MOVIMENTO DOS COMITÊS REVOLUCIONÁRIOS
 
 

Territórios e mundialização: desafios do desenvolvimento

 MCR [13.05.2008 10:58]

 

Editorial do recente processo de Alternativas Do sul:

Territórios, desenvolvimento e mundialização

Alcance primeiro pelas retóricas nacionalistas que conferem um papel central aos Estados-nações, seguidamente pelas retóricas globalistes e néolibérales visando a integração ao espaço sem fronteiras do mercado mundial, a modernização do Sul não teve as suas promessas. A abordagem das práticas populares locais, na sua complexidade e as suas contradições, explora as dimensões de um "reterritorialisation" das condições do desenvolvimento. Como as diversas contribuições para este volume mostram-no amplamente, os desafios das relações entre territórios e mundialização são múltiplos e complexos. Mostram também a partir de pontos de vista que aumentam de escalas espaciais diferentes - locais, regionais, nacionais ou continentais -, que a dimensão territorial tornou-se uma componente incontornável de qualquer reflexão crítica sobre o desenvolvimento dos povos. Quereria-se sugerir nas linhas que seguem que uma perspectiva critica, elaborado desde os estudos de desenvolvimento, podem contribuir para pôr em valor a complexidade das relações entre territórios e mundialização, mostrando que os desafios não se reduzem às únicas dimensões económicas ou geopolíticas nas quais frequentemente são fechados.

Interesse de um olhar em termos de desenvolvimento.

Estas dimensões são evidentemente muito importantes, mas continuam a ser frequentemente limitadas em abordagens de tipo binário das relações entre a dimensão nacional e global o o o o do crescimento, o o o o investimento, a a a mudança tecnológica, a a soberania política, a governança, a informação, a cultura, etc.. O uma colocam a tónica sobre as sinergias necessárias entre a abertura do espaço nacional e a governança do espaço global, os outros insistem mais nas contradições entre os dois, nomeadamente as ameaças que fazem pesar as lógicas globais sobre uma construção equilibrada dos espaços nacionais. Do ponto de vista dos desafios do desenvolvimento, deve-se colocar-se a questão das relações entre as lógicas que presidiram à construção Estados-nações e as que atribuem doravante os parâmetros do referente global à estes.

Em outros termos, para além das mutações evidentes, há a pergunta de uma eventual continuidade entre as lógicas dominantes de desenvolvimento que foram impostas aquando da construção dos "territórios nacionais", e aquelas que impõem as referências "ao espaço global". Historicamente aquilo refere-se tanto ao Norte que o Sul, já longo no processo de mundialização, dominado desde o século XVI pelas lógicas que Immanuel Wallerstein chamou "a economia-mundo" capitalista (Wallerstein, 2006).

Do ponto de vista histórico, uma análise das relações entre territórios e mundialização não pode fazer a impasse sobre o problema das relações entre os milhares de "territórios locais" construídos através do mundo, durante os séculos precedentes esta "economia-mundo", e a imposição, frequentemente pela força, da dimensão territorial do Estado centralizado.

Ao Norte, aquilo fez-se através das fases sucessivamente mercantilistes, livre-cambistas e régulationnistes das relações entre Estado, mercado e acumulação do capital. Ao Sul, aquilo fez-se no âmbito das fases sucessivas coloniais/mercantilistes, imperiais/livre-cambistas, coloniais/proteccionistas, que "a escola da dependência" qualificou, há já quarenta anos, de relações centro - periferia entre o Norte e o Sul (Kay, 1989).

 Do ponto de vista do desenvolvimento, uma pergunta central é por conseguinte sair da única relação entre cidadão e global, e situar os desafios das relações entre sala, nacional e global. No âmbito limitado deste editorial, centrar-se-á-se na experiência do Sul desde após a segunda guerra mundial, período ou afirma-se o discurso teórico sobre o desenvolvimento e as políticas que inspira, no contexto da guerra fria e décolonisation. Imediatamente é interessante notar o papel central do crescimento económico na continuidade dos grandes discursos sobre o desenvolvimento desde mais de um meio século, que trate-se de referência ao território nacional ou o espaço do global.

Os grandes discursos sobre a construção dos Estados no período da postindependência ao Sul, insistiram na prioridade a dar ao arranque de um processo de crescimento nacional, atribuído como um dos objectivos essenciais. Foi apresentada como o vector da luta da pobreza de massa no âmbito do espaço nacional. No início dos anos 2000, continua o crescimento, mas na sua versão global, que está ao centro do discurso sobre os Objectivos do milénio do desenvolvimento (WCO) e para contribuir para a diminuição da pobreza de massa à escala mundial (Sachs, 2005). Entretanto, houve cinquenta anos do dizer crescimento, levado pelas retóricas nacionalistas, seguidamente globalistes.

No seu nome, chamou-se uma primeira fase à mobilização de todas as forças dos espaços nacionais, e a fase actual à mobilização dos parceiros do espaço global em construção. Pode-se portanto interrogar-se sobre os relatórios reais que existem entre estes macroespaços do crescimento, sempre mais dilatados, e os milhares de espaços locais, rurais e urbanos, onde vivem através do mundo, e sobretudo ao Sul, a esmagadora maioria dos mil milhões de "pobres", supostos ser principais os beneficiários dos seus efeitos. A amplitude nova dos movimentos de migrações Sud-Nord, que agitam tanto os meios de segurança, não altera o fundo do problema: a maior parte do tempo, os migrantes provenientes dos "espaços locais pobres" do Sul contribuem para alargar a geografia dos "espaços locais pobres" ao Norte.

 Na frente de este malogro manifesto do grande discurso sobre o crescimento e o desenvolvimento a transformar-se realmente, não é por conseguinte sem interesse de tentar compreender como as suas diferentes alternativas através do tempo conceberam as relações entre territórios de escalas diversas, e sobretudo de tentar ter em conta os seus efeitos nos territórios de vida das populações sujeitas às injunções das políticas dominantes. Uma primeira parte desta contribuição, procurará-se mostrar como os "territórios" foram concebidos nas políticas de desenvolvimento, elaboradas à época onde atribuia-se um papel de relevo ao Estado forte para construir um território à medida das suas ambições múltiplas. Mas não se pode esquecer que este Estado devia operar no âmbito de uma mundialização dominada por uma visão geopolítica que opõe dois campos, é-o e o Oeste, suposto levar cada um uma visão diferente de um "mundo melhor".

 Uma segunda parte, quereria-se mostrar como este papel foi redefinido progressivamente durante os anos 1980-1990, a medida que corrmo-se-er a gravidez da visão geopolítica anterior, enfraquecendo ao mesmo tempo o papel dos Estados-nações ao Sul. Aquilo permitiu a afirmação de uma visão géoéconomique centrada no mercado global, como vector de uma mundialização doravante controlada "sem fronteiras" por um Norte mais que nunca hégémonique. Mas a pergunta é evidentemente saber se o "mercado global" pode pretender ao estatuto de "território global".

Por último tentará-se mostrar como diversas contribuições recentes no pensamento sobre o desenvolvimento chamam a um olhar diferente sobre os desafios das relações entre territórios e mundialização, e que pode trazer um pedido de "reterritorialisation" das condições do "desenvolvimento dos povos e das pessoas".

