MOVIMENTO DOS COMITÊS REVOLUCIONÁRIOS
 
 

Biocarburantes e a  crise alimentar

 MCR [13.05.2008 10:55]


Os motins da fome multiplicaram-se através do mundo no seguimento do aumento dos preços das matérias primas alimentares e revelaram-se particularmente mortíferos. As populações do Terceiro mundo, esmagadas por um sistema económico irrationnel e insustentável, exprimiram a sua cólera sobre todos os continentes, que fosse à Haiti onde o Primeiro ministro foi demitido das suas funções, às Filipinas ou no Egipto. Mais de 37 países da África, da Ásia e da América Latina que representa um total de 89 milhões de pessoas são afectados directamente pela crise alimentaire1. Mas trata-se infelizmente apenas do início

Jacques Diouf, director geral do Programa alimentar mundial das Nações lisas, pôs antes dos factores que conduziram à este aumento súbito dos preços, uma baixa da produção devida à mudança climática, dos níveis de existências extremamente baixos, um consumo mais grande nas economias emergentes tais que a China e a Índia, o custo muito elevado da energia e o transporte e sobretudo o pedido acrescido para a produção de biocarburantes

2. Os Estados Unidos foram principais os promotores, com o Brasil, da política biocarburants para fazer face à subida do preço do petróleo, negligenciando as consequências dramáticas e previsíveis de tal produção. Assim, para satisfazer as suas necessidades de energia, Washington promove uma estratégia que vai conduzir uma grande parte da humanidade ao desastre. Não há nenhuma dúvida contra isso e as grandes instituições internacionais são unânimes a este respeito, incluindo o Fundo monetário internacional (FMI)

3. A FAO, a organização das nações unidas para a alimentação e a agricultura, sublinhou que o aumento mundial da produção biocarburants ameaçava o acesso aos géneros alimentícios para as populações pobres do Terceiro mundo. "A curto prazo, é muito provável que a rápida expansão dos combustíveis verdes, a nível mundial, terá efeitos importantes para a agricultura da América Latina", afirmou o FAO

4. Com efeito, a produção biocarburants efectua-se às expensas das culturas alimentares extraindo nas reservas de água, e desviando as terras e os capitais, o que provoca um aumento dos preços dos géneros alimentícios e "porá em perigo o acesso aos alimentos para aos elementos mais desfavorecidos", conclui a Organização num relatório apresentado ao Brésil

5. As consequências sociais desastrosas desta política são facilmente previsíveis enquanto que a insegurança alimentar golpeia já 854 milhões de personnes

6. O Brasil, que se esforça de propagar a produção biocarburants na América Latina e na a África, negou o facto de esta política era responsável do aumento dos preços dos géneros alimentícios através do mundo. O ministro das Finanças Guido Mantega comunicou o seu desacordo: "aquilo põe em perigo a produção alimentar [... ] nos Estados Unidos, mas não nos o Brasil, não nos países da África, não nos países da América Latina, que têm bastante terras para produzir os deux

7". O presidente brasileiro brilha Inacio Lula IP Silva recusou igualmente esta tese. "Mim ditos não, para o amor de Deus, que o alimento é caro devido ao biodiesel." O alimento é caro porque o mundo não era preparado ver milhões de Chineses, Indianos, Africanos, Brasileiros e Latino-americanos comer ", afirmou." Lula jogou a favor biocarburants porque o Brasil é o segundo produtor mundial de trás os Estados-Unis

8. Mas os cursos das matérias primas contradizem de maneira que fustiga os propósitos de Mantega e o presidente brasileiro. A produção biocarburants substitui-se às culturas alimentares e incentiva fortemente o aumento dos preços. Assim, o preço do arroz aumentou de 75% entre Fevereiro de 2008 e Abril de 2008 enquanto que o preço do trigo envolé de 120% sobre o mesmo période

9. É do mesmo modo para os produtos básicos como a soja, o milho, o óleo mas igualmente o leite, a carne e autres.

10. O secretário geral das Nações lisas Desterro Ki-moon reclamou medidas de urgência para pôr termo à crise alimentaire

11. O Banco Mundial chamou os governos dos países-membros de intervir rapidamente para evitar a propagação cataclysme alimentar e sublinhou que a duplicação do preço dos produtos básicos durante os três últimos anos "poderia empurrar mais profundamente na miséria 100 milhões de indivíduos que vivem nos países pobres". O preço do trigo, por exemplo, aumentou de 181% em três anos. O FMI pôs em guarda contra hécatombe anunciado: "Os preços da alimentação, se continuam como fazem-no agora, [... ] as consequências serão terríveis." Como aprendemos-o no passado, este tipo de situações termina-se às vezes em guerre

12 "." Jean Ziegler, relator especial das Nações Unidas para o direito à alimentação, qualificou a produção maciça biocarburants de "crime contra a humanidade" e avisou que o mundo dirigia-se "para muito um longo período de motins". Designou claramente o culpada fustigeant a política desastrosa do FMI, o dumping agrícola da União Europeia na África, a especulação bolsista internacional sobre as matérias primas gerada biocarburants, o governo dos Estados Unidos e pela Organização mundial do commerce.

13. A aposta em guarda Fidel Castro Tem mais de um ano, o 28 de Março de 2007 para ser preciso, o antigo presidente cubano Fidel Castro tinha posto em guarda o mundo contra o perigo representado biocarburants. Longa numa reflexão intitulada "mais de 3 mil milhões estar humanos no mundo condenados à uma morte de fome e soif prematuro", tinha denunciado "a ideia sinistra de converter os alimentos de combustível" elaborado pelo presidente Bush como linha económica da política externa dos Estados Unidos. Locataire da Casa-branco comunicou a sua vontade de produzir 132 mil milhões de litros biocarburant aqui de 2017.

14. "Hoje, precisamente sabemos que uma tonelada de milho pode produzir apenas 413 litros de etanol em média [... ]. o preço médio do milho nos portos étasuniens ascende à 167 dólares a tonelada." É necessário por conseguinte 320 milhões de toneladas de milho para produzir [ 132 mil milhões de litros ] de etanol. De acordo com os dados da FAO, a colheita de milho aos Estados Unidos para o ano 2005 ascendeu à 280,2 milhões de toneladas. Ainda que o Presidente fala produzir o combustível a partir de grama ou aparas de madeiras, qualquer um compreende que trata-se de frases absolutamente privadas de réalisme.

15 "." Para Fidel Castro, se tal receita fosse aplicada aos países do Terceiro mundo, o número de pessoas que são atingidas pela fome e pela falta de água tomaria proporções vertigineuses, sem estar a falar das consequências ecológicas. "não permanecerá mais só um árvore para defender a humanidade da mudança climatique.

16". O antigo presidente cubano fustigé igualmente a intenção da Europa de utilizar não somente o milho mas igualmente o trigo, as sementes de girassol, de colza e outros alimentos para a produção biocarburants. Aquilo provocaria - escrevia - um desenvolvimento do pedido, um aumento colossal dos preços destas matérias primas alimentares e uma crise humanitária às consequências trágicas. As previsões Fidel Castro revelaram-se infelizmente exactes.

17. O líder revolucionário cubano propôs uma solução simples para efectuar poupanças de energia: "Todos os países do mundo, ricos ou pobres, sem nenhuma excepção, poderiam economizar milhões de dólares em investimento e combustível alterando simplesmente todas as lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes, coisa que a Cuba fez todas as nas residências do país." Aquilo representaria répit para opôr-se à mudança climática sem estar a deixar morrer de fome as massas pobres do monde18 "." Uma moratória imediata sobre biocarburants é indispensável Longe tirar as lições do drama social e humano que atravessa o planeta, os Estados Unidos reafirmaram a sua vontade de multiplicar por pelas duas enormes superfícies que consagram já biocarburants.

A Europa apresentou igualmente a sua intenção de desenvolver estes produtos de substitution19. As consequências serão trágicas porque pior deve vir-se. A soberania alimentar é um direito inalienável dos povos. Não é não o mais importante. A pobreza e a fome não são fatalidades mas as consequências directas de um sistema económico inumano e destrutivo que viola o direito à vida déshérités do planeta. Por esta razão, é imperativo lançar uma moratória imediata sobre biocarburants sob penalidade de fazer face um verdadeiro genocídio. Esta produção é insustentável de um ponto de vista moral, político e social. A espécie humana é prestes a autodétruire.

É que nunca mais urgente pôr um termo à esta corrida louca para o apocalypto.

Salim Lamrani