MOVIMENTO DOS COMITÊS REVOLUCIONÁRIOS
 
 

Discurso do Líder Muammar Khadafi
64ª Sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas

 MCR [07.11.2009 15:10]

Senhoras e Senhores, membros da Assembléia Geral das Nações Unidas:
Eu vos saúdo, em nome da União Africana, e rezo para que esta convocação seja uma sessão histórica na trajetória do mundo.
Em nome da Assembléia Geral das Nações Unidas, presidida pela Líbia, em nome da União Africana, em nome dos mil reinos africanos tradicionais e em nome de todos vocês, estendo os meus parabéns ao nosso filho, o Presidente "Obama”, sendo esta a primeira vez que ele participa da reunião da Assembléia Geral, como presidente dos Estados Unidos da América. O saudamos por ser o Estado anfitrião.
A convocação desta sessão acontece no auge de uma série de desafios que nós todos enfrentamos e diante dos quais o mundo inteiro deveria se unir e engajar sérios esforços a fim de derrotar esses desafios, os quais constituem um inimigo comum. Os desafios da mudança do clima, a crise financeira ou o colapso da economia capitalista, a crise de alimentos e da água, a desertificação, o terrorismo, a migração, a propagação de doenças, as criadas e as não criadas pelo ser humano- alguns vírus fabricados por órgãos bélicos como uma arma, sobre os quais se perdeu o controle. Talvez a “influenza suína” seja um dos vírus que fugiu ao controle, tendo sido criado nos laboratórios como uma arma de guerra. Assim como a horrenda proliferação nuclear, junto a outro tipo de terrorismo tal como a propagação da hipocrisia e do medo, a descrença, a degradação da moralidade e a prevalência da matéria. Isso tudo representa um inimigo comum a todos nós.
Senhoras e Senhores:
Como os senhores sabem, as Nações Unidas foram basicamente formadas por três ou quatro países que se uniram contra a Alemanha. Esses países representam as Nações Unidas e não a Organização das Nações Unidas. A Organização das Nações Unidas que somos hoje é outra coisa. As Nações Unidas são as nações que se uniram contra a Alemanha na II Guerra Mundial. Essas Nações formaram um conselho chamado de Conselho de Segurança e concederam a si mesmos assentos permanentes e poder de veto. Nós não estávamos presentes. Sob a ótica daqueles países as Nações Unidas foram delineadas e a nós, solicitaram que adotássemos o modelo delineado por aquelas três ou quatro nações que se uniram contra a Alemanha. Essa é a verdade. Assim formou-se o alicerce dessa organização internacional. Essa formação ocorreu na ausência das 165 nações existentes agora. Significa uma proporção de 1 para 8 , um presente para cada oito ausentes. Eles elaboraram a Carta, como os senhores sabem, mas ao ler o texto percebe-se que o prólogo é uma coisa e seus artigos são outra coisa diferente.
Como foi que isso aconteceu?!.
Aqueles que compareceram à reunião de São Francisco em 1945 participaram da redação do prólogo, deixando os outros artigos, inclusive os regimentos internos do Chamado de Conselho de Segurança, para os peritos, técnicos e políticos dos países interessados no assunto. Foram os países que criaram o Conselho de Segurança e se uniram contra a Alemanha. O prólogo é muito atraente e não há nenhuma objeção a ele. Porém tudo o que se seguiu a ele é completamente contraditório. É diante disso que estamos agora. Protestamos contra ele, o rejeitamos e não podemos prosseguir com ele, porque seu tempo expirou na II Guerra Mundial.
O Prólogo diz que as nações são iguais, as grandes e as pequenas. Será que somos iguais no que diz respeito aos assentos permanentes? De maneira nenhuma. Nós não somos iguais. A introdução diz que as Nações Unidas tem direitos iguais, as grandes e as pequenas. Tudo bem. E com relação ao direito de veto, somos iguais?. O Prólogo diz que as nações, as grandes e as pequenas, são iguais em seus direitos. Assim é a introdução e é com ela que concordamos. Então, o veto é contra a Carta e os assentos permanentes são contra a Carta, nós não reconhecemos e não aceitamos isso.
A Carta diz em sua introdução: "Nós nos comprometemos a não usar a força armada a não ser pelo interesse comum". Este é o prólogo com o qual ficamos satisfeitos, aquele que assinamos, e pelo qual nos juntamos às Nações Unidas. O preâmbulo diz que "a força armada é usada somente em prol do interesse comum de todas as nações”. Mas 65 guerras ocorreram com milhões de vítimas, em numero superior ao da Segunda Guerra Mundial, mesmo após o estabelecimento das Nações Unidas e após a criação do Conselho de Segurança com sua formação atual. Os combates, as agressões e a força despendida em 65 guerras aconteceram em prol do interesse comum?! De maneira nenhuma. Aconteceram ao serviço do interesse de um determinado país, ou de dois ou três deles.
Abordaremos essas guerras para ver se aconteceram em nome do interesse comum, ou em nome do interesse de um determinado país. Esta é uma contradição alarmante ao prólogo da Carta, com o qual concordamos e pelo qual nos juntamos à organização. E se as coisas não acontecem conforme o preâmbulo acordado por nós, então a nossa presença na Organização não vigora mais a partir de agora.
Nós não estamos sendo complacentes:
Nós não estamos sendo complacentes, não falamos em linguagem diplomática. Não temos medo, não somos gananciosos. Não podemos ser omissos acerca do destino do mundo. Estamos agora falando do destino do mundo, do destino do planeta, do destino da raça humana. Nesta questão crucial para a humanidade não há nenhuma cortesia nem hipocrisia, ou diplomacia, porque a complacência, a hipocrisia e o medo têm levado à ocorrência de 65 guerras após o estabelecimento das Nações Unidas.
A introdução expressa que “se a força for usada, deve ser força internacional, força conjunta“. As Nações Unidas, com seu Estado Maior das Forças Armadas, são os que deveriam usar a força e não um país ou dois ou três. As Nações Unidas como um todo deveriam decidir sobre o uso da força para preservar a paz mundial. E em caso de ocorrência de agressão por parte de uma nação contra outra depois de 1945, após o estabelecimento desta Organização, seriam as Nações Unidas como um todo que deveria deter esta agressão. Por exemplo, se a Líbia agredisse a França, as Nações Unidas deveriam deter a agressão Líbia, porque a França é uma nação independente, soberana e membro da Assembléia Geral das Nações Unidas.
Estamos comprometidos em defender a soberania das nações coletivamente, desde o estabelecimento da Organização ocorreram 65 guerras hostis e as Nações Unidas não as detiveram, sendo que oito grandes guerras ferozes que vitimaram milhões de vidas foram declaradas pelos países que detêm assentos permanentes no Conselho de Segurança e o direito de veto. Os países nos quais nos sentíamos seguros e nos quais acreditávamos que iriam prover a segurança e proteger a independência dos povos, foram os mesmos que ameaçaram a independência dos povos e usaram da força bruta. Nós acreditávamos que eles iriam deter a agressão, proteger os povos e instalar a tranqüilidade no mundo. Mas vemos que esses Estados usam da força bruta e desfrutam de um assento permanente no Conselho de Segurança, e detém o direito de veto que outorgaram a si mesmos.
Não há nada nesta Carta que autorize às Nações Unidas a intervir em assuntos que são essencialmente da jurisdição interna de uma nação. Significa que o sistema de governo é um assunto interno de um país, no qual ninguém tem o direito de intervir. Estabelecer em seu governo um sistema ditatorial, democrático, socialista, capitalista, reacionário ou progressista é responsabilidade da própria sociedade, é um assunto interno. Um dia, a Roma votou em “Julius César” para ser ditador. O Senado deu-lhe mandato para ser ditador, porque achava que a ditadura naquele tempo, era benéfica para a Roma. É um assunto interno. Quem ia perguntar a Roma por que fez de “Julius César” um ditador.
O prólogo é algo com o qual concordamos. Porém o advento posterior do veto não é mencionado na Carta. Se tivessem nos dito que o veto existiria, não nos teríamos juntado à Organização das Nações Unidas. Nós aderimos porque somos iguais em direitos. Mas a posterior ocorrência de um país que detém um assento permanente e com direito a se opor a todas nossas decisões é mera injustiça. Quem concedeu a eles os assentos permanentes? Esses quatro países deram a si mesmos os assentos permanentes. O único país no qual votamos para que tivesse um assento permanente foi a China. Demos os nossos votos à China para ter um assento permanente no Conselho de Segurança. Somente a presença desse país é democrática, enquanto a ocupação dos outros quatro assentos não é democrática, mas ditatorial, que nos foi imposta, e nós não os reconhecemos e não se vigora a nós.
A Reforma das Nações Unidas:
A reforma das Nações Unidas, Senhoras e Senhores, não é feita através do aumento do número de assentos. O aumento do número de assentos só “fará com que a lama fique mais molhada”. Eu não sei como o intérprete traduziria este ditado “a lama mais molhada”. É difícil traduzir este ditado para o inglês. Mas vou ajudá-los: “adicionar insultos a injuria” significa “sobre o mal pior ainda”, contribuindo para que haja duas medidas e dois pesos. Como? Porque nações grandes serão adicionadas às primeiras grandes potências que nos fizeram sofrer e o saldo a favor dos grandes países será maior e maior. Por tanto, a partir daqui, nos rejeitamos o aumento de assentos desta forma. A solução não é aumentar o numero de assentos. O equivoco mais grave a seria aumentar o número de assentos para os grandes países ao lado das primeiras potencias. “Isso destruiria os povos do terceiro mundo, destruiria todos os países em desenvolvimento que formam agora o chamado de Grupo dos Cem – G100 - existem cem países reunidos em um fórum chamado ‘Fórum dos Países Emergentes-FSS”, que serão destruídos pelos assentos novos, porque novos países grandes serão adicionados às primeiras potencias. Isso é inaceitável. Há que se fechar essa porta e rejeitar tal possibilidade firmemente. Aliás, abrir a porta para o aumento de número de assentos do Conselho de Segurança só aumentaria a desigualdade e a injustiça, elevaria o grau da tensão global, e acirraria a concorrência pelos assentos do Conselho de Segurança. E nos veremos diante da competição entre um grupo de nações extremamente importantes. Haverá competição entre Itália, Alemanha, Indonésia, Índia, Paquistão, Filipinas, Japão, Brasil, Argentina, Argélia, Líbia, Egito, Congo, África do Sul, Tanzânia, Turquia, Irã, Grécia e a Ucrânia. Todos esses países vão exigir um assento no Conselho de Segurança e assim a corrida continuará até que o número de membros do Conselho de Segurança se iguale ao dos membros desta Assembléia. Isto seria impraticável.
Então, qual é a solução?

A solução submetida agora à Assembléia Geral sob a presidência do "Ali Treki", será decidida através do voto, uma decisão irrevogável tomada pela maioria na Assembléia Geral, sem qualquer comprometimento com outras partes, para que se feche a porta à adesão de países e se feche a porta para o aumento de assentos no Conselho de Segurança, substituindo-os pela adesão de associações, promovendo a efetivação da democracia através da implementação da igualdade entre os países-membros e a transferência das competências do Conselho de Segurança para a Assembléia Geral. As associações seriam os membros e não os países, porque ao se abrir a porta para os Estados serem membros do Conselho de Segurança tal como está sendo proposto agora, faria com que todos os países disputassem assentos no Conselho de Segurança, seria direito deles, porque conforme consta no prólogo, os países são iguais.

Como poderíamos parar com isto? Quem teria o direito de fazer com que esses países parassem com a demanda por assentos? Quem teria o direito de dizer à Itália que não demandasse um assento também, caso um assento fosse dado à Alemanha? A Itália tem prioridade e argumentaria que, ao juntar-se aos aliados deixando os países do eixo, derrotou a Alemanha, o país agressor à época, não a Alemanha atual, mas sim a ex-Alemanha nazista. Caso concedêssemos um assento à Índia, por exemplo, e o país merece, o Paquistão iria protestar. Tanto um como o outro tem a bomba atômica e estão em estado de guerra. Isso é grave. Se déssemos um assento ao Japão, então por que não dar um a Indonésia, o maior país muçulmano do mundo?!. Então o que dizer à Turquia, ao Irã, à Ucrânia, ao Brasil e à Argentina?. E a Líbia, que aboliu o programa de armas nucleares também não mereceria um assento no Conselho de Segurança por ter servido à segurança mundial?!. Ou talvez venha o Egito, a Nigéria, a Argélia, o Congo, a África do Sul, ou a Tanzânia, são todos países importantes. Há que se fechar esta porta, propor a ampliação do Conselho de Segurança é uma futilidade e uma flagrante fraude.
Portanto como iremos reformular as Nações Unidas se trouxermos mais países grandes ao lado das grandes potencias que os antecederam e com as quais sofremos?

Portanto, a solução reside na implementação da democracia ao nível de congresso mundial que é a Assembléia Geral, na transferência das competências do Conselho de Segurança para a Assembléia Geral, fazendo assim com que o Conselho de Segurança torne-se apenas um instrumento para executar as resoluções da Assembléia Geral.

A Assembléia Geral é o parlamento do mundo, é o congresso do mundo, é o legislador. Suas decisões são compulsórias. Assim é a Democracia. Que o Conselho de Segurança se submeta à Assembléia Geral e nunca fique acima dela. A partir de agora nós iremos repudiá-lo se ele ficar acima dela. Assim é o poder Legislativo. Eles são os legisladores da Assembléia Geral. Está escrito que "a Assembléia Geral faz isto e aquilo conforme a recomendação do Conselho de Segurança". Isso é errado, o certo seria o contrário, que o “Conselho de Segurança fizesse isso e aquilo sob as ordens da Assembléia Geral”. Eis aqui cento e noventa nações, estas são as Nações Unidas reunidas, e não o Conselho de Segurança que está na sala ao lado. Dez pessoas!. Que democracia é essa?! Que segurança?! Como que podemos estar tranqüilos a respeito da paz mundial se nosso destino está nas mãos de dez, controlados por quatro ou cinco países, subordinados por sua vez a um único país! Nós, cento e noventa nações estamos aqui, como se fosse o "Hyde Park". Uma decoração?! Vocês são a decoração. “Vocês do "Hyde Park" não tem valor, têm apenas um fórum para discursar, exatamente como se discursa no "Hyde Park". Faz-se o discurso e vai-se embora É assim que vocês são.
O Conselho de Segurança deverá ser somente o poder executivo das resoluções da Assembléia Geral das Nações Unidas. Assim que o Conselho de Segurança se torne um mero executor das resoluções da Assembléia Geral, não haverá disputa pelos assentos do Conselho de Segurança.

O Conselho de Segurança proposto:

Que o Conselho de Segurança seja representante das nações como um todo, não de países. O que está sendo agora proposto à Assembléia Geral é um assento permanente para cada bloco:
- Um assento permanente no Conselho de Segurança para a União Européia, formada de vinte e sete países.
- Um assento permanente no Conselho de Segurança para a União Africana, formada de cinqüenta e três países.
- Um assento permanente no Conselho de Segurança para a Associação da América Latina.
- Um assento permanente no Conselho de Segurança para a ASEAN.
- A Federação Russa, atualmente detém um assento permanente no Conselho de Segurança.
- Os Estados Unidos da América, compostos por cinqüenta estados, atualmente detém um assento permanente no Conselho de Segurança.
- Um assento permanente no Conselho de Segurança para o SARC, se for estabelecido, ou estiver a caminho de ser estabelecido.
- Um assento permanente no Conselho de Segurança para a Liga dos Estados Árabes, formada de vinte e dois países.
- Um assento permanente no Conselho de Segurança para a Organização da Conferencia Islâmica, formada de quarenta e cinco países.
- Um assento permanente para o Movimento de Países Não-Alinhados, formado de cento e vinte países.
- Há que se pensar no Grupo dos Cem Paises G-100, todos os países pequenos poderão também ter um assento permanente.
- Se houvesse países fora desses blocos que já mencionei, poderia destinar-lhes um assento permanente, alternando-se a cada seis meses ou a cada ano. Talvez o Japão, a Austrália ou a Nova Zelândia estivessem fora de qualquer bloco ou um dos países que não tenha se juntado à ASEAN ou que não tenha aderido à Federação Russa ou à União Africana, à União Européia ou à União Latino-americana, nem aos Estados Unidos da América. Poderia se destinar um assento a esses países.

Eis a solução proposta, a solução submetida à Assembléia Geral para votação . Esta é a questão fundamental, prioritária e essencial apresentada à Assembleia Geral, como governante mundial, parlamento do mundo, congresso do mundo. Ninguém se opõe a ela e nós não reconhecemos a quem quer que seja fora desta sala. Nós somos as Nações Unidas. Os senhores "Ali Treki" e "Ban Ki- Moon" prepararão as fórmulas administrativas e jurídicas e a formação de comissões que submeterão ao voto a proposta que o Conselho de Segurança a partir de agora seja composto por Blocos . Esta é a justiça, a democracia e iremos acabar com essa estória do Conselho de Segurança ser ocupado por certos países. Um país que detém a bomba atômica, outro que detém o poder econômico e outro que detém a tecnologia . Isto é terrorismo. Nós não podemos viver no âmbito de um Conselho de Segurança dominado por aqueles que detém o poder esmagador. Isto é terrorismo. Se quisermos um mundo convivendo unida e pacíficamente, em segurança e paz, façamos isso. Mas se optarmos por viver em terrorismo, que assim seja. Viveremos em conflitos, continuaremos vivendo em conflito até o Dia da Ressurreição.

Que todos estes assentos tenham direito ao veto, ou não o tenha nenhum. Ou mantém-se o Conselho de Segurança com a composição atual com todos os assentos com direito ao veto ou se retira definitivamente este direito do Conselho de Segurança em sua nova composição. Assim seria o verdadeiro Conselho de Segurança. Em todas as alternativas, o Conselho de Segurança em sua nova composição submetida à votação da Assembléia Geral seria um instrumento executivo da Assembléia Geral da ONU. A soberania é das nações, é das cento e noventa nações existentes, assim todas as nações estariam igualmente presentes no Conselho de Segurança, assim como estão na Assembléia Geral. Nossos votos aqui na Assembléia Geral são iguais e deverão ser iguais também na sala do lado , que é o Conselho de Segurança. O fato de um país ter poder de veto e outro não, um ter assento permanente no Conselho de Segurança e outro não, será extinto a partir de agora. Não nos submeteremos a isso, nós não o reconheceremos mesmo que persista. Não nos submeteremos a qualquer resolução tomada pelo Conselho de Segurança em sua formação atual.

Queremos decidir o destino do mundo de forma democrática.

Chegamos agora. Nós fomos colonizados. Estávamos sob tutela, nos tornamos independentes e nos unimos. Queremos decidir o destino do mundo de forma democrática a fim de preservar a paz e a segurança para todos os povos, com igualdade para todas nações, as grandes e as pequenas.

O terrorismo não é apenas o terrorismo da Al-Qaeda .A situação atual em si é um terrorismo. A decisão é somente da maioria dos votos na Assembléia Geral e não de outras partes. Se a Assembléia Geral votar a favor de algo, tornar-se-á vigente e ninguém poderá se opor e dizer que está acima da Assembléia Geral. Quem disser que está acima da Assembléia Geral que saia das Nações Unidas e que fique por sí só.

A democracia não é do mais forte, não é para o mais rico, para o terrorista que nos assusta. A democracia é a ultima palavra, não para aquele que seja mais rico ou mais poderoso. A última palavra é de todas as nações, todas as nações igualmente. O Conselho de Segurança é hoje um orgão de segurança feudal, uma política feudal exercida pelos detentores dos assentos permanentes, que os protege mas que é usado contra nós, por conseguinte não se chama Conselho de Segurança , mas Conselho do Horror.

Irmãos, vocês vêem em nossa trajetória política, que quando querem usar o Conselho de Segurança contra nós eles recorrem a ele. E quando eles não tem necessidade de utilizá-lo contra nós , o ignoram. Se eles têm interesse em usar a Carta contra nós, eles a respeitam e veneram e recorrem ao capítulo sétimo para aplicá-lo contra esta ou aquela pobre nação. Mas quando querem fazer algo que viole a Carta , eles a ignoram como se não existisse.

Que o direito ao veto e ao assento permanente sejam para aqueles que têm o poder, é algo ultrajante , é um terror que não podemos mais tolerar nem viver à sua sombra.

As grandes potências têm interesses ramificados no mundo, usam do veto, usam do Conselho de Segurança e usam da força das Nações Unidas para proteger seus próprios interesses. Isso vem aterrorizando o terceiro mundo. O terceiro mundo está aterrorizado, vivendo sob o terrorismo. O Conselho de Segurança, desde sua criação em 1945 até agora, não nos proporcionou segurança mas proporcionou-nos sanções e horror. Tem sido sempre usado contra nós sòmente. Por isso não somos obrigados a obedecer as resoluções do Conselho de Segurança a partir deste quadragésimo discurso. Sessenta e cinco guerras ocorreram após a criação do Conselho de Segurança, todas elas contra o Terceiro Mundo, contra países pequenos lutando entre si ou sofrendo agressões por parte de grandes potências, sendo que o Conselho de Segurança não deteve as agressões, dessa maneira violando a Carta.

A Assembléia Geral votará estas soluções históricas, e depois disso ou continuamos juntos nas Nações Unidas ou nos dividimos em duas partes: um grupo de nações com igualdade que terão sua própria Assembléia Geral e seu proprio Conselho de Segurança, e os grandes que detêm os assentos permanentes e o poder do veto continuando com seu Conselho, quatro, cinco ou três deles, como quiserem. Nós não estaremos com eles, assim eles terão de aplicar o veto a eles mesmos, usar o veto contra si mesmos. Isso não importa para nós. Que fiquem permanentemente nesses assentos, não nos importa . Só Deus é duradouro.
Mas nós a partir de agora não podemos continuar sob o dominio dos membros permanentes, dos detentores do direito ao veto, concedido a eles por sí próprios. Nos não lhes concedemos esses direitos, seríamos simplórios se concedessemos o poder de veto e assentos permanentes a um grupo de países, desprezando as outras nações e considerando-as desprezíveis e inferioriores, não merecendo assento permanente nem direito ao veto.

Por que desprezar as nações?!. Nós não decidimos assim. Essas nações são dignas, sagradas e respeitadas. Essas são as nações da terra. São cento e noventa nações . Vocês sabem que agora as resoluções do Conselho de Segurança passaram a ser ignoradas, depois de se concluir que o Conselho é injusto e usado apenas contra nós, e não contra os grandes, já que Conselho de Segurança não pode ser usado contra os detentores dos assentos permanentes e do direito ao veto O Conselho não pode de maneira nenhuma tomar uma decisão contra eles . Por conseguinte o Conselho de Segurança foi feito contra nós . Assim sendo, as decisões tomadas pelo Conselho estão sendo recebidas com sarcasmo e sendo ignoradas. Isso tornou-se uma paródia da Organização das Nações Unidas e começa a ultrapassar