Território e desenvolvimento nas teorias da modernização entre 1950 e 1980

Após a segunda guerra mundial, o paradigma fundador e dominante do desenvolvimento foi inegavelmente o paradigma da modernização. Esta "escola dogmática da modernização" via o desenvolvimento como um processo universal caracterizado por uma série de etapas pelas quais devem necessariamente passar todas as nações e sociedades. Todos os aspectos económicos, sociais, culturais, institucionais eram considerados como instrumentais em relação à esta mudança, cuja abordagem económica definia as etapas e as características. Não se deve negligenciar a influência do contexto geopolítico da época para explicar a emergência e o sucesso das teorias da modernização, bem como o superioridade atribuído à construção do Estado-nação. Em primeiro lugar são teorias que foram elaboradas nas grandes universidades estados-uniennes, por académica muito ligados aos aparelhos de decisão política.

Compartilhavam a preocupação de estes de consolidar a liderança norte-americana na confrontação com o modelo de desenvolvimento soviético e chinês que à época davam um superioridade evidente ao papel do Estado no desenvolvimento. Na visão théoriciens da modernização, o papel do Estado era reconhecido importante, sobretudo para controlar e mobilizar os recursos da sociedade rural para lançar o processo de modernização, centrado no crescimento levado pela industrialização. Tratava-se de criar as condições favoráveis à empresa privada como agente económico.

Nesta abordagem, pesadamente marcada pela herança do pensamento colonial, os meios de vida do mundo campesino eram considerados como características do arriération típico da sociedade tradicional. Paysannerie era apenas objecto e um instrumento da modernização para as elites.

O aspecto espacial era muito visível nesta doutrina. Por um lado, através da importância atribuída à passagem da sociedade à dominante rural à sociedade à dominante industrial, as teorias e as práticas de desenvolvimento deu uma grande importância às relações entre espaços rurais e urbanos, considerados instrumentos das políticas de modernização. As cidades e as campanhas eram vistas como espaços a adaptar rapidamente às exigências da modernização. Por outro lado, o único território a construir, "desenvolver-se", era o do Estado nacional moderno.

E a produção agrícola, da mesma maneira que o trabalho campesino, tinha um papel instrumental na consolidação do Estado e o sector industrial (Peemans, 1995). Os parâmetros desta construção eram os da modernização acelerada, de trás a qual perfilava-se com efeito a lógica de um "processo de acumulação primitiva" através através da qual eram definidos os papéis respectivos das campanhas e as cidades. Estes últimos não eram encarados como "territórios", mas devidos de ser apoios e instrumentos das políticas de modernização nacional. Nos países do Sul, o papel do Estado foi evidentemente fundamental para alargar a base da "acumulação primitiva" largamente incompleta tendo em conta o peso do sector rural na economia. Se realiza-se -se à este único aspecto, dá-se -se conta que os Estados estiveram ao centro das políticas de modernização do mundo rural num sentido funcional em relação à acumulação:

- que ser através reforma agrário (América e Ásia) para liberar industrialização peso renda, reforma leito de ardósia (África) para fazer evoluir propriedade comunitário para propriedade privado terra, ou ainda através aposta lugar estrutura enquadramento produção e comercialização agrícola para controlar excesso agrícola e poder mobilizar (Glassman, 2006).

- ponto de vista, estado modernisateurs ter exigido e ter sempre ser incentivar se construir como estado "forte", sobretudo ponto de vista controlo e incorporação população local, identificar ser sector "tradicional" rural, ser, ligeiramente mais atrasado, "sector informal urbano", dois relativo noção espaço potencialmente ou realmente insoumis em relação lógica centralizador território estatal.

Esta abordagem ainda reforçou-se no meio dos anos 1960 aquilo tem-se feito primeiro sob o impacto das dificuldades das políticas de modernização tais como foram concebidas inicialmente. Estas dificuldades eram atribuídas então às capacidades de bloqueio da modernização pelas forças resilientes da tradição. Um elemento ainda mais influente foi o temor de ver estender-se ao conjunto dos países do Sul, a influência de movimentos revolucionários à base campesina, com referência às revoluções chinesa e cubana, e a guerra de liberação anti-états-unienne ao Vietname. Aquilo provocou uma versão mais autoritária da modernização com um papel explícito atribuído aos militares para manter a ordem e o controlo das regiões rurais.

Estes últimos tornaram-se então quer dos espaços de repressão armada, quer luta contra a "pobreza", com nos dois casos o mesmo objectivo: impedir a emergência de movimentos revolucionários. Pode-se por conseguinte dizer que a partir de esta época o território do Estado-nação vai mais ser ainda que anteriormente a referência espacial privilegiada da manutenção da ordem e o controlo social pelos aparelhos militares e de segurança.

A leitura da mundialização à época, que se fez sobretudo nos termos da geopolítica do conflito Leste-oeste, por conseguinte desempenhou um papel não negligenciável na construção de um território estatal, imposto às populações locais, frequentemente nas fronteiras do espaço herdado da colonização, e largamente sustentado do exterior pelas ajudas económicas e militares que faz parte das estratégias dos adversários respectivos do conflito Leste-oeste. Estas políticas de "modernização nacional" conheceram sucessos limitados, variáveis de acordo com os países, mas durante os anos 1970, foram atravessadas por contradições cada vez mais numerosas, nomeadamente devidos aos limites internos da formação do capital.

Uma parte importante do pensamento sobre a modernização atribuiu estas contradições aos limites inerentes ao território nacional e o papel do Estado para construir um sistema industrial rentável. A tendência então continuou de vincular a continuação da modernização à uma abertura mais grande ao comércio internacional. Estas ideias foram propagadas nomeadamente através da subida multilatéralisme, do reforço das organizações de ajuda que gere este multilatéralisme (por exemplo o Banco Mundial) paralelamente à internacionalização crescente da economia, sob a empurrão das firmas multinacionais de origem ocidental.

Pressões néomodernisatrices e "território da acumulação globalizada"

A evolução do contexto internacional após 1980 teve uma influência notável sobre a evolução das realidades territoriais do desenvolvimento. Um elemento essencial da evolução deste contexto foi as pressões sociopolitiques e socioeconómicas, de origem diversa, que provocaram, nomeadamente através do impacto das políticas de ajustamento, uma redefinição do papel dos Estados-nações no desenvolvimento. Pôde-se constatar então o aumento da influência de novos actores transnacionais no plano económico e supranacionais no plano político. Esta evolução reflectiu-se na evolução do pensamento sobre o desenvolvimento.

A corrente dominante tornou-se a corrente económica néolibéral, que quis definir doravante o desenvolvimento como um processo contínuo de adaptação às exigências da liberalização e a globalização dos mercados. Nesta visão, o desenvolvimento é concebido como uma inserção na dinâmica do crescimento internacional. O internacional impõe as suas normas ao cidadão, o sector privado impõe as suas normas ao sector público, e a modernização resulta da pressão dos constrangimentos da economia internacional e a competitividade das empresas. Nesta visão, não se pode por conseguinte dizer que abandonou-se a abordagem da modernização. Passou-se de um tipo de modernização centrado no Estado-nação, a um tipo de modernização centrado no "mercado global".

 Esta passagem influenciou naturalmente a visão do papel dos espaços urbanos e rurais na visão dominante do desenvolvimento. A competitividade supõe de fazer emergir "pólos de desempenhos" que sejam capazes de agrupar empresas e actores que têm a capacidade de inserir-se nas normas variáveis da concorrência à escala mundial. Os "territórios" portanto são considerados como jazigos de recursos humanos que permitem inserir-se no global. De acordo com esta abordagem, o apoio territorial por excelência, é a "cidade global" ou vocação global.

O território urbano tem por vocação de transformar-se em "global city" (Friedmann, 1986; Sassen, 1991; Knox et Taylor, 1995). A cidade global concentra fluxos de informações, encomenda redes, permite aos actores globais de encontrar-se, cooperar e elaborar estratégias que assegurarão o desempenho. Esta evolução é apresentada como uma etapa paralela à emergência da sociedade de informação, e todos os parecem inegáveis. Assim como é inegável uma espécie de hierarquização das cidades numa "economia de arquipélagos", estes arquipélagos os pólos de desempenho e as zonas que dependem, os hinterlands do "global cities" (Ascher, 1995). Esta corrente néofonctionnaliste vê a globalização como único vector da dinâmica urbana presente e futura (Castells, 1989). A responsabilidade das autoridades políticas torna-se a de ajudar a construir uma cidade-território competitiva, a construir pólos de desempenho. Nesta perspectiva, o desenvolvimento urbano, ao Norte assim como o Sul, deve ser levado pela capacidade de adaptar a cidade às exigências da competitividade global, muito em ter uma estratégia activa de incorporação das fracções marginalizadas da população

- frequentemente majoritários ao Sul

- neste movimento (cf. os discursos "novos" sobre a luta contra a pobreza, a promoção da microempresa a partir do sector informal, etc.)(Peemans, 2004). A maior parte das grandes aglomerações aparece bem governada por uma ordem induzida pelas características dos "pólos eficientes". Os bairros de negócios são conectados entre si e as zonas de actividades industriais bem como as zonas residenciais, ao aeroporto internacional, por infra-estruturas rodoviárias que viram as suas dimensões, a sofisticação do seu equipamento e as suas influências sobre o espaço urbano aumentar-se consideravelmente nos anos recentes.

Reflectem concretamente a preocupação da maioria das classes médias a ser integradas às normas da economia mundial globalizada. Frequentemente, estas infra-estruturas têm uma influência esmagadora sobre o espaço urbano e reduzem as zonas de habitat popular que atravessam, ou mesmo survolent, ao estado de No. man' s Land. Neste caso, assiste-se recomposition do espaço urbano em redor da lógica de funcionamento dos pólos eficientes em termos de lugares de decisão, consumo, produção e modo de vida de os que são vinculados lá activamente. Esta lógica de territórios competitivos foi aplicada cada vez mais também aos espaços rurais. Quer, como hinterland de "pólos urbanos de desempenho" (casos dos zonings industriais, as zonas francas, etc.), quer como "pólos de desempenho" agrícolas, através de instaurado de uma agricultura muito orientada pela lógica productiviste, voltado para a exportação de novos produtos de qualidade pedidos pelas categorias de elevados rendimentos no mercado mundial, e levada a efeito por uma pequena minoria de empresários agrícolas fortemente encerrados em fileiras controladas por grandes empresas transnacionais do sector agroalimentar.

Estes diferentes elementos mostram bastante claramente o superioridade da dimensão económica na evolução da corrente da modernização a partir dos anos 1980.

 "ordem territorial global" e normas da governança néolibérale

Durante os anos 1990, a dimensão política tomou cada vez mais importância nos discursos e práticas dos actores globais. Os temas a a da reforma do Estado, a a descentralização, a consolidação da sociedade civil, a democracia e a promoção do mercado foram vinculados, nomeadamente através do conceito de governança (Hyden et Bratton, 1992). Esta reflexão sobre o papel do Estado tem-se enquadrado primeiro num reforço das condicionalidades económicas da ajuda ao desenvolvimento.

E seguidamente progressivamente afirmou-se a ideia da necessidade refonder do Estado em redor dos critérios de funcionamento do mercado.

A governança traduz esta vontade hégémonique redessiner a natureza dos Estados de acordo com os critérios da nova doutrina globaliste.

A governança é com efeito um modelo universalista de Estado ligeiro gerido de acordo com regras que se aparentam mais aos princípios de uma sã contabilidade de empresa que aos da soberania política. O Banco Mundial desempenhou um papel central na elaboração e a divulgação desta nova doutrina (World Bank, 1992). O conceito de governança teve um impacto decisivo no enfraquecimento da rota unívoca anterior entre soberania e território no âmbito do Estado-nação.

Doravante o Estado-nação vê cada vez mais os seus poderes definidos e supervisionados por uma "comunidade internacional" que, sem base territorial definida, se atribui das missões "sem fronteiras" vocação global, sempre mais numerosas e mais imperiosas (Sparke, 2006). Pode-se por conseguinte dizer que conformemente, o referente essencial não é mais o espaço nacional, mas o espaço global. Mas esta passagem tem um aspecto paradoxal: o advento do espaço global entregou em valor o espaço local, tendo em conta anteriormente como lugar da tradição, mas doravante chamado a a transformar-se em apoio dos "pólos de desempenho" vocação de competitividade global. Nos factos, a dimensão espacial local das actividades dos actores globais tornou-se uma realidade extremamente prégnante.

Os grandes grupos financeiros, industriais, as grandes cadeias de distribuição têm doravante implantações em dezenas de países diferentes, ao Norte e o Sul, e estas têm evidentemente sempre além disso um carácter local. Se estas implantações voltam a marcar finalmente um "espaço" à escala global, que é gerido como tal, a sua segurança e o seu funcionamento depende sempre de condições "locais". Não é por conseguinte surpreendente que o conceito de "governança local" seja integrado naturalmente numa concepção geral da "boa governança", ainda que os objectivos afirmados sobretudo eram centrados em refondation néolibérale do Estado. Com efeito, o objectivo fixado foi de reduzir o défice das finanças públicas, pela descentralização transferindo ao mesmo tempo certas receitas e certas despesas para as autarquias locais.

Esta descentralização era suposta de permitir uma redução dos desperdícios ligados aos custos de uma centralização administrativa excessiva, nomeadamente através da privatização de certas funções e serviços públicos locais. Nesta visão, a "governança local" garante a extensão do mercado e a redução do papel do Estado. A invocação, cada vez mais frequente durante os anos 1990, da participação das colectividades básica estêve no mesmo sentido. Uma literatura prolixa desabrochou-se sobre o tema de "tornar das autarquias locais mais responsáveis do seu desenvolvimento", "liberar as energias dos simples cidadãos permitindo-lhes tomar-se eles mesmos", etc.. As publicações do Banco Mundial e as suas sucursais desempenharam um papel central para recuperar ideias e conceitos elaborados em outros meios, esvaziar-o do seu conteúdo eventualmente hétérodoxe, e incluir-o nos princípios de uma "governança local", vocação universal: empowerment, papel da sociedade civil, participação das mulheres nas decisões locais, e seguidamente a partir do ano 2000, "inclusão dos pobres na planificação local" (Barnett e Low, 2004). Não é necessário contudo concluir que doravante há um reconhecimento, na corrente dominante, da existência de territórios locais autónomos.

Da mesma maneira que o espaço nacional sujeito às exigências do global pela "governança", o espaço local também deve-lhe ser inserido numa dinâmica orientada pelos actores globais. J. von Braun, Director Geral do IFPRI, uma sucursal do Banco Mundial, não deixa nenhuma dúvida a este respeito: "...a descentralização política pode beneficiar aos pobres fazendo-o participar na planificação e a avaliação das políticas públicas locais... esta tendência a descentralização é empurrada não somente pela democracia mas também pela globalização económica.

A globalização exige um poder de decisão local que possa fornecer com eficácia as infra-estruturas e os serviços pedidos pelos investidores... esta necessidade económica é o motor da "globalização", a combinação de globalização com localização e descentralização... "(IFPRI, 2007)." Pode-se por conseguinte dizer que a evolução recente em nada não alterou uma das atitudes fundamentais da corrente modernisateur: os espaços urbanos e rurais sempre são vistos lá como simples instrumentos do crescimento económico, dos instrumentos dos quais o aperfeiçoamento consiste a aumentar a sua funcionalidade em relação às exigências do crescimento no âmbito da globalização da acumulação do capital. Com efeito, o cidadão, o regional e a sala são apenas espaços de mobilização de recursos, humanos e materiais, para apoiar estratégias de actores globais que querem abulir as fronteiras para a despregadura dos seus projectos hégémoniques, que seja no domínio económico ou político. Alguns não hesitam portanto a ver neste projecto uma dimensão totalitária. De acordo com C. Milani "... a inginheria da sociedade global desejada pelos seus actores supõe instaurado da arquitectura de uma nova civilização... em outros termos, para ter êxito, a globalização presume um projecto hégémonique que visa à constituição de novos estilos de vida, de novos hábitos, de novos sentimentos e de novas subjectividades... " "(1998)." Geralmente, a governança néolibérale bem afirmou-se nos anos recentes como um regime de governança à pretensão hégémonique global. De trás as suas injunções e as suas práticas vinculativas, há uma vontade de desenhar os contornos de um território global governado pelos princípios do néolibéralisme.

Os seus actores não hesitam de resto mais a impôr-o pela via militar (Iraque, Afeganistão) ou pela ameaça da intervenção directa (Sudão, Irão, Cuba, etc.). Não é por conseguinte surpreendente que a análise da governança reactivou o interesse para um estudo das formas contemporâneas impérialisme, das quais aparece como a expressão mais realizada. Estão efectivamente as potências norte-atlanticos que controlam as instituições multilaterais procedentes de Bretton Woods, originalmente da elaboração e a divulgação do conceito de governança.

E são agrupadas na OTAN que não cessa de redefinir os seus direitos de intervenção militar num projecto global sem fronteiras. Para alguns, a governança néolibérale retorna essencialmente ao papel dos Estados Unidos como potência impérialiste de vocação hégémonique, compartilhado entre uma corrente multilatéralisme (apoio ao papel das instituições multilaterais para impôr a governança néolibérale), e uma corrente unilatéraliste (intervenções militares directas para impôr-o com critérios que correspondem estreitamente aos interesses estados-uniens) (Smith, 2005). Para outros a governança néolibérale global deve ser analisada como a expressão da vontade de dominação de potentes redes de actores transnacionais, autónomas em relação às suas nações de origem, e não pode mais ser visto como a expressão dos interesses de só um país, mesmo mais potente militar, neste caso os Estados Unidos (Agnew, 2005). Nas suas obras recentes, D. Harvey propõe uma abordagem dialéctica das relações entre "governança néolibérale global" e "impérialisme", destacando a tentativa dos ultraconservateurs estados-uniens réimposer o superioridade norte- americano ao seio mesmo do regime global hégémonique, e através de um aventurisme militar total (2005).

Apesar da diversidade destes pontos de vista, pode-se contudo afirmar que há um reconhecimento evidente da importância da dimensão espacial nas estratégias dos actores globais, de uma espécie de vontade de definir um "território global" onde poderiam estender-se em segurança e sem constrangimentos. Pode-se mesmo dizer que doravante em certos ideólogos do néolibéralisme, como por exemplo J. Bhagwati, há uma espécie de imaginário vertueux de um "território global". As escalas macrospatiales e microspatiales ajustam-se naturalmente as umas os os outros, e o mercado organiza as complementaridades e as sinergias entre o uma e os outros Estas abordagens colocam a tónica sobre a extraordinária dilatação dos espaços da liberdade individual na globalização, descrevendo ao mesmo tempo de maneira muito negativo os que demoram a perceber os benefícios de este último (Bhagwati, 2004). Há doravante uma espécie de geografia néolibérale da liberdade, que se prolongou numa geografia imaginária da governança néolibérale global. Pretendem construir uma notícia géoéconomie global da liberdade, contrastando com as restrições impostas às escolhas dos consumidores e das empresas nos limites territoriais do Estado-nação (Ho, 2005). Todos os discursos e práticas conjugados provocaram uma tendência a délégitimation do Estado.

A dimensão territorial encarnada pelo Estado por conseguinte viu corrmoer-se o seu papel de referência simbólico, ou mesmo hégémonique. É uma realidade constatada cada vez mais frequentemente, e que contrasta com os discursos que resplandecem sobre os méritos e vitórias da democracia e a governança. Os actores globais têm penalidade a legitimar a imposição de "democracias formais" em Estados largamente esvaziados das suas competências pelas políticas de ajustamento e as diversas alternativas da governança imposta do exterior. Nos seus discursos e as suas práticas, o território do Estado-nação existe mais apenas como um espaço virtual validado por critérios de inserção num espaço global "sem fronteiras". Bem mais, os espaços locais, urbanos e rurais, são reconhecidos de interesse apenas através dos mesmos critérios.

É lá que pode medir-se as práticas de "déterritorialisation" profundamente déstructurantes e déstabilisantes actores globalistes. É por conseguinte à este nível que é necessário situar os desafios das relações entre territórios e desenvolvimento. Estes desafios foram abordados de diferentes maneiras por novas correntes de análise e de reflexão nos estudos de desenvolvimento.

Outro olhar sobre o "deteritorialização" vivido ao Sul

Desde uma quinzena de anos um grande número de observações destaca o desfasamento crescente existente entre o discurso normativo sobre a globalização e as novas formas de crises urbanas e rurais que vê-se manifestar-se ao Sul. No seguimento das consequências do ajustamento permanente imposto desde os anos 1980, a retirada do Estado provocou o empobrecimento de uma parte crescente das populações, combinada com fenómenos maciços de marginalização, de exclusão e de desigualdades sociais gritantes. A reestruturação das condições da acumulação, no sentido da "globalização" das actividades económicas sob a égide dos actores dominantes os "pólos eficientes", acelerou igualmente as tendências a désarticulation dos espaços rurais e urbanos no âmbito dos Estados-nações. Ao Sul, desde os anos 1990 viu-se amplificar-se novas formas de crise agrária. Distante ser o sinal archaïsme da agricultura, manifestaram-se num contexto de progressos espectacular da produtividade agrícola, através o "chimisation" e a mecanização maciça, a aposta?uvre das biotecnologias.

A crise agrária multiforme é primeiro a consequência da lógica de "pólos eficientes" na agricultura. Com efeito os progressos espectaculares são o facto de uma pequena minoria de explorações, aplicação n que pode-se chamar a "via agrícola de modernização agrícola", sistematicamente privilegiada pelas organizações multilaterais (Banco Mundial, FAO).

A ideologia da modernização sempre legitimou-se através da promessa de incorporar largas camadas paysannerie nas repercussões de um "modelo agrícola" suposto poder aumentar consideravelmente o rendimento em região rural, que seja através da actividade agrícola ou o crescimento do emprego assalariado. Mas na realidade, a lógica dos "pólos eficientes" agrícolas acompanhou-se de uma eliminação maciça pequeno paysannerie desde um quarto de século ou pelo menos uma marginalização sobre o lugar.

Os países do Sul combinam geralmente os dois efeitos: aumento das migrações campanhas - cidades e dependência mais forte paysannerie que reside sobre o lugar em relação aos rendimentos monetários, num quadro de precariedade mais grande. Este fenómeno foi acentuado pelo facto de, para a "via agrícola de modernização agrícola", o controlo da terra torna-se cada vez mais importante, enquanto que as necessidades de mão-obra são centradas sobre as únicas exigências do novo pacote tecnológico.

A aposta obra de projectos gigantescos de produção de diversos tipos biocarburants acentuará esta tendência no futuro (Houtart, 2007).

Ao Sul, num contexto de crescimento demográfico elevado, o agravamento da crise agrária provocou e continuará a provocar um agravamento da crise urbana. As migrações campanhas - cidades provocaram, desde os anos 1980, uma gigantesca dilatação dos espaços dos grandes mégapoles.

À primeira vista, estes espaços por conseguinte tornaram-se ainda mais caóticos que nas décadas precedentes, caracterizados por uma expansão descontrolada de imensas zonas taudis, bidonvilles, faltando das infra-estruturas elementares de higiene e de saúde. A polarização social do impacto espacial da acumulação globalizada é endógeno à sua lógica mesma (Delcourt, 2007). Esta evolução toca todos os centros urbanos dinâmicos do Sul e as tendências já visíveis antes de 1980 acentuaram o seu impacto nos espaços urbanos. Externalités negativos aumentaram através de uma intensificação interacções complexas entre elementos antigos (obstrução, congestão generalizada, níveis de barulho e de poluição cada vez mais elevados) cuja resultante é incontrolável. Por toda a parte o crescimento dos pólos eficientes provoca uma deterioração das condições de vida concretas e as pressões cada vez mais violentas sobre as condições de vida diária.

De trás o desempenho, tem-se o espectro da precarização das populações. Crise agrária e crise urbana por conseguinte são induzidas largamente, quer directa, quer indirectamente pela lógica dos pólos eficientes, e dénouent finalmente numa crise geral do ambiente. A nível dos territórios entendidos como lugares de vida concretos, urbanos e rurais, externalités negativos da acumulação transformam-se em mal cumulativos e irreversíveis.

Estas realidades desastrosas desmentem as promessas de desenvolvimento sempre renovadas pelas alternativas sucessivas dos discursos sobre a modernização, nacional ou global. Numerosos em casos, é verdadeiro que o enfraquecimento das promessas de uma modernização compartilhada provocou o aparecimento de tentativas de réinvention de uma identidade sob a forma de communautarismes sectaires, messianismes, fundamentalismos religiosos ou ainda ethnismes agressivos à pretensão hégémonique.

Estas reacções aceleraram frequentemente a desintegração social, o aparecimento de novas formas de violência, déchaînement de guerras civis, ou mesmo o desmoronamento do Estado. A fragmentação social toma frequentemente novas formas anomie, violência e desagregação do tecido social, endógenos às novas realidades da marginalização e a exclusão. Mas limitar-se à esta constatação seria demonstrar miopia. Não é necessário concluir que as populações sofrem passivamente este estado de coisas. Não podem ser reduzido ao estado de vítimas ou catalogadas simplesmente como "pobres" em espera de intervenções externas, como o facto ainda com complacência toda a literatura recente sobre os Objectivos do milénio para o desenvolvimento (Craig e Levar, 2006).

 É introduzindo esta interacção entre espaço social e espaço urbano que os estudos recentes sobre o desenvolvimento tomaram a sua distância em relação às concepções que privilegiam unicamente a abordagem morfológica das formas urbanas. As dimensões de estas são mais complexas que afirma-o uma leitura das relações cidades - campanhas que privilegia sobretudo a forma, por exemplo os conceitos "mégapoles", de "cidades difusas", de "arquipélagos", etc. Esta leitura privilegia a forma em detrimento dos actores, e sobretudo, esquece os três quartos da população, que não considera de resto como actores, dado que são designados como "pobres", ou seja No.actores em espera das repercussões benéficas de uma política voluntariosa de modernização bem sucedida, e eventualmente orientada para a "redução da pobreza".

Os mégapoles do Sul não correspondem à noção de "cidade difusa" tal como theorizado ao Norte como final etapa da "cidade global" e o "hypermodernité". Filigrane das aparências informes, pode-se dizer que estas imensas aglomerações articulam espaços rurais urbanisés e espaços urbanos ruralisés, numa continuidade que não impede uma grande diversidade. Apesar da densidade de ocupação do espaço, numerosas partes da cidade apresentam a imagem de "aldeias reinventadas" às características híbridas. Numerosas em aglomerações, pode-se ver a expansão de uma nova agricultura urbana, correspondendo aos traços originais da agricultura campesina, mas adaptada um novo contexto geográfico.

Numa análise recente de um bairro de Kinshasa, S.

 Ayimpam ilustra efectivamente esta realidade: "... o bairro Mikondo quanto a ele, parece constituir um espaço retransmissão ou de transição das relações cidade/campanha Mikondo que não tem o estatuto de bairro urbano que desde um cerca de trinta de anos, tem sido muito tempo um órgão jurisdicional usual." Pela sua morfologia, o modo de vida e ocupação dos seus habitantes, parece corresponder um espaço de intrusão da cidade numa aldeia, por um processo urbanisation que conquista.

Apesar da presença dos representantes do Estado que administram o bairro, a influência das autoridades usuais é ainda sensível. Sobre certas perguntas, como a atribuição das novas parcelas, há frequentemente conflitos de influência e de competência entre os representantes do Estado e os chefes de terra.

Apesar do seu estatuto ` urbano', Mikondo parece muito visivelmente levar longa uma herança rural. Mikondo mostra como podem ser leves e incertos os limites entre o urbano e rural, entre o ` moderne' e o ` traditionnel', tanto os diferentes tipos de actividades que se dizer limpos à cada um destes meios mistura-se -se e mistura-se -se, e que uma oposição clássica cidade/campanha não é adequadas para dar conta de certos dinâmicos completamente híbridos que se encontram. Mikondo apresenta-se como um espaço onde assiste-se ao mesmo tempo ruralisation da cidade e urbanisation da campanha... "(Ayimpam, 2005)." Estes mégapoles informes todos os são feitos realmente de centena de bairros, todos dos quais têm uma identidade, construídos pelos seus habitantes e frequentemente conhecidas deles únicos, tanto para os seus aspectos negativos como positivos. De certa maneira pode-se dizer que são os "novos territórios da sociabilidade popular".

 "Territórios da vida popular"

As estratégias dos actores globais não são as únicas realidades urbanas a terem em conta e outras as componente da realidade urbana não são não somente passivas. Os actores populares existem, o seu lugar na cidade e as campanhas é real. Certamente, há situações específicas ou as populações são esmagadas realmente pela amplitude dos choques que lhes são infligidos do exterior. Mas no conjunto o que golpeou número observadores das realidades do desenvolvimento desde uma vintena de anos, é antes a capacidade de iniciativa das populações face à crise da economia e o Estado, uma vontade de lutar por formas diversas para manter ou restabelecer uma dignidade de vida. As populações, abandonadas à elas mesmas pelas elites globalistes da acumulação, tomam iniciativas para sobreviver, para organizar-se, ajudar-se mutuamente, encontrar novas formas de solidariedade que podem fazer face crise social à estrutural e as necessidades mais imediatas em termos de saúde, de higiene, de habitat, alimentação. As formas de organização dominantes destas iniciativas são associações, mútuas, cooperativas de carácter informal. Estas actividades estendem-se sempre à escala local, dentro dos bairros dos mégapoles, das cidades médias ou as aldeias.

Certas organizações populares podem, em espaços abandonados pelo Estado-nação enfraquecido, inventar outras maneiras de gerir o espaço ou ainda instaurar novas relações sociais.

A invenção da sala consiste, sobretudo, no controlo de um novo espaço.

As populações locais mostram-se capazes, em certos casos, de inventar um conjunto de regras e de tornar-o efectivas, no âmbito de um espaço claramente identificado.

 O desenvolvimento local descansa sobre a elaboração de uma outra maneira de viver à aldeia ou no bairro urbano: enraíza-se essencialmente sobre a invenção de uma nova relação social à aldeia e a cidade. Estas realidades puderam ser observadas tanto na África, que em América Latina e Ásia do Sul e o Sudeste. Thierry Amougou sublinha nesta obra a importância de pôr em valor estas realidades: "...

Em oposição às práticas e as políticas de desenvolvimento dominantes que privilegiam as instituições nacionais e internacionais, as contraculturas do desenvolvimento tomam o lugar que desvia, do mutante e estendem as suas forças de intervenção em lugares comuns onde vivem populações afastadas das esferas de decisões e os lugares de poder." A rua, a zona rural, o bairro, o lugar do mercado, a cidade, são tantos territórios susceptíveis de servir de bases materiais à despregadura de várias práticas de desenvolvimento na África subsariana. "" é o caso das instituições financeiras informais e vendeuses que alimentam certas grandes cidades africanas e não são preocupadas único pela reprodução duradoura das suas pequenas actividades comerciais e as suas famílias. Pondo assim na prática, não somente de outras formas de organização da vida social, mas também, de outras formas de estruturação espacial rural e urbana na África e a América Latina, estes grupos marginais tornam-se actores.

Est-à-dire, grupos-sujeito não sujeitados aos diktats das leis universais agir-o válidos em todos os tempos e em todos os lugares que constrói e impõe o modelo dominante... "" Contribuições originais recentes em estudos do desenvolvimento, feitos com uma abordagem interdisciplinar, mostraram a vitalidade das populações que ocupam as cidades e campanhas do Sul. Numerosos analistas do desenvolvimento rural redescobriram a vitalidade e a criatividade das sociedades campesinas, a sua capacidade infinita de adaptar-se aos todos os constrangimentos ambientais e institucionais para tentar sobreviver, manter as condições de reprodução do conjunto familiar e aldeão, ou mesmo melhorar as suas condições de vida frequentemente precárias (Patel, 2006). É nesta perspectiva que pode compreender-se a durabilidade das práticas campesinas que se referem igualmente às relações à terra, a segurança tenures, as considerações ambientais que as relações socioculturais e as instituições ao redor das quais a vida campesina é construída. A concepção campesina les do es a quanto nem estática, aceita a mudança tanto quanto esteja harmonia com a investigação de uma melhoria do "potencial presente e futuro para encontrar as aspirações e as necessidades humanas" (Akpokavie, 1996).

A inserção no mercado é enquadrada na invenção de novas redes de sociabilidade às dimensões múltiplas, combinando ao mesmo tempo a solidariedade, o individualismo, o clientélisme, a concorrência e de novas formas associativas. Tendo em conta todas as realidades, dá-se -se conta que existe uma dinâmica local de desenvolvimento, ainda que está cheia de contradições. Esta dinâmica não deve ser confundida com uma versão idílica da "sociedade civil", da "governança local" ou o "poder campesino", mas mostra que há outras realidades que o desmoronamento do Estado ou o desabamento da economia. Num estudo das práticas microfinance popular na região de Butembo em República democrática do Congo, C. Kakule-Kaparay mostrou estas realidades: "...

As iniciativas individuais e associativas que levam este processo de desenvolvimento local não nascem de qualquer crise." A crise do Estado à qual a teoria dominante tem tendência a unir as iniciativas das pessoas fez apenas de reforçar a disponibilidade de tomada presente junto da população.... Notou-se uma capacidade local de produzir ajustamentos adequados para jugular crises internas e de tomar decisões de desenvolvimento que respondem às necessidades das pessoas. Estes não esperam instrumentos e/ou instituições modernos para fazer a estrada, a escola, o centro de saúde, a sua casa, etc..

Não esperam um grande volume de recursos para agir. As pessoas tomam a sua responsabilidade apoiando-se sobre os valores veiculados pela filosofia tontine (Ekirimba) enraizado nas mentalidades e a vida diária das pessoas em qualquer sua acepção: a coesão social ("Ovughuma"), e das outras formas de cooperação não necessariamente fundadas sobre o dinheiro." Com efeito, as diferentes iniciativas funcionam com base nos mecanismos híbridos que inspiram-se ao mesmo tempo junto aos princípios de cooperação e de concorrência... "(2006)." Verificações similares podem ser feitas no que diz respeito às características do desenvolvimento urbano. A vitalidade da economia popular urbana é efectivamente uma realidade na maior parte das cidades latino-americanas, asiáticas e africanas. O aspecto associativo e há também uma realidade. A economia popular é muito simplesmente uma das componente própria da vida popular, um tecido social ou cruza-se os fios da pobreza, o ethnicité, as violências diárias, sofridas ou provocadas, das solidariedades informais ou organizadas, que juntas dão cada um dos bairros, tão miseráveis sejam um rosto conhecido dos seus únicos habitantes, e com efeito o seu "território". O bairro urbano, como lugar de vida e miniterritório, provoca práticas multiformes e informais cooperação, de reciprocidade e solidariedade, que são finalmente apenas uma das manifestações de uma capacidade de réinvention permanente de formas activas de sociabilidade em contextos variáveis, mas o prolongamento de uma trajectória histórica secular.

A pequena produção comercial urbana é uma componente da produção do "território" urbano, entendido como lugar de reprodução das condições de vida das populações urbanas. A actividade económica há apenas uma componente da produção do tecido social (Fonteneau, Nyssens et Salam Fall, 1999). Esta relação social não deve ser confundida com comunitária tradicional, o bloqueado e stagnant. É recomposition da relação social, sob formas diversas e frequentemente combinando várias lógicas: da lógica de redistribuição lógica à mafieuse, passando por formas reinventadas de solidariedade que não excluem confrontação e violência. A economia popular é cercada ao mesmo tempo pela lógica de globalização e encerrada num contexto específico, o de um meio de vida urbano ou rural do qual assegura a reprodução como meio de vida.

 Há a tomar em consideração qualquer sociabilidade de redes, mais ou menos contextualités em territórios, mas bem inseridos de uma maneira ou outra numa continuidade histórica e a continuidade de um espaço de vida urbano ou rural. Na sua abordagem histórica da economia popular em a Madagáscar, E. Andramanandrisoa tem mostrado recentemente que os actores populares combinam por muito tempo, bem antes do período do Estado postcolonial, estratégias que combinam o interesse individual e colectivo: "O fokonolona, o território original de uma colectividade rural, foi o lugar de este réinvention contínuo, e foi capaz de adaptar-se transformando-se, integrando novos imigrantes na colectividade rural, e mantendo relações fortes com os emigrados urbanos, que ao mesmo tempo participam na manutenção do território rural de origem, criando ao mesmo tempo fokonolona de um novo tipo na cidade." Se pode-se ver um réinvention contínuo das condições de segurança dos actores populares, actores colectivos, que desde longas gerações souberam fazer face aos constrangimentos externos impostos pelos actores da modernização real de abordagem, colonial, postcoloniale seguidamente.

 Por muito tempo o fokonolona não se identifica mais apenas à comunidade lignagère, embora esta componente permaneça um elemento extremamente da identidade local. "" uma abordagem histórica deste tipo permite também ver diferentemente o ` pauvreté'. Se os riscos das suas condições obrigam às vezes, mesmo frequentemente, os camponeses a alienar uma parte do seu património fundiário, ou mesmo a sua totalidade, a história dos indivíduos e das famílias não se para lá. Trata-se apenas de um momento na história das gerações. Toda a estratégia dos indivíduos e dos grupos vai ser a reencontrar terra para reconstituir, ou mesmo alargar o património perdido ou diminuído. E aquilo passa por múltiplas formas de inserção no mercado. Aquilo passa também pela migração para a cidade para encontrar o meio amasser uma poupança que poderá permitir reconstituir o tanindrazana na aldeia de origem. O processo de empobrecimento não é por conseguinte irreversível. Toda a estratégia dos actores populares, rurais e urbanos, é reconstituir o património fundiário, o que supõe de passar pelo mercado para constituir um rendimento e estimula também o mercado fundiário.

Esta reconstituição pode estender-se por mais de uma geração, mas permanece o eixo de um comportamento do qual a inserção no mercado é frequentemente apenas um auxiliar... "(2004)." Enquanto que no discurso da modernização, há uma dicotomia entre a cidade e a campanha, entre por um lado o rural, o antigo, o tradicional imóvel, e por outro lado o urbano como portador modernité e de mudança, quando se olha-se os relatórios cidade- campanha do ponto de vista destes outros actores, que a modernização não considera como tais, ele tem pelo contrário uma espécie de continuidade. Há ruptura entre a cidade e a campanha apenas na visão do actor dominante, na visão modernisatrice das elites.

A visão do espaço das classes populares, rurais e urbanas, nunca correspondeu ao imaginária da modernização, separando a "campanha tradicional" da "cidade moderna". Desde gerações, os mundos campesinos e populares urbanos ligar por miríades de redes de troca, a maior parte do tempo invisíveis no entender das elites e os observadores estrangeiros. Hoje, estas redes transnationalisés, e mesmo globalizaram, através dos fluxos humanos, económicos e monetários, que ligar frequentemente aldeias em aparências "recuadas" à diversos centros urbanos nacionais e estrangeiros. Y. Sainsine, no seu estudo histórico das práticas de resistência campesina em Haiti, insiste nesta dimensão: "... esta contracultura da No.dominação continua sobre a defensiva, mas sem, no entanto, para referir-se à uma visão de vencido ou dominado, e procurando ao mesmo tempo preservar ou organizar os espaços que escapam ao controlo da cultura da dominação em espaços de convivialidade." O marronnage, a migração campesina nas cidades ou outras zonas rurais do país ou no estrangeiro, é exemplo mais impressionante. "" a vaga migratória que golpeia o país estes últimos anos participa no instaurado destas práticas de resistência.

Camponês emigrado, que seja em outros localidade, em cidade ou em país estrangeiro, contrariamente que supunha-se, continua-se guardar contactos muito estreitos com as suas localidades de origem. Viu-se aquilo, não somente do ponto de vista da migração interna (rural-rural, rural-urbano), mas também da migração externa. "" um dos pontos de manifestação destes laços é instaurado, por emigrados, em certos casos, de uma mesma localidade, outros, de uma mesma região, na zona onde encontram-se (numa cidade do mesmo país ou o país de acolhimento), das associações que se reclamam da sua localidade ou a sua região de origem. Ninguém ignora que a migração, particularmente urbana ou estrangeira terá trazido paysannerie haitiano, particularmente na educação e a saúde, neste contexto do desobrigamento do Estado... "" (2007).

Para os actores populares, tem-se uma continuidade em vivido, e a globalização não altera fundamentalmente este aspecto em relação às fases anteriores da modernização. O imigrante das campanhas, desde séculos, ocupa a cidade popular mas permanece sempre "em rede" com a população das campanhas. O conceito de rede não é por conseguinte não somente uma realidade de hoje, é também uma realidade multiséculaire. Contudo a continuidade não deve ser confundida com a homogeneidade: não é porque aceita-se pensar a continuidade do território que é necessário pensar o território em termos básicos de uma identidade homogénea. Se ao Sul, os territórios continuarem a ser mais muito tempo mais autónomos, e se se vê agora uma nova produção de autonomia informal a nível de microterritórios, não é necessário esquecer que é o resultado de séculos de lutas e de resistência.

Os actores dominados, os camponeses, os actores da economia popular deveram inscrever-se em espaços e tempos muito heterogéneos. Que trate-se de comunidades locais ou comunidades de imigrantes em cidades estrangeiras ou as cidades do ocupante colonial, as práticas populares de construção e reconstrução de miniterritórios levaram-se a eãfeito, desde séculos, em práticas de luta e de resistência: o que conduz a matizar fortemente a ideia de uma simples continuidade no tempo numa relação homogénea entre território e identidade. Pode-se por conseguinte dizer que as realidades das relações cidade- campanhas são muito mais complexas e mais contraditórias que deixam-no supôr as leituras normativas da modernização e a globalização, e aquilo igualmente ao Norte que ao Sul. Mas não obstante as realidades da economia popular urbana não podem mascarar as desigualdades extremas de riqueza e de poder que atravessam as relações entre as redes de "ricos" e os actores da economia popular, e que definem as condições da produção do território urbano.

O desenvolvimento local é marcado lá por contradições e tensões cada vez mais violentas que as lógicas de redes podem atenuar mas não resolver.

Dimensões de um "reterritorialisaçao" das condições do desenvolvimento

É evidente que as coalições de actores que dominam a economia mundial chegaram échafauder dos quadros institucionais vinculativos que transcendem as fronteiras dos Estados-nações e supervisionam estreitamente os comportamentos e decisões de estes à alna dos critérios do néolibéralisme, emitindo satisfecit, recomendações, condenações ou sanções de acordo com o grau de proposta dos Estados a estes critérios. A existência desta capa de chumbo que pesa sobre todos os Estados do mundo, ao Sul sobretudo, não deve contudo fazer negligenciar o facto de as transformações socioeconómicas induzidas pelas o sistema globalizado e suas injunções, sempre são levadas a efeito em contextos específicos produzidos por geografias extremamente diversas do ponto de vista das interacções entre a política, o económica e o cultural. É por conseguinte importante contextualiser socialmente e spatialement os efeitos das estratégias dos actores globalistes, ao Sul assim como o Norte (Nagar, Lawson, McDowell et Hanson, 2002). Em outros termos o global homogénéise todos os espaços, apesar dos seus esforços neste sentido. A articulação entre os constrangimentos globais homogénéisantes e os contextos nacionais, regionais e locais, produzidos pela história e pela geografia, levada a produzir processos de desenvolvimento ou o "global" torna-se um novo elemento que se incorpora à complexidade da imbricação das escalas espaciais herdadas do passado, sem estar a abulir-o ou reduzir-o às suas únicas normas.

 Este tipo de abordagem convida por conseguinte a ver o global como um elemento da produção de "territórios" diversos que não podem estudar-se apenas através dos critérios do globais. Esta abordagem é muito portanto diferente de as que invocam fenómenos completação déterritorialisés e globalizados para falar de resistência perante as forças de globalização, como é o caso com o conceito de "multidão" em Hardt e Negri (2004).

Quando parte-se da observação das realidades ao Sul, um ponto central de oposição que aparece entre a lógica dos actores globais e os actores populares é que, para os primeiros, o mercado inscreve-se inteiramente numa lógica de acumulação globalizada sem fronteiras e uma reprodução alargada do capital ilimitado, enquanto que o mercado dos actores populares inscreve-se numa lógica de reprodução simples das condições da vida social. Inúmeras as experiências reveladas pelas práticas das populações locais nos vinte últimos anos recorrem implicitamente à uma complementaridade entre diferentes tipos de iniciativas associativas informais. Mostram que a produção da identidade cultural pode ser viável apenas com base numa construção da segurança material. As necessidades vitais (habitat, transporte, alimentação, ambiente natural e simbólico) são componente necessárias da produção do território, a identidade, e uma forma viável de relação social. É através de esta ligação que revelam-se concretamente outras práticas e uma outra lógica de desenvolvimento que as dos actores globais e as diversas alternativas dos discursos sobre a modernização.

O tema da segurança está no meio de um réarticulation entre produção da relação social e produção do controlo social concebido como réappropriation por uma colectividade dada dos meios de um autocontrolo no meio de um projecto de "democracia substantive" (Gathii, 2000).

Aquilo supõe uma abordagem que incorpora claramente a interacção entre a personalidade colectiva e o aspecto territorial na produção da identidade, e que mostra de maneira concreta que o desenvolvimento ocupa-se essencialmente de actores colectivos e da produção das condições da acção colectiva em contextos espaciais e históricos concretos. A partir da observação destas práticas, pode-se tentar propôr uma redefinição do desenvolvimento. O desenvolvimento pode ser visto como o processo duradouro de construção e de gestão de um território, através através do qual a população de este define, através de um pacto sociopolitique e ele instaurado de um quadro institucional adequado ao contexto, o seu relatório à natureza e o seu modo de vida, consolida as relações sociais, melhora o seu bem-estar e constrói uma identidade cultural que tem a sua base material na construção deste território. Se esta definição tem um aspecto normativo inegável, tem contudo também uma dimensão positiva, na medida em que retorna pela sua natureza mesma à observação da realidade (Peemans, 2002). É à este nível que situa-se também o desafio da consolidação de um sector de economia associativa ao Sul.

Uma rede densa de organizações deste tipo pode permitir consolidar as iniciativas associativas informais, respeitando o seu espírito, a natureza das suas práticas, alargando o seu campo de acção e permitindo a complementaridade entre as suas diversas actividades agrícolas, não agrícolas, as caixas de poupança e de crédito, as mútuas, as cooperativas de produtores e de consumidores, etc. (Peemans e Laurent, 1998). Na maior parte dasregiões, dos bairros populares urbanos e as aldeias, há para a aposta obra de um sector de economia associativa, baseado na mobilização dos recursos locais para as necessidades locais, através da organização autocontrôlée das populações locais. A importância dada ao sala- territorial não é uma finalidade em si. Retorna ao problema da construção de novos relatórios de força entre os "actores da parte inferior" que defendem lugares de vida e os actores dominantes que vêem nos recursos locais jazigos de lucro.

 Deve-se insistir na importância, do ponto de vista do desenvolvimento, de considerar a hierarquia necessária de instituições supralocales, no espírito de um apoio multiforme à reconstrução da relação social, do autocontrolo social e a identidade a nível dos "territórios de vida". Conformemente, haver, por definição, uma "arquitectura global única", mas múltiplas arquitecturas institucionais, régionales-infranationales, nacionais, regionais infra continentais, que deverão gradualmente encontrar as vias de uma coordenação e uma cooperação a nível mundial (Smouts, 1999). A elaboração de cartas locais e regionais de "desenvolvimento sustentável" pode ser um instrumento concreto de aposta obra dos direitos positivos, como direitos colectivos ligados à construção material de territórios, baseia de identidades culturais diversas.

Conformemente, o desenvolvimento é concebido como uma reconstrução de espaço público e das liberdades colectivas, que supõe a incorporação de objectivos diversificados que não se podem resumir à uma contabilidade em termos de crescimento (Keating et Loughlin, 1997). Os municípios, os poderes locais e regionais podem pôbre das parcerias com as organizações associativas de produtores. Este matérialisation da "governança associativa" é em si uma reconstrução de uma nova base da política e por conseguinte também o Estado. Na medida em que as actividades de desenvolvimento sustentável materializam-se sobretudo a nível local e regional infranational, pode-se dizer que o papel do Estado deveria ser sobretudo de proteger por via regulamentar estas actividades e de garantir-lhes o acesso aos recursos que permitem a sua aplicação. São os actores do desenvolvimento local e a economia associativa que devem ser apoiada primeiramente pelo Estado - Nação, por todos os meios possíveis.

Deste ponto de vista instaurado no Venezuela, com o apoio do Estado, milhares de conselhos comunais e a criação de milhares de cooperativas populares, é-o uma dimensão inovadora da iniciativa bolivarienne Hugo Chavez; para além das controvérsias de uso em redor avatars do populisme, merece ser estudada seriamente (Wilpert, 2007; McIlroy, 2007). Pode-se pensar que numa grande maioria dos países do Sul, a legitimação ou o relégitimation do Estado passará por uma capacidade de instaurar instituições de apoio à cartas locais de desenvolvimento, permitindo mais maior a maioria possível de associações cidadãs e de autarquias locais, de alargar a esfera dos seus direitos económicos e sociais, através da construção potente de um sector económico associativo, capaz de fazer contrapesos ao monopólio do sector privado de acumulação. Na medida em que organizações locais puderem materializar a elaboração de projectos, ou mesmo planos de desenvolvimento de territórios, aquilo poderia permitir-lhes aumentar o seu poder de negociação, perante a visão do espaço proposta pelos actores dominantes, na sua oferta de "governança local" satellisée pelas exigências do global. A tomada em consideração da sala deve permitir orientar primeiro territórios de resistência e de lutas a partir das práticas das populações locais, e as condições da elaboração de novos pactos sociais que gradualmente permitiriam alargar espaço da esfera do desenvolvimento déterritorialisé, como o definido acima, em frente da esfera da acumulação globalizada.