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Editorial do recente processo
de Alternativas Do sul:
Territórios, desenvolvimento e
mundialização
Alcance
primeiro pelas retóricas nacionalistas que conferem um papel
central aos Estados-nações, seguidamente pelas retóricas
globalistes e néolibérales visando a integração ao espaço
sem fronteiras do mercado mundial, a modernização do Sul não
teve as suas promessas. A abordagem das práticas populares
locais, na sua complexidade e as suas contradições, explora
as dimensões de um "reterritorialisation" das condições do
desenvolvimento. Como as diversas contribuições para este
volume mostram-no amplamente, os desafios das relações entre
territórios e mundialização são múltiplos e complexos.
Mostram também a partir de pontos de vista que aumentam de
escalas espaciais diferentes - locais, regionais, nacionais
ou continentais -, que a dimensão territorial tornou-se uma
componente incontornável de qualquer reflexão crítica sobre
o desenvolvimento dos povos. Quereria-se sugerir nas linhas
que seguem que uma perspectiva critica, elaborado desde os
estudos de desenvolvimento, podem contribuir para pôr em
valor a complexidade das relações entre territórios e
mundialização, mostrando que os desafios não se reduzem às
únicas dimensões económicas ou geopolíticas nas quais
frequentemente são fechados.
Interesse de um olhar
em termos de
desenvolvimento.
Estas dimensões são
evidentemente muito importantes, mas continuam a ser
frequentemente limitadas em abordagens de tipo binário das
relações entre a dimensão nacional e global o o o o do
crescimento, o o o o investimento, a a a mudança
tecnológica, a a soberania política, a governança, a
informação, a cultura, etc.. O uma colocam a tónica sobre as
sinergias necessárias entre a abertura do espaço nacional e
a governança do espaço global, os outros insistem mais nas
contradições entre os dois, nomeadamente as ameaças que
fazem pesar as lógicas globais sobre uma construção
equilibrada dos espaços nacionais. Do ponto de vista dos
desafios do desenvolvimento, deve-se colocar-se a questão
das relações entre as lógicas que presidiram à construção
Estados-nações e as que atribuem doravante os parâmetros do
referente global à estes.
Em outros termos, para além das
mutações evidentes, há a pergunta de uma eventual
continuidade entre as lógicas dominantes de desenvolvimento
que foram impostas aquando da construção dos "territórios
nacionais", e aquelas que impõem as referências "ao espaço
global". Historicamente aquilo refere-se tanto ao Norte que
o Sul, já longo no processo de mundialização, dominado desde
o século XVI pelas lógicas que Immanuel Wallerstein chamou
"a economia-mundo" capitalista (Wallerstein, 2006).
Do ponto de vista histórico,
uma análise das relações entre territórios e mundialização
não pode fazer a impasse sobre o problema das relações entre
os milhares de "territórios locais" construídos através do
mundo, durante os séculos precedentes esta "economia-mundo",
e a imposição, frequentemente pela força, da dimensão
territorial do Estado centralizado.
Ao Norte, aquilo fez-se através
das fases sucessivamente mercantilistes, livre-cambistas e
régulationnistes das relações entre Estado, mercado e
acumulação do capital. Ao Sul, aquilo fez-se no âmbito das
fases sucessivas coloniais/mercantilistes,
imperiais/livre-cambistas, coloniais/proteccionistas, que "a
escola da dependência" qualificou, há já quarenta anos, de
relações centro - periferia entre o Norte e o Sul (Kay,
1989).
Do ponto de vista do
desenvolvimento, uma pergunta central é por conseguinte sair
da única relação entre cidadão e global, e situar os
desafios das relações entre sala, nacional e global. No
âmbito limitado deste editorial, centrar-se-á-se na
experiência do Sul desde após a segunda guerra mundial,
período ou afirma-se o discurso teórico sobre o
desenvolvimento e as políticas que inspira, no contexto da
guerra fria e décolonisation. Imediatamente é interessante
notar o papel central do crescimento económico na
continuidade dos grandes discursos sobre o desenvolvimento
desde mais de um meio século, que trate-se de referência ao
território nacional ou o espaço do global.
Os grandes discursos sobre a
construção dos Estados no período da postindependência ao
Sul, insistiram na prioridade a dar ao arranque de um
processo de crescimento nacional, atribuído como um dos
objectivos essenciais. Foi apresentada como o vector da luta
da pobreza de massa no âmbito do espaço nacional. No início
dos anos 2000, continua o crescimento, mas na sua versão
global, que está ao centro do discurso sobre os Objectivos
do milénio do desenvolvimento (WCO) e para contribuir para a
diminuição da pobreza de massa à escala mundial (Sachs,
2005). Entretanto, houve cinquenta anos do dizer
crescimento, levado pelas retóricas nacionalistas,
seguidamente globalistes.
No seu nome, chamou-se uma
primeira fase à mobilização de todas as forças dos espaços
nacionais, e a fase actual à mobilização dos parceiros do
espaço global em construção. Pode-se portanto interrogar-se
sobre os relatórios reais que existem entre estes
macroespaços do crescimento, sempre mais dilatados, e os
milhares de espaços locais, rurais e urbanos, onde vivem
através do mundo, e sobretudo ao Sul, a esmagadora maioria
dos mil milhões de "pobres", supostos ser principais os
beneficiários dos seus efeitos. A amplitude nova dos
movimentos de migrações Sud-Nord, que agitam tanto os meios
de segurança, não altera o fundo do problema: a maior parte
do tempo, os migrantes provenientes dos "espaços locais
pobres" do Sul contribuem para alargar a geografia dos
"espaços locais pobres" ao Norte.
Na frente de este malogro
manifesto do grande discurso sobre o crescimento e o
desenvolvimento a transformar-se realmente, não é por
conseguinte sem interesse de tentar compreender como as suas
diferentes alternativas através do tempo conceberam as
relações entre territórios de escalas diversas, e sobretudo
de tentar ter em conta os seus efeitos nos territórios de
vida das populações sujeitas às injunções das políticas
dominantes. Uma primeira parte desta contribuição,
procurará-se mostrar como os "territórios" foram concebidos
nas políticas de desenvolvimento, elaboradas à época onde
atribuia-se um papel de relevo ao Estado forte para
construir um território à medida das suas ambições
múltiplas. Mas não se pode esquecer que este Estado devia
operar no âmbito de uma mundialização dominada por uma visão
geopolítica que opõe dois campos, é-o e o Oeste, suposto
levar cada um uma visão diferente de um "mundo melhor".
Uma segunda parte, quereria-se
mostrar como este papel foi redefinido progressivamente
durante os anos 1980-1990, a medida que corrmo-se-er a
gravidez da visão geopolítica anterior, enfraquecendo ao
mesmo tempo o papel dos Estados-nações ao Sul. Aquilo
permitiu a afirmação de uma visão géoéconomique centrada no
mercado global, como vector de uma mundialização doravante
controlada "sem fronteiras" por um Norte mais que nunca
hégémonique. Mas a pergunta é evidentemente saber se o
"mercado global" pode pretender ao estatuto de "território
global".
Por último tentará-se mostrar
como diversas contribuições recentes no pensamento sobre o
desenvolvimento chamam a um olhar diferente sobre os
desafios das relações entre territórios e mundialização, e
que pode trazer um pedido de "reterritorialisation" das
condições do "desenvolvimento dos povos e das pessoas".
Território e desenvolvimento
nas teorias da modernização entre 1950 e 1980
Após a segunda guerra mundial,
o paradigma fundador e dominante do desenvolvimento foi
inegavelmente o paradigma da modernização. Esta "escola
dogmática da modernização" via o desenvolvimento como um
processo universal caracterizado por uma série de etapas
pelas quais devem necessariamente passar todas as nações e
sociedades. Todos os aspectos económicos, sociais,
culturais, institucionais eram considerados como
instrumentais em relação à esta mudança, cuja abordagem
económica definia as etapas e as características. Não se
deve negligenciar a influência do contexto geopolítico da
época para explicar a emergência e o sucesso das teorias da
modernização, bem como o superioridade atribuído à
construção do Estado-nação. Em primeiro lugar são teorias
que foram elaboradas nas grandes universidades
estados-uniennes, por académica muito ligados aos aparelhos
de decisão política.
Compartilhavam a preocupação de
estes de consolidar a liderança norte-americana na
confrontação com o modelo de desenvolvimento soviético e
chinês que à época davam um superioridade evidente ao papel
do Estado no desenvolvimento. Na visão théoriciens da
modernização, o papel do Estado era reconhecido importante,
sobretudo para controlar e mobilizar os recursos da
sociedade rural para lançar o processo de modernização,
centrado no crescimento levado pela industrialização.
Tratava-se de criar as condições favoráveis à empresa
privada como agente económico.
Nesta abordagem, pesadamente
marcada pela herança do pensamento colonial, os meios de
vida do mundo campesino eram considerados como
características do arriération típico da sociedade
tradicional. Paysannerie era apenas objecto e um instrumento
da modernização para as elites.
O aspecto espacial era muito
visível nesta doutrina. Por um lado, através da importância
atribuída à passagem da sociedade à dominante rural à
sociedade à dominante industrial, as teorias e as práticas
de desenvolvimento deu uma grande importância às relações
entre espaços rurais e urbanos, considerados instrumentos
das políticas de modernização. As cidades e as campanhas
eram vistas como espaços a adaptar rapidamente às exigências
da modernização. Por outro lado, o único território a
construir, "desenvolver-se", era o do Estado nacional
moderno.
E a produção agrícola, da mesma
maneira que o trabalho campesino, tinha um papel
instrumental na consolidação do Estado e o sector industrial
(Peemans, 1995). Os parâmetros desta construção eram os da
modernização acelerada, de trás a qual perfilava-se com
efeito a lógica de um "processo de acumulação primitiva"
através através da qual eram definidos os papéis respectivos
das campanhas e as cidades. Estes últimos não eram encarados
como "territórios", mas devidos de ser apoios e instrumentos
das políticas de modernização nacional. Nos países do Sul, o
papel do Estado foi evidentemente fundamental para alargar a
base da "acumulação primitiva" largamente incompleta tendo
em conta o peso do sector rural na economia. Se realiza-se
-se à este único aspecto, dá-se -se conta que os Estados
estiveram ao centro das políticas de modernização do mundo
rural num sentido funcional em relação à acumulação:
- que ser através reforma
agrário (América e Ásia) para liberar industrialização peso
renda, reforma leito de ardósia (África) para fazer evoluir
propriedade comunitário para propriedade privado terra, ou
ainda através aposta lugar estrutura enquadramento produção
e comercialização agrícola para controlar excesso agrícola e
poder mobilizar (Glassman, 2006).
- ponto de vista, estado
modernisateurs ter exigido e ter sempre ser incentivar se
construir como estado "forte", sobretudo ponto de vista
controlo e incorporação população local, identificar ser
sector "tradicional" rural, ser, ligeiramente mais atrasado,
"sector informal urbano", dois relativo noção espaço
potencialmente ou realmente insoumis em relação lógica
centralizador território estatal.
Esta abordagem ainda
reforçou-se no meio dos anos 1960 aquilo tem-se feito
primeiro sob o impacto das dificuldades das políticas de
modernização tais como foram concebidas inicialmente. Estas
dificuldades eram atribuídas então às capacidades de
bloqueio da modernização pelas forças resilientes da
tradição. Um elemento ainda mais influente foi o temor de
ver estender-se ao conjunto dos países do Sul, a influência
de movimentos revolucionários à base campesina, com
referência às revoluções chinesa e cubana, e a guerra de
liberação anti-états-unienne ao Vietname. Aquilo provocou
uma versão mais autoritária da modernização com um papel
explícito atribuído aos militares para manter a ordem e o
controlo das regiões rurais.
Estes últimos tornaram-se então
quer dos espaços de repressão armada, quer luta contra a
"pobreza", com nos dois casos o mesmo objectivo: impedir a
emergência de movimentos revolucionários. Pode-se por
conseguinte dizer que a partir de esta época o território do
Estado-nação vai mais ser ainda que anteriormente a
referência espacial privilegiada da manutenção da ordem e o
controlo social pelos aparelhos militares e de segurança.
A leitura da mundialização à
época, que se fez sobretudo nos termos da geopolítica do
conflito Leste-oeste, por conseguinte desempenhou um papel
não negligenciável na construção de um território estatal,
imposto às populações locais, frequentemente nas fronteiras
do espaço herdado da colonização, e largamente sustentado do
exterior pelas ajudas económicas e militares que faz parte
das estratégias dos adversários respectivos do conflito
Leste-oeste. Estas políticas de "modernização nacional"
conheceram sucessos limitados, variáveis de acordo com os
países, mas durante os anos 1970, foram atravessadas por
contradições cada vez mais numerosas, nomeadamente devidos
aos limites internos da formação do capital.
Uma parte importante do
pensamento sobre a modernização atribuiu estas contradições
aos limites inerentes ao território nacional e o papel do
Estado para construir um sistema industrial rentável. A
tendência então continuou de vincular a continuação da
modernização à uma abertura mais grande ao comércio
internacional. Estas ideias foram propagadas nomeadamente
através da subida multilatéralisme, do reforço das
organizações de ajuda que gere este multilatéralisme (por
exemplo o Banco Mundial) paralelamente à internacionalização
crescente da economia, sob a empurrão das firmas
multinacionais de origem ocidental.
Pressões néomodernisatrices e "território da acumulação
globalizada"
A evolução do contexto
internacional após 1980 teve uma influência notável sobre a
evolução das realidades territoriais do desenvolvimento. Um
elemento essencial da evolução deste contexto foi as
pressões sociopolitiques e socioeconómicas, de origem
diversa, que provocaram, nomeadamente através do impacto das
políticas de ajustamento, uma redefinição do papel dos
Estados-nações no desenvolvimento. Pôde-se constatar então o
aumento da influência de novos actores transnacionais no
plano económico e supranacionais no plano político. Esta
evolução reflectiu-se na evolução do pensamento sobre o
desenvolvimento.
A corrente dominante tornou-se
a corrente económica néolibéral, que quis definir doravante
o desenvolvimento como um processo contínuo de adaptação às
exigências da liberalização e a globalização dos mercados.
Nesta visão, o desenvolvimento é concebido como uma inserção
na dinâmica do crescimento internacional. O internacional
impõe as suas normas ao cidadão, o sector privado impõe as
suas normas ao sector público, e a modernização resulta da
pressão dos constrangimentos da economia internacional e a
competitividade das empresas. Nesta visão, não se pode por
conseguinte dizer que abandonou-se a abordagem da
modernização. Passou-se de um tipo de modernização centrado
no Estado-nação, a um tipo de modernização centrado no
"mercado global".
Esta passagem influenciou
naturalmente a visão do papel dos espaços urbanos e rurais
na visão dominante do desenvolvimento. A competitividade
supõe de fazer emergir "pólos de desempenhos" que sejam
capazes de agrupar empresas e actores que têm a capacidade
de inserir-se nas normas variáveis da concorrência à escala
mundial. Os "territórios" portanto são considerados como
jazigos de recursos humanos que permitem inserir-se no
global. De acordo com esta abordagem, o apoio territorial
por excelência, é a "cidade global" ou vocação global.
O território urbano tem por
vocação de transformar-se em "global city" (Friedmann, 1986;
Sassen, 1991; Knox et Taylor, 1995). A cidade global
concentra fluxos de informações, encomenda redes, permite
aos actores globais de encontrar-se, cooperar e elaborar
estratégias que assegurarão o desempenho. Esta evolução é
apresentada como uma etapa paralela à emergência da
sociedade de informação, e todos os parecem inegáveis. Assim
como é inegável uma espécie de hierarquização das cidades
numa "economia de arquipélagos", estes arquipélagos os pólos
de desempenho e as zonas que dependem, os hinterlands do
"global cities" (Ascher, 1995). Esta corrente
néofonctionnaliste vê a globalização como único vector da
dinâmica urbana presente e futura (Castells, 1989). A
responsabilidade das autoridades políticas torna-se a de
ajudar a construir uma cidade-território competitiva, a
construir pólos de desempenho. Nesta perspectiva, o
desenvolvimento urbano, ao Norte assim como o Sul, deve ser
levado pela capacidade de adaptar a cidade às exigências da
competitividade global, muito em ter uma estratégia activa
de incorporação das fracções marginalizadas da população
- frequentemente majoritários
ao Sul
- neste movimento (cf. os
discursos "novos" sobre a luta contra a pobreza, a promoção
da microempresa a partir do sector informal, etc.)(Peemans,
2004). A maior parte das grandes aglomerações aparece bem
governada por uma ordem induzida pelas características dos
"pólos eficientes". Os bairros de negócios são conectados
entre si e as zonas de actividades industriais bem como as
zonas residenciais, ao aeroporto internacional, por
infra-estruturas rodoviárias que viram as suas dimensões, a
sofisticação do seu equipamento e as suas influências sobre
o espaço urbano aumentar-se consideravelmente nos anos
recentes.
Reflectem concretamente a
preocupação da maioria das classes médias a ser integradas
às normas da economia mundial globalizada. Frequentemente,
estas infra-estruturas têm uma influência esmagadora sobre o
espaço urbano e reduzem as zonas de habitat popular que
atravessam, ou mesmo survolent, ao estado de No. man' s
Land. Neste caso, assiste-se recomposition do espaço urbano
em redor da lógica de funcionamento dos pólos eficientes em
termos de lugares de decisão, consumo, produção e modo de
vida de os que são vinculados lá activamente. Esta lógica de
territórios competitivos foi aplicada cada vez mais também
aos espaços rurais. Quer, como hinterland de "pólos urbanos
de desempenho" (casos dos zonings industriais, as zonas
francas, etc.), quer como "pólos de desempenho" agrícolas,
através de instaurado de uma agricultura muito orientada
pela lógica productiviste, voltado para a exportação de
novos produtos de qualidade pedidos pelas categorias de
elevados rendimentos no mercado mundial, e levada a efeito
por uma pequena minoria de empresários agrícolas fortemente
encerrados em fileiras controladas por grandes empresas
transnacionais do sector agroalimentar.
Estes diferentes elementos
mostram bastante claramente o superioridade da dimensão
económica na evolução da corrente da modernização a partir
dos anos 1980.
"ordem
territorial global" e normas da governança néolibérale
Durante os anos 1990, a
dimensão política tomou cada vez mais importância nos
discursos e práticas dos actores globais. Os temas a a da
reforma do Estado, a a descentralização, a consolidação da
sociedade civil, a democracia e a promoção do mercado foram
vinculados, nomeadamente através do conceito de governança
(Hyden et Bratton, 1992). Esta reflexão sobre o papel do
Estado tem-se enquadrado primeiro num reforço das
condicionalidades económicas da ajuda ao desenvolvimento.
E seguidamente progressivamente
afirmou-se a ideia da necessidade refonder do Estado em
redor dos critérios de funcionamento do mercado.
A governança traduz esta
vontade hégémonique redessiner a natureza dos Estados de
acordo com os critérios da nova doutrina globaliste.
A governança é com efeito um
modelo universalista de Estado ligeiro gerido de acordo com
regras que se aparentam mais aos princípios de uma sã
contabilidade de empresa que aos da soberania política. O
Banco Mundial desempenhou um papel central na elaboração e a
divulgação desta nova doutrina (World Bank, 1992). O
conceito de governança teve um impacto decisivo no
enfraquecimento da rota unívoca anterior entre soberania e
território no âmbito do Estado-nação.
Doravante o Estado-nação vê
cada vez mais os seus poderes definidos e supervisionados
por uma "comunidade internacional" que, sem base territorial
definida, se atribui das missões "sem fronteiras" vocação
global, sempre mais numerosas e mais imperiosas (Sparke,
2006). Pode-se por conseguinte dizer que conformemente, o
referente essencial não é mais o espaço nacional, mas o
espaço global. Mas esta passagem tem um aspecto paradoxal: o
advento do espaço global entregou em valor o espaço local,
tendo em conta anteriormente como lugar da tradição, mas
doravante chamado a a transformar-se em apoio dos "pólos de
desempenho" vocação de competitividade global. Nos factos, a
dimensão espacial local das actividades dos actores globais
tornou-se uma realidade extremamente prégnante.
Os grandes grupos financeiros,
industriais, as grandes cadeias de distribuição têm
doravante implantações em dezenas de países diferentes, ao
Norte e o Sul, e estas têm evidentemente sempre além disso
um carácter local. Se estas implantações voltam a marcar
finalmente um "espaço" à escala global, que é gerido como
tal, a sua segurança e o seu funcionamento depende sempre de
condições "locais". Não é por conseguinte surpreendente que
o conceito de "governança local" seja integrado naturalmente
numa concepção geral da "boa governança", ainda que os
objectivos afirmados sobretudo eram centrados em refondation
néolibérale do Estado. Com efeito, o objectivo fixado foi de
reduzir o défice das finanças públicas, pela
descentralização transferindo ao mesmo tempo certas receitas
e certas despesas para as autarquias locais.
Esta descentralização era
suposta de permitir uma redução dos desperdícios ligados aos
custos de uma centralização administrativa excessiva,
nomeadamente através da privatização de certas funções e
serviços públicos locais. Nesta visão, a "governança local"
garante a extensão do mercado e a redução do papel do
Estado. A invocação, cada vez mais frequente durante os anos
1990, da participação das colectividades básica estêve no
mesmo sentido. Uma literatura prolixa desabrochou-se sobre o
tema de "tornar das autarquias locais mais responsáveis do
seu desenvolvimento", "liberar as energias dos simples
cidadãos permitindo-lhes tomar-se eles mesmos", etc.. As
publicações do Banco Mundial e as suas sucursais
desempenharam um papel central para recuperar ideias e
conceitos elaborados em outros meios, esvaziar-o do seu
conteúdo eventualmente hétérodoxe, e incluir-o nos
princípios de uma "governança local", vocação universal:
empowerment, papel da sociedade civil, participação das
mulheres nas decisões locais, e seguidamente a partir do ano
2000, "inclusão dos pobres na planificação local" (Barnett e
Low, 2004). Não é necessário contudo concluir que doravante
há um reconhecimento, na corrente dominante, da existência
de territórios locais autónomos.
Da mesma maneira que o espaço
nacional sujeito às exigências do global pela "governança",
o espaço local também deve-lhe ser inserido numa dinâmica
orientada pelos actores globais. J. von Braun, Director
Geral do IFPRI, uma sucursal do Banco Mundial, não deixa
nenhuma dúvida a este respeito: "...a descentralização
política pode beneficiar aos pobres fazendo-o participar na
planificação e a avaliação das políticas públicas locais...
esta tendência a descentralização é empurrada não somente
pela democracia mas também pela globalização económica.
A globalização exige um poder
de decisão local que possa fornecer com eficácia as
infra-estruturas e os serviços pedidos pelos investidores...
esta necessidade económica é o motor da "globalização", a
combinação de globalização com localização e
descentralização... "(IFPRI, 2007)." Pode-se por conseguinte
dizer que a evolução recente em nada não alterou uma das
atitudes fundamentais da corrente modernisateur: os espaços
urbanos e rurais sempre são vistos lá como simples
instrumentos do crescimento económico, dos instrumentos dos
quais o aperfeiçoamento consiste a aumentar a sua
funcionalidade em relação às exigências do crescimento no
âmbito da globalização da acumulação do capital. Com efeito,
o cidadão, o regional e a sala são apenas espaços de
mobilização de recursos, humanos e materiais, para apoiar
estratégias de actores globais que querem abulir as
fronteiras para a despregadura dos seus projectos
hégémoniques, que seja no domínio económico ou político.
Alguns não hesitam portanto a ver neste projecto uma
dimensão totalitária. De acordo com C. Milani "... a
inginheria da sociedade global desejada pelos seus actores
supõe instaurado da arquitectura de uma nova civilização...
em outros termos, para ter êxito, a globalização presume um
projecto hégémonique que visa à constituição de novos
estilos de vida, de novos hábitos, de novos sentimentos e de
novas subjectividades... " "(1998)." Geralmente, a
governança néolibérale bem afirmou-se nos anos recentes como
um regime de governança à pretensão hégémonique global. De
trás as suas injunções e as suas práticas vinculativas, há
uma vontade de desenhar os contornos de um território global
governado pelos princípios do néolibéralisme.
Os seus actores não hesitam de
resto mais a impôr-o pela via militar (Iraque, Afeganistão)
ou pela ameaça da intervenção directa (Sudão, Irão, Cuba,
etc.). Não é por conseguinte surpreendente que a análise da
governança reactivou o interesse para um estudo das formas
contemporâneas impérialisme, das quais aparece como a
expressão mais realizada. Estão efectivamente as potências
norte-atlanticos que controlam as instituições multilaterais
procedentes de Bretton Woods, originalmente da elaboração e
a divulgação do conceito de governança.
E são agrupadas na OTAN que não
cessa de redefinir os seus direitos de intervenção militar
num projecto global sem fronteiras. Para alguns, a
governança néolibérale retorna essencialmente ao papel dos
Estados Unidos como potência impérialiste de vocação
hégémonique, compartilhado entre uma corrente
multilatéralisme (apoio ao papel das instituições
multilaterais para impôr a governança néolibérale), e uma
corrente unilatéraliste (intervenções militares directas
para impôr-o com critérios que correspondem estreitamente
aos interesses estados-uniens) (Smith, 2005). Para outros a
governança néolibérale global deve ser analisada como a
expressão da vontade de dominação de potentes redes de
actores transnacionais, autónomas em relação às suas nações
de origem, e não pode mais ser visto como a expressão dos
interesses de só um país, mesmo mais potente militar, neste
caso os Estados Unidos (Agnew, 2005). Nas suas obras
recentes, D. Harvey propõe uma abordagem dialéctica das
relações entre "governança néolibérale global" e
"impérialisme", destacando a tentativa dos
ultraconservateurs estados-uniens réimposer o superioridade
norte- americano ao seio mesmo do regime global hégémonique,
e através de um aventurisme militar total (2005).
Apesar da diversidade destes
pontos de vista, pode-se contudo afirmar que há um
reconhecimento evidente da importância da dimensão espacial
nas estratégias dos actores globais, de uma espécie de
vontade de definir um "território global" onde poderiam
estender-se em segurança e sem constrangimentos. Pode-se
mesmo dizer que doravante em certos ideólogos do
néolibéralisme, como por exemplo J. Bhagwati, há uma espécie
de imaginário vertueux de um "território global". As escalas
macrospatiales e microspatiales ajustam-se naturalmente as
umas os os outros, e o mercado organiza as
complementaridades e as sinergias entre o uma e os outros
Estas abordagens colocam a tónica sobre a extraordinária
dilatação dos espaços da liberdade individual na
globalização, descrevendo ao mesmo tempo de maneira muito
negativo os que demoram a perceber os benefícios de este
último (Bhagwati, 2004). Há doravante uma espécie de
geografia néolibérale da liberdade, que se prolongou numa
geografia imaginária da governança néolibérale global.
Pretendem construir uma notícia géoéconomie global da
liberdade, contrastando com as restrições impostas às
escolhas dos consumidores e das empresas nos limites
territoriais do Estado-nação (Ho, 2005). Todos os discursos
e práticas conjugados provocaram uma tendência a
délégitimation do Estado.
A dimensão territorial
encarnada pelo Estado por conseguinte viu corrmoer-se o seu
papel de referência simbólico, ou mesmo hégémonique. É uma
realidade constatada cada vez mais frequentemente, e que
contrasta com os discursos que resplandecem sobre os méritos
e vitórias da democracia e a governança. Os actores globais
têm penalidade a legitimar a imposição de "democracias
formais" em Estados largamente esvaziados das suas
competências pelas políticas de ajustamento e as diversas
alternativas da governança imposta do exterior. Nos seus
discursos e as suas práticas, o território do Estado-nação
existe mais apenas como um espaço virtual validado por
critérios de inserção num espaço global "sem fronteiras".
Bem mais, os espaços locais, urbanos e rurais, são
reconhecidos de interesse apenas através dos mesmos
critérios.
É lá que pode medir-se as
práticas de "déterritorialisation" profundamente
déstructurantes e déstabilisantes actores globalistes. É por
conseguinte à este nível que é necessário situar os desafios
das relações entre territórios e desenvolvimento. Estes
desafios foram abordados de diferentes maneiras por novas
correntes de análise e de reflexão nos estudos de
desenvolvimento.
Outro olhar sobre o
"deteritorialização" vivido ao Sul
Desde uma quinzena de anos um
grande número de observações destaca o desfasamento
crescente existente entre o discurso normativo sobre a
globalização e as novas formas de crises urbanas e rurais
que vê-se manifestar-se ao Sul. No seguimento das
consequências do ajustamento permanente imposto desde os
anos 1980, a retirada do Estado provocou o empobrecimento de
uma parte crescente das populações, combinada com fenómenos
maciços de marginalização, de exclusão e de desigualdades
sociais gritantes. A reestruturação das condições da
acumulação, no sentido da "globalização" das actividades
económicas sob a égide dos actores dominantes os "pólos
eficientes", acelerou igualmente as tendências a
désarticulation dos espaços rurais e urbanos no âmbito dos
Estados-nações. Ao Sul, desde os anos 1990 viu-se
amplificar-se novas formas de crise agrária. Distante ser o
sinal archaïsme da agricultura, manifestaram-se num contexto
de progressos espectacular da produtividade agrícola,
através o "chimisation" e a mecanização maciça, a
aposta?uvre das biotecnologias.
A crise agrária multiforme é
primeiro a consequência da lógica de "pólos eficientes" na
agricultura. Com efeito os progressos espectaculares são o
facto de uma pequena minoria de explorações, aplicação n que
pode-se chamar a "via agrícola de modernização agrícola",
sistematicamente privilegiada pelas organizações
multilaterais (Banco Mundial, FAO).
A ideologia da modernização
sempre legitimou-se através da promessa de incorporar largas
camadas paysannerie nas repercussões de um "modelo agrícola"
suposto poder aumentar consideravelmente o rendimento em
região rural, que seja através da actividade agrícola ou o
crescimento do emprego assalariado. Mas na realidade, a
lógica dos "pólos eficientes" agrícolas acompanhou-se de uma
eliminação maciça pequeno paysannerie desde um quarto de
século ou pelo menos uma marginalização sobre o lugar.
Os países do Sul combinam
geralmente os dois efeitos: aumento das migrações campanhas
- cidades e dependência mais forte paysannerie que reside
sobre o lugar em relação aos rendimentos monetários, num
quadro de precariedade mais grande. Este fenómeno foi
acentuado pelo facto de, para a "via agrícola de
modernização agrícola", o controlo da terra torna-se cada
vez mais importante, enquanto que as necessidades de
mão-obra são centradas sobre as únicas exigências do novo
pacote tecnológico.
A aposta obra de projectos
gigantescos de produção de diversos tipos biocarburants
acentuará esta tendência no futuro (Houtart, 2007).
Ao Sul, num contexto de
crescimento demográfico elevado, o agravamento da crise
agrária provocou e continuará a provocar um agravamento da
crise urbana. As migrações campanhas - cidades provocaram,
desde os anos 1980, uma gigantesca dilatação dos espaços dos
grandes mégapoles.
À primeira vista, estes espaços
por conseguinte tornaram-se ainda mais caóticos que nas
décadas precedentes, caracterizados por uma expansão
descontrolada de imensas zonas taudis, bidonvilles, faltando
das infra-estruturas elementares de higiene e de saúde. A
polarização social do impacto espacial da acumulação
globalizada é endógeno à sua lógica mesma (Delcourt, 2007).
Esta evolução toca todos os centros urbanos dinâmicos do Sul
e as tendências já visíveis antes de 1980 acentuaram o seu
impacto nos espaços urbanos. Externalités negativos
aumentaram através de uma intensificação interacções
complexas entre elementos antigos (obstrução, congestão
generalizada, níveis de barulho e de poluição cada vez mais
elevados) cuja resultante é incontrolável. Por toda a parte
o crescimento dos pólos eficientes provoca uma deterioração
das condições de vida concretas e as pressões cada vez mais
violentas sobre as condições de vida diária.
De trás o desempenho, tem-se o
espectro da precarização das populações. Crise agrária e
crise urbana por conseguinte são induzidas largamente, quer
directa, quer indirectamente pela lógica dos pólos
eficientes, e dénouent finalmente numa crise geral do
ambiente. A nível dos territórios entendidos como lugares de
vida concretos, urbanos e rurais, externalités negativos da
acumulação transformam-se em mal cumulativos e
irreversíveis.
Estas realidades desastrosas
desmentem as promessas de desenvolvimento sempre renovadas
pelas alternativas sucessivas dos discursos sobre a
modernização, nacional ou global. Numerosos em casos, é
verdadeiro que o enfraquecimento das promessas de uma
modernização compartilhada provocou o aparecimento de
tentativas de réinvention de uma identidade sob a forma de
communautarismes sectaires, messianismes, fundamentalismos
religiosos ou ainda ethnismes agressivos à pretensão
hégémonique.
Estas reacções aceleraram
frequentemente a desintegração social, o aparecimento de
novas formas de violência, déchaînement de guerras civis, ou
mesmo o desmoronamento do Estado. A fragmentação social toma
frequentemente novas formas anomie, violência e desagregação
do tecido social, endógenos às novas realidades da
marginalização e a exclusão. Mas limitar-se à esta
constatação seria demonstrar miopia. Não é necessário
concluir que as populações sofrem passivamente este estado
de coisas. Não podem ser reduzido ao estado de vítimas ou
catalogadas simplesmente como "pobres" em espera de
intervenções externas, como o facto ainda com complacência
toda a literatura recente sobre os Objectivos do milénio
para o desenvolvimento (Craig e Levar, 2006).
É introduzindo esta interacção
entre espaço social e espaço urbano que os estudos recentes
sobre o desenvolvimento tomaram a sua distância em relação
às concepções que privilegiam unicamente a abordagem
morfológica das formas urbanas. As dimensões de estas são
mais complexas que afirma-o uma leitura das relações cidades
- campanhas que privilegia sobretudo a forma, por exemplo os
conceitos "mégapoles", de "cidades difusas", de
"arquipélagos", etc. Esta leitura privilegia a forma em
detrimento dos actores, e sobretudo, esquece os três quartos
da população, que não considera de resto como actores, dado
que são designados como "pobres", ou seja No.actores em
espera das repercussões benéficas de uma política
voluntariosa de modernização bem sucedida, e eventualmente
orientada para a "redução da pobreza".
Os mégapoles do Sul não
correspondem à noção de "cidade difusa" tal como theorizado
ao Norte como final etapa da "cidade global" e o
"hypermodernité". Filigrane das aparências informes, pode-se
dizer que estas imensas aglomerações articulam espaços
rurais urbanisés e espaços urbanos ruralisés, numa
continuidade que não impede uma grande diversidade. Apesar
da densidade de ocupação do espaço, numerosas partes da
cidade apresentam a imagem de "aldeias reinventadas" às
características híbridas. Numerosas em aglomerações, pode-se
ver a expansão de uma nova agricultura urbana,
correspondendo aos traços originais da agricultura
campesina, mas adaptada um novo contexto geográfico.
Numa análise recente de um
bairro de Kinshasa, S.
Ayimpam ilustra efectivamente
esta realidade: "... o bairro Mikondo quanto a ele, parece
constituir um espaço retransmissão ou de transição das
relações cidade/campanha Mikondo que não tem o estatuto de
bairro urbano que desde um cerca de trinta de anos, tem sido
muito tempo um órgão jurisdicional usual." Pela sua
morfologia, o modo de vida e ocupação dos seus habitantes,
parece corresponder um espaço de intrusão da cidade numa
aldeia, por um processo urbanisation que conquista.
Apesar da presença dos
representantes do Estado que administram o bairro, a
influência das autoridades usuais é ainda sensível. Sobre
certas perguntas, como a atribuição das novas parcelas, há
frequentemente conflitos de influência e de competência
entre os representantes do Estado e os chefes de terra.
Apesar do seu estatuto `
urbano', Mikondo parece muito visivelmente levar longa uma
herança rural. Mikondo mostra como podem ser leves e
incertos os limites entre o urbano e rural, entre o `
moderne' e o ` traditionnel', tanto os diferentes tipos de
actividades que se dizer limpos à cada um destes meios
mistura-se -se e mistura-se -se, e que uma oposição clássica
cidade/campanha não é adequadas para dar conta de certos
dinâmicos completamente híbridos que se encontram. Mikondo
apresenta-se como um espaço onde assiste-se ao mesmo tempo
ruralisation da cidade e urbanisation da campanha...
"(Ayimpam, 2005)." Estes mégapoles informes todos os são
feitos realmente de centena de bairros, todos dos quais têm
uma identidade, construídos pelos seus habitantes e
frequentemente conhecidas deles únicos, tanto para os seus
aspectos negativos como positivos. De certa maneira pode-se
dizer que são os "novos territórios da sociabilidade
popular".
"Territórios
da vida popular"
As estratégias dos actores
globais não são as únicas realidades urbanas a terem em
conta e outras as componente da realidade urbana não são não
somente passivas. Os actores populares existem, o seu lugar
na cidade e as campanhas é real. Certamente, há situações
específicas ou as populações são esmagadas realmente pela
amplitude dos choques que lhes são infligidos do exterior.
Mas no conjunto o que golpeou número observadores das
realidades do desenvolvimento desde uma vintena de anos, é
antes a capacidade de iniciativa das populações face à crise
da economia e o Estado, uma vontade de lutar por formas
diversas para manter ou restabelecer uma dignidade de vida.
As populações, abandonadas à elas mesmas pelas elites
globalistes da acumulação, tomam iniciativas para
sobreviver, para organizar-se, ajudar-se mutuamente,
encontrar novas formas de solidariedade que podem fazer face
crise social à estrutural e as necessidades mais imediatas
em termos de saúde, de higiene, de habitat, alimentação. As
formas de organização dominantes destas iniciativas são
associações, mútuas, cooperativas de carácter informal.
Estas actividades estendem-se sempre à escala local, dentro
dos bairros dos mégapoles, das cidades médias ou as aldeias.
Certas organizações populares
podem, em espaços abandonados pelo Estado-nação
enfraquecido, inventar outras maneiras de gerir o espaço ou
ainda instaurar novas relações sociais.
A invenção da sala consiste,
sobretudo, no controlo de um novo espaço.
As populações locais mostram-se
capazes, em certos casos, de inventar um conjunto de regras
e de tornar-o efectivas, no âmbito de um espaço claramente
identificado.
O desenvolvimento local
descansa sobre a elaboração de uma outra maneira de viver à
aldeia ou no bairro urbano: enraíza-se essencialmente sobre
a invenção de uma nova relação social à aldeia e a cidade.
Estas realidades puderam ser observadas tanto na África, que
em América Latina e Ásia do Sul e o Sudeste. Thierry Amougou
sublinha nesta obra a importância de pôr em valor estas
realidades: "...
Em oposição às práticas e as
políticas de desenvolvimento dominantes que privilegiam as
instituições nacionais e internacionais, as contraculturas
do desenvolvimento tomam o lugar que desvia, do mutante e
estendem as suas forças de intervenção em lugares comuns
onde vivem populações afastadas das esferas de decisões e os
lugares de poder." A rua, a zona rural, o bairro, o lugar do
mercado, a cidade, são tantos territórios susceptíveis de
servir de bases materiais à despregadura de várias práticas
de desenvolvimento na África subsariana. "" é o caso das
instituições financeiras informais e vendeuses que alimentam
certas grandes cidades africanas e não são preocupadas único
pela reprodução duradoura das suas pequenas actividades
comerciais e as suas famílias. Pondo assim na prática, não
somente de outras formas de organização da vida social, mas
também, de outras formas de estruturação espacial rural e
urbana na África e a América Latina, estes grupos marginais
tornam-se actores.
Est-à-dire, grupos-sujeito não
sujeitados aos diktats das leis universais agir-o válidos em
todos os tempos e em todos os lugares que constrói e impõe o
modelo dominante... "" Contribuições originais recentes em
estudos do desenvolvimento, feitos com uma abordagem
interdisciplinar, mostraram a vitalidade das populações que
ocupam as cidades e campanhas do Sul. Numerosos analistas do
desenvolvimento rural redescobriram a vitalidade e a
criatividade das sociedades campesinas, a sua capacidade
infinita de adaptar-se aos todos os constrangimentos
ambientais e institucionais para tentar sobreviver, manter
as condições de reprodução do conjunto familiar e aldeão, ou
mesmo melhorar as suas condições de vida frequentemente
precárias (Patel, 2006). É nesta perspectiva que pode
compreender-se a durabilidade das práticas campesinas que se
referem igualmente às relações à terra, a segurança tenures,
as considerações ambientais que as relações socioculturais e
as instituições ao redor das quais a vida campesina é
construída. A concepção campesina les do es a quanto nem
estática, aceita a mudança tanto quanto esteja harmonia com
a investigação de uma melhoria do "potencial presente e
futuro para encontrar as aspirações e as necessidades
humanas" (Akpokavie, 1996).
A inserção no mercado é
enquadrada na invenção de novas redes de sociabilidade às
dimensões múltiplas, combinando ao mesmo tempo a
solidariedade, o individualismo, o clientélisme, a
concorrência e de novas formas associativas. Tendo em conta
todas as realidades, dá-se -se conta que existe uma dinâmica
local de desenvolvimento, ainda que está cheia de
contradições. Esta dinâmica não deve ser confundida com uma
versão idílica da "sociedade civil", da "governança local"
ou o "poder campesino", mas mostra que há outras realidades
que o desmoronamento do Estado ou o desabamento da economia.
Num estudo das práticas microfinance popular na região de
Butembo em República democrática do Congo, C. Kakule-Kaparay
mostrou estas realidades: "...
As iniciativas individuais e
associativas que levam este processo de desenvolvimento
local não nascem de qualquer crise." A crise do Estado à
qual a teoria dominante tem tendência a unir as iniciativas
das pessoas fez apenas de reforçar a disponibilidade de
tomada presente junto da população.... Notou-se uma
capacidade local de produzir ajustamentos adequados para
jugular crises internas e de tomar decisões de
desenvolvimento que respondem às necessidades das pessoas.
Estes não esperam instrumentos e/ou instituições modernos
para fazer a estrada, a escola, o centro de saúde, a sua
casa, etc..
Não esperam um grande volume de
recursos para agir. As pessoas tomam a sua responsabilidade
apoiando-se sobre os valores veiculados pela filosofia
tontine (Ekirimba) enraizado nas mentalidades e a vida
diária das pessoas em qualquer sua acepção: a coesão social
("Ovughuma"), e das outras formas de cooperação não
necessariamente fundadas sobre o dinheiro." Com efeito, as
diferentes iniciativas funcionam com base nos mecanismos
híbridos que inspiram-se ao mesmo tempo junto aos princípios
de cooperação e de concorrência... "(2006)." Verificações
similares podem ser feitas no que diz respeito às
características do desenvolvimento urbano. A vitalidade da
economia popular urbana é efectivamente uma realidade na
maior parte das cidades latino-americanas, asiáticas e
africanas. O aspecto associativo e há também uma realidade.
A economia popular é muito simplesmente uma das componente
própria da vida popular, um tecido social ou cruza-se os
fios da pobreza, o ethnicité, as violências diárias,
sofridas ou provocadas, das solidariedades informais ou
organizadas, que juntas dão cada um dos bairros, tão
miseráveis sejam um rosto conhecido dos seus únicos
habitantes, e com efeito o seu "território". O bairro
urbano, como lugar de vida e miniterritório, provoca
práticas multiformes e informais cooperação, de
reciprocidade e solidariedade, que são finalmente apenas uma
das manifestações de uma capacidade de réinvention
permanente de formas activas de sociabilidade em contextos
variáveis, mas o prolongamento de uma trajectória histórica
secular.
A pequena produção comercial
urbana é uma componente da produção do "território" urbano,
entendido como lugar de reprodução das condições de vida das
populações urbanas. A actividade económica há apenas uma
componente da produção do tecido social (Fonteneau, Nyssens
et Salam Fall, 1999). Esta relação social não deve ser
confundida com comunitária tradicional, o bloqueado e
stagnant. É recomposition da relação social, sob formas
diversas e frequentemente combinando várias lógicas: da
lógica de redistribuição lógica à mafieuse, passando por
formas reinventadas de solidariedade que não excluem
confrontação e violência. A economia popular é cercada ao
mesmo tempo pela lógica de globalização e encerrada num
contexto específico, o de um meio de vida urbano ou rural do
qual assegura a reprodução como meio de vida.
Há a tomar em consideração
qualquer sociabilidade de redes, mais ou menos
contextualités em territórios, mas bem inseridos de uma
maneira ou outra numa continuidade histórica e a
continuidade de um espaço de vida urbano ou rural. Na sua
abordagem histórica da economia popular em a Madagáscar, E.
Andramanandrisoa tem mostrado recentemente que os actores
populares combinam por muito tempo, bem antes do período do
Estado postcolonial, estratégias que combinam o interesse
individual e colectivo: "O fokonolona, o território original
de uma colectividade rural, foi o lugar de este réinvention
contínuo, e foi capaz de adaptar-se transformando-se,
integrando novos imigrantes na colectividade rural, e
mantendo relações fortes com os emigrados urbanos, que ao
mesmo tempo participam na manutenção do território rural de
origem, criando ao mesmo tempo fokonolona de um novo tipo na
cidade." Se pode-se ver um réinvention contínuo das
condições de segurança dos actores populares, actores
colectivos, que desde longas gerações souberam fazer face
aos constrangimentos externos impostos pelos actores da
modernização real de abordagem, colonial, postcoloniale
seguidamente.
Por muito tempo o fokonolona
não se identifica mais apenas à comunidade lignagère, embora
esta componente permaneça um elemento extremamente da
identidade local. "" uma abordagem histórica deste tipo
permite também ver diferentemente o ` pauvreté'. Se os
riscos das suas condições obrigam às vezes, mesmo
frequentemente, os camponeses a alienar uma parte do seu
património fundiário, ou mesmo a sua totalidade, a história
dos indivíduos e das famílias não se para lá. Trata-se
apenas de um momento na história das gerações. Toda a
estratégia dos indivíduos e dos grupos vai ser a reencontrar
terra para reconstituir, ou mesmo alargar o património
perdido ou diminuído. E aquilo passa por múltiplas formas de
inserção no mercado. Aquilo passa também pela migração para
a cidade para encontrar o meio amasser uma poupança que
poderá permitir reconstituir o tanindrazana na aldeia de
origem. O processo de empobrecimento não é por conseguinte
irreversível. Toda a estratégia dos actores populares,
rurais e urbanos, é reconstituir o património fundiário, o
que supõe de passar pelo mercado para constituir um
rendimento e estimula também o mercado fundiário.
Esta reconstituição pode
estender-se por mais de uma geração, mas permanece o eixo de
um comportamento do qual a inserção no mercado é
frequentemente apenas um auxiliar... "(2004)." Enquanto que
no discurso da modernização, há uma dicotomia entre a cidade
e a campanha, entre por um lado o rural, o antigo, o
tradicional imóvel, e por outro lado o urbano como portador
modernité e de mudança, quando se olha-se os relatórios
cidade- campanha do ponto de vista destes outros actores,
que a modernização não considera como tais, ele tem pelo
contrário uma espécie de continuidade. Há ruptura entre a
cidade e a campanha apenas na visão do actor dominante, na
visão modernisatrice das elites.
A visão do espaço das classes
populares, rurais e urbanas, nunca correspondeu ao
imaginária da modernização, separando a "campanha
tradicional" da "cidade moderna". Desde gerações, os mundos
campesinos e populares urbanos ligar por miríades de redes
de troca, a maior parte do tempo invisíveis no entender das
elites e os observadores estrangeiros. Hoje, estas redes
transnationalisés, e mesmo globalizaram, através dos fluxos
humanos, económicos e monetários, que ligar frequentemente
aldeias em aparências "recuadas" à diversos centros urbanos
nacionais e estrangeiros. Y. Sainsine, no seu estudo
histórico das práticas de resistência campesina em Haiti,
insiste nesta dimensão: "... esta contracultura da
No.dominação continua sobre a defensiva, mas sem, no
entanto, para referir-se à uma visão de vencido ou dominado,
e procurando ao mesmo tempo preservar ou organizar os
espaços que escapam ao controlo da cultura da dominação em
espaços de convivialidade." O marronnage, a migração
campesina nas cidades ou outras zonas rurais do país ou no
estrangeiro, é exemplo mais impressionante. "" a vaga
migratória que golpeia o país estes últimos anos participa
no instaurado destas práticas de resistência.
Camponês emigrado, que seja em
outros localidade, em cidade ou em país estrangeiro,
contrariamente que supunha-se, continua-se guardar contactos
muito estreitos com as suas localidades de origem. Viu-se
aquilo, não somente do ponto de vista da migração interna
(rural-rural, rural-urbano), mas também da migração externa.
"" um dos pontos de manifestação destes laços é instaurado,
por emigrados, em certos casos, de uma mesma localidade,
outros, de uma mesma região, na zona onde encontram-se (numa
cidade do mesmo país ou o país de acolhimento), das
associações que se reclamam da sua localidade ou a sua
região de origem. Ninguém ignora que a migração,
particularmente urbana ou estrangeira terá trazido
paysannerie haitiano, particularmente na educação e a saúde,
neste contexto do desobrigamento do Estado... "" (2007).
Para os actores populares,
tem-se uma continuidade em vivido, e a globalização não
altera fundamentalmente este aspecto em relação às fases
anteriores da modernização. O imigrante das campanhas, desde
séculos, ocupa a cidade popular mas permanece sempre "em
rede" com a população das campanhas. O conceito de rede não
é por conseguinte não somente uma realidade de hoje, é
também uma realidade multiséculaire. Contudo a continuidade
não deve ser confundida com a homogeneidade: não é porque
aceita-se pensar a continuidade do território que é
necessário pensar o território em termos básicos de uma
identidade homogénea. Se ao Sul, os territórios continuarem
a ser mais muito tempo mais autónomos, e se se vê agora uma
nova produção de autonomia informal a nível de
microterritórios, não é necessário esquecer que é o
resultado de séculos de lutas e de resistência.
Os actores dominados, os
camponeses, os actores da economia popular deveram
inscrever-se em espaços e tempos muito heterogéneos. Que
trate-se de comunidades locais ou comunidades de imigrantes
em cidades estrangeiras ou as cidades do ocupante colonial,
as práticas populares de construção e reconstrução de
miniterritórios levaram-se a eãfeito, desde séculos, em
práticas de luta e de resistência: o que conduz a matizar
fortemente a ideia de uma simples continuidade no tempo numa
relação homogénea entre território e identidade. Pode-se por
conseguinte dizer que as realidades das relações cidade-
campanhas são muito mais complexas e mais contraditórias que
deixam-no supôr as leituras normativas da modernização e a
globalização, e aquilo igualmente ao Norte que ao Sul. Mas
não obstante as realidades da economia popular urbana não
podem mascarar as desigualdades extremas de riqueza e de
poder que atravessam as relações entre as redes de "ricos" e
os actores da economia popular, e que definem as condições
da produção do território urbano.
O desenvolvimento local é
marcado lá por contradições e tensões cada vez mais
violentas que as lógicas de redes podem atenuar mas não
resolver.
Dimensões de um
"reterritorialisaçao" das condições do desenvolvimento
É evidente que as coalições de
actores que dominam a economia mundial chegaram échafauder
dos quadros institucionais vinculativos que transcendem as
fronteiras dos Estados-nações e supervisionam estreitamente
os comportamentos e decisões de estes à alna dos critérios
do néolibéralisme, emitindo satisfecit, recomendações,
condenações ou sanções de acordo com o grau de proposta dos
Estados a estes critérios. A existência desta capa de chumbo
que pesa sobre todos os Estados do mundo, ao Sul sobretudo,
não deve contudo fazer negligenciar o facto de as
transformações socioeconómicas induzidas pelas o sistema
globalizado e suas injunções, sempre são levadas a efeito em
contextos específicos produzidos por geografias extremamente
diversas do ponto de vista das interacções entre a política,
o económica e o cultural. É por conseguinte importante
contextualiser socialmente e spatialement os efeitos das
estratégias dos actores globalistes, ao Sul assim como o
Norte (Nagar, Lawson, McDowell et Hanson, 2002). Em outros
termos o global homogénéise todos os espaços, apesar dos
seus esforços neste sentido. A articulação entre os
constrangimentos globais homogénéisantes e os contextos
nacionais, regionais e locais, produzidos pela história e
pela geografia, levada a produzir processos de
desenvolvimento ou o "global" torna-se um novo elemento que
se incorpora à complexidade da imbricação das escalas
espaciais herdadas do passado, sem estar a abulir-o ou
reduzir-o às suas únicas normas.
Este tipo de abordagem convida
por conseguinte a ver o global como um elemento da produção
de "territórios" diversos que não podem estudar-se apenas
através dos critérios do globais. Esta abordagem é muito
portanto diferente de as que invocam fenómenos completação
déterritorialisés e globalizados para falar de resistência
perante as forças de globalização, como é o caso com o
conceito de "multidão" em Hardt e Negri (2004).
Quando parte-se da observação
das realidades ao Sul, um ponto central de oposição que
aparece entre a lógica dos actores globais e os actores
populares é que, para os primeiros, o mercado inscreve-se
inteiramente numa lógica de acumulação globalizada sem
fronteiras e uma reprodução alargada do capital ilimitado,
enquanto que o mercado dos actores populares inscreve-se
numa lógica de reprodução simples das condições da vida
social. Inúmeras as experiências reveladas pelas práticas
das populações locais nos vinte últimos anos recorrem
implicitamente à uma complementaridade entre diferentes
tipos de iniciativas associativas informais. Mostram que a
produção da identidade cultural pode ser viável apenas com
base numa construção da segurança material. As necessidades
vitais (habitat, transporte, alimentação, ambiente natural e
simbólico) são componente necessárias da produção do
território, a identidade, e uma forma viável de relação
social. É através de esta ligação que revelam-se
concretamente outras práticas e uma outra lógica de
desenvolvimento que as dos actores globais e as diversas
alternativas dos discursos sobre a modernização.
O tema da segurança está no
meio de um réarticulation entre produção da relação social e
produção do controlo social concebido como réappropriation
por uma colectividade dada dos meios de um autocontrolo no
meio de um projecto de "democracia substantive" (Gathii,
2000).
Aquilo supõe uma abordagem que
incorpora claramente a interacção entre a personalidade
colectiva e o aspecto territorial na produção da identidade,
e que mostra de maneira concreta que o desenvolvimento
ocupa-se essencialmente de actores colectivos e da produção
das condições da acção colectiva em contextos espaciais e
históricos concretos. A partir da observação destas
práticas, pode-se tentar propôr uma redefinição do
desenvolvimento. O desenvolvimento pode ser visto como o
processo duradouro de construção e de gestão de um
território, através através do qual a população de este
define, através de um pacto sociopolitique e ele instaurado
de um quadro institucional adequado ao contexto, o seu
relatório à natureza e o seu modo de vida, consolida as
relações sociais, melhora o seu bem-estar e constrói uma
identidade cultural que tem a sua base material na
construção deste território. Se esta definição tem um
aspecto normativo inegável, tem contudo também uma dimensão
positiva, na medida em que retorna pela sua natureza mesma à
observação da realidade (Peemans, 2002). É à este nível que
situa-se também o desafio da consolidação de um sector de
economia associativa ao Sul.
Uma rede densa de organizações
deste tipo pode permitir consolidar as iniciativas
associativas informais, respeitando o seu espírito, a
natureza das suas práticas, alargando o seu campo de acção e
permitindo a complementaridade entre as suas diversas
actividades agrícolas, não agrícolas, as caixas de poupança
e de crédito, as mútuas, as cooperativas de produtores e de
consumidores, etc. (Peemans e Laurent, 1998). Na maior parte
dasregiões, dos bairros populares urbanos e as aldeias, há
para a aposta obra de um sector de economia associativa,
baseado na mobilização dos recursos locais para as
necessidades locais, através da organização autocontrôlée
das populações locais. A importância dada ao sala-
territorial não é uma finalidade em si. Retorna ao problema
da construção de novos relatórios de força entre os "actores
da parte inferior" que defendem lugares de vida e os actores
dominantes que vêem nos recursos locais jazigos de lucro.
Deve-se insistir na
importância, do ponto de vista do desenvolvimento, de
considerar a hierarquia necessária de instituições
supralocales, no espírito de um apoio multiforme à
reconstrução da relação social, do autocontrolo social e a
identidade a nível dos "territórios de vida". Conformemente,
haver, por definição, uma "arquitectura global única", mas
múltiplas arquitecturas institucionais,
régionales-infranationales, nacionais, regionais infra
continentais, que deverão gradualmente encontrar as vias de
uma coordenação e uma cooperação a nível mundial (Smouts,
1999). A elaboração de cartas locais e regionais de
"desenvolvimento sustentável" pode ser um instrumento
concreto de aposta obra dos direitos positivos, como
direitos colectivos ligados à construção material de
territórios, baseia de identidades culturais diversas.
Conformemente, o
desenvolvimento é concebido como uma reconstrução de espaço
público e das liberdades colectivas, que supõe a
incorporação de objectivos diversificados que não se podem
resumir à uma contabilidade em termos de crescimento
(Keating et Loughlin, 1997). Os municípios, os poderes
locais e regionais podem pôbre das parcerias com as
organizações associativas de produtores. Este
matérialisation da "governança associativa" é em si uma
reconstrução de uma nova base da política e por conseguinte
também o Estado. Na medida em que as actividades de
desenvolvimento sustentável materializam-se sobretudo a
nível local e regional infranational, pode-se dizer que o
papel do Estado deveria ser sobretudo de proteger por via
regulamentar estas actividades e de garantir-lhes o acesso
aos recursos que permitem a sua aplicação. São os actores do
desenvolvimento local e a economia associativa que devem ser
apoiada primeiramente pelo Estado - Nação, por todos os
meios possíveis.
Deste ponto de vista instaurado
no Venezuela, com o apoio do Estado, milhares de conselhos
comunais e a criação de milhares de cooperativas populares,
é-o uma dimensão inovadora da iniciativa bolivarienne Hugo
Chavez; para além das controvérsias de uso em redor avatars
do populisme, merece ser estudada seriamente (Wilpert, 2007;
McIlroy, 2007). Pode-se pensar que numa grande maioria dos
países do Sul, a legitimação ou o relégitimation do Estado
passará por uma capacidade de instaurar instituições de
apoio à cartas locais de desenvolvimento, permitindo mais
maior a maioria possível de associações cidadãs e de
autarquias locais, de alargar a esfera dos seus direitos
económicos e sociais, através da construção potente de um
sector económico associativo, capaz de fazer contrapesos ao
monopólio do sector privado de acumulação. Na medida em que
organizações locais puderem materializar a elaboração de
projectos, ou mesmo planos de desenvolvimento de
territórios, aquilo poderia permitir-lhes aumentar o seu
poder de negociação, perante a visão do espaço proposta
pelos actores dominantes, na sua oferta de "governança
local" satellisée pelas exigências do global. A tomada em
consideração da sala deve permitir orientar primeiro
territórios de resistência e de lutas a partir das práticas
das populações locais, e as condições da elaboração de novos
pactos sociais que gradualmente permitiriam alargar espaço
da esfera do desenvolvimento déterritorialisé, como o
definido acima, em frente da esfera da acumulação
globalizada. |