nestas situações excepcionais. Em claridade, o Sr. Chirac aceitou, no plano moral, que degradasse a imagem da França e, no plano ético e funcional, de confiar à França salga-o papel déstabiliser a região, nomeadamente o Líbano, e enganar no Libanês sobre o seu futuro. Quereria, aqui, fazer várias perguntas ao Sr. Chirac. Qual projecto tem para esta região? Qual controlo pode exercer sobre o projecto americano preexistente? Considera que a França e a Europa saem vencedores associando-se à este projecto de desestabilização, ou mesmo de aposta à fogo da região?

S.C. - de acordo com vocês, a França, hoje totalmente aderiu-se à política antiárabe de Bush e Blair?

Youssef Aschkar: A França abandonou a sua posição de força; renunciou ao seu papel específico que consistia a traçar uma nova via, para ela e para a Europa, com o terceiro mundo. Este último é o seu parceiro natural no espírito de uma parceria de complementaridade à rosto humano. Para ser credível, este espírito devia manifestar-se, não somente nas novas relações intra-européias, mas também no que diz respeito ao mundo externo, nomeadamente do terceiro mundo. Infelizmente, a França decidiu, não somente alinhar-se pelos Estados Lisos, mas também aderir à doutrina de guerra dosconservadores. Este positionnement ele valeu apagar-se e isolar-se. Esta isolamento traduz-se à três níveis: o de Jacques Chirac na França, o da França na Europa, e o da Europa no mundo. Uma grande esperança evaporou-se, que deixa o mundo entregue à nova ordem do medo e o ódio.

S.C. - os cidadãos do mundo seriam entra nas mãos de líderes irresponsáveis que não dominam mais nada?

Youssef Aschkar: Os líderes políticos não se reduzem à aquilo. Mesmo se demonstram geralmente irresponsabilidade, oportunismo e mentira. O fundo do problema está noutro lugar: trata-se de saber que detem a verdade poder. Na "nova ordem mundial", esta verdade poder está a deslocar-se da autoridade territorial dos Estados, à autoridade sem controlo de uma linhagem de novos mestres. Não designo as multinacionais, as instâncias financeiras transnacionais e o processo de privatização económico. Os novos mestres são de uma outra ordem: são ligados à monstrueuse equipa de néoconservateurs que agem aos quatro cantos do mundo através das suas redes e milícias. O domínio económico sujeito ao seu projecto. A privatização não é mais umas umas simples medidas económicas. _ ser principalmente um ideologia que consistir privatizar e monopoliser essencial espaço público, nomeadamente político e de segurança, para instrumentaliser outro sector. Trata-se monstrueux de um golpe de Estado planetário.

Os líderes políticos são cada vez mais ultrapassados e manipulados. Sofrem menos de incompetências pessoais e inhabiletés "técnicos" que de falta de visão ou de valor moral: são cobardes que tanto ignorants, não sabendo, ou não ousando, reconhecer a nova realidade. As nossas autoridades não querem assinalar este desafio. _ tanto quanto elas não ser não apresentar pressão popular que forçar alterar orientação. A nossa tarefa deve por conseguinte tender a provocar uma tomada de consciência popular que force-o alterar de política. Esta pressão popular deveria ser mais forte e mais convincente que aquela que exercem actualmente os Estados Unidos sobre as nossas autoridades.

S.C. - no Líbano, a população suspeita que é - desde o assassinato de Hariri - talvez objecto de man?uvres, não inter-arabes mas, ocidentais?

Youssef Aschkar: O Libanês são muito inquieto a respeito do seu futuro. Mas a manipulação diária exercida por redes de sabotadores que agem em segredo, impede-o frequentemente ver claramente. Uma grande parte do povo libanês é consciente, creio, destes man?uvres criminosos, mas não é unida nem preparada responder de maneira eficaz à estas manipulações. Enquanto os man?uvriers, eles, chegam a explorar todas as fraquezas da política política que é de tradição no Líbano, e também se a servir da pergunta confessional para dividir as pessoas. O communautarisme, sobre o qual os man?uvriers apoiam-se, priva os cidadãos dos seus marcadores comuns e racionais, tanto quanto os planos de os que déstabilisent a sociedade são preparados meticulosamente. Temos um grande trabalho de sensibilização a efectuar se queremos evitar que a situação agrave-se e torne-se irreversível. O tempo pressiona.

 S.C. - poder-se-ia que serviços secretos ocidentais financiaram os executantes do atentado contra Hariri? Mas em qual objectivo? Fazer estoirar a sociedade libanesa?

Youssef Aschkar: Indubitavelmente, a infiltração não é não somente uma arma principal, é uma estratégia. É a especialidade dos serviços secretos. A capacidade destes serviços está sem igual para criar cenários invraisemblables e explorar-o plenamente. Fazer estoirar a sociedade libanesa faz parte do seu plano principal. Quanto ao seu calendário, continua a ser escuro. A nossa tarefa imediata é agir a tempo para fazer encalhar o seu plano que aterroriza.

S.C. - são por conseguinte muito inquietos para o futuro?

 Youssef Aschkar: Se continua-se nesta via, é muito grave. Todos os vizinhos directos do Israel, qualquer esta região considerada um "espaço vital" por pelo Israel, estão sob a sua ameaça directa, assuntos à desestabilização. No contexto estratégico e geopolítico do "Grande Médio Oriente e a África do Norte", o desafio é IsraeloAmericano. As pressões exercem-se sobre todos os frentes e todas as nas direcções.

 Exercem-se de maneira muito evidente sobre o Irão e a Síria, enquanto que, sobre o Líbano, são camufladas.

O que deixa o Líbano em suspenso, compartilhado entre os que se fazem das ilusões sobre a democracia, a liberdade e a prosperidade - incentivo empoisonné esticado pelos Israelianos e os Americanos - e os que não se fazem nenhuma ilusão sobre as suas intenções.

 O Líbano é ao mesmo tempo país mais ameaçado e mais vulnerável. Os cristãos libaneses, dos quais uma parte imagina-se representar uma garantia que põe o Líbano ao abrigo da ameaça israeliana, são realmente o alvo prioritário nos projectos do Israel.

 S.C - aquilo surpreende-os de ver que em Ocidente - sob a influência dos propagandistas do "choque das civilizações" que têm a sua tribuna nos grandes meios de comunicação social - as pessoas aceitaram largamente a ideia que as pessoas de confissão muçulmana são "fanáticos" e "terroristas"?

Youssef Aschkar: Os serviços de propaganda dos néoconservateurs manipulam extremamente efectivamente os factos e os meios de comunicação social; por esta obliquidade chegam, infelizmente, a enganar na maioria das pessoas e déboussoler os progressistas próprios. Agem para desacreditar os muçulmanos, por um lado manipulando e financiando mercenaires que executam atentados terroristas que atribui-se seguidamente à resistência, por outro lado desencadeando um processo de fanatisation.

 Este segundo método consiste a criar situações conflituosas por provocações de carácter religioso que brouillent os marcadores, provocam manifestações e desacreditam o Islão

[ 2 ]. Induzidos em erro por estas provocações repetidas, os progressistas déboussolés: como humanistas, não podem defender actos violentos; e como laicos, não podem tolerar o fanatismo. Os progressistas que não são conscientes da manipulação operada pelos néoconservateurs, encontram-se assim empêtrés falsos em debates. Com efeito, os atentados que fazem numerosas vítimas civis téléguidés por esta banda do Pentágono que, por meio das suas redes, cria, e financia organizações fantasmas que terrorisent uns e outros em nome dos uns e os outro. Observam aqui, que a ideologia dosconservadores, como vê-o -se estender-se sobre o terreno, é a única e a primeira ideologia da História que procura produzir oponentes antes que membros, deixando aos oponentes o papel fornecer-lhe os membros. Explico-me. Esta ideologia é aplicável produzir oponentes empurrando-o ao fanatismo de forma a suscitar e alimentar todos os fanatismos do mundo, incluindo o fanatismo muçulmano e árabe, que permitirá dar uma imagem muito negativa dos muçulmanos, e terminará por produzir - é o objectivo - das reacções hostis ao seu respeito. Mesmo o laica convencidos, dos dois lados, serão conduzidos insensivelmente de entregar em questão a sua laicidade, e de ver "no outro" um parceiro insuportável. É o que se passa actualmente e que está via déstabiliser a Europa, de causar um corte entre as duas margens da bacia mediterrânica, saboter e arruinar os projectos da parceria mediterrânica de Barcelona. Se este corte agrava-se, vozes vão fazer-se propôr-se, igualmente na Europa, para chamar a aderir-se à doutrina dosconservadores que tocam a "guerra contra o terrorismo" e o "fanatismo muçulmano". É apenas à este momento, que a ideologia néoconservadora terá realizado a sua missão: contribuindo para provocar o desenvolvimento do fanatismo nos muçulmanos, terá suscitado em regresso, em Ocidente, membros às suas teses sobre o "choque das civilizações". E a Europa, até lá rétive, alinhar-se-á ideologia dosconservadores. Estes man?uvres escapam aos progressistas e as políticas em geral.

S.C. - Quais meios de acção poderiam ainda alterar este curso trágico?

Youssef Aschkar: Parti-lo todo deve de uma tomada de consciência das realidades com cuidado ocultadas por este edifício de mentira que trabalha manipular o espírito crítico de toda a humanidade. Só um "inquérito planetário" poderia responder à esta ameaça planetária e revelar os man?uvres que subjazem-o. Esta tomada de consciência deveria efectuar-se à dois níveis: o dos Estados e o dos cidadãos. Este "inquérito planetário", deve começar de qualquer urgência, deve tornar-se a acção prioritária da resistência e também o factor unificador desta resistência.

Todos os resistentes e os militantes do mundo devem unir-se, devem opôr-se, antes de mais nada, à esta nova guerra planetária, independentemente das causas específicas que defendem e as desgraças das quais sofrem e contra as quais eles lutam. Porque esta guerra agrava todas as desgraças específicas e torna a luta dos povos sob ocupação mais difícil. "Axis for Peace" constituiu-se neste espírito em Novembro de 2005 aquando do colóquio de Bruxelas. Os participantes, que militam para diferentes causas, deu-se conta do espírito unificador deste colóquio.

Devemos fazer a luta contra esta guerra que se ataca às sociedades, a prioridade das prioridades. Porque serve a nossa causa comum à todos e serve igualmente para alertar os governos quanto ao alcance desta guerra que afectar-o-á cedo ou atrasado.

Tanto como esta ameaça não é compreendido e considerados prioritários pelas forças populares, os governos persistirão de ir em direcções inoportunas fazer face à esta ameaça excepcional.

S.C. - o quadro que traçou não é profundamente déprimant para os povos do Médio Oriente, ou mesmo para nós todos?

Youssef Aschkar: Certamente; será extremamente pessimista se as coisas não alteram radicalmente.

Porque trata-se, ao Médio Oriente, de uma ameaça existentielle cuja opinião não é plenamente consciente; mas também de uma ameaça planetária da qual os povos do mundo e os Estados - nomeadamente as grandes potências - suficientemente não se alarmaram. Mas o optimismo ou o pessimismo dependerão do futuro da nossa acção.

Todo dependerá pelo facto uma acção terá sido efectuada a tempo, e pelo facto a resistência terá sabido unificar e centrar os seus esforços no bom alvo.

 Porque as forças lisas, de as e os que se comprometem na acção, são humanamente superiores às dos monstros do Pentágono, qualquer que seja a enormidade dos seus meios materiais e logísticos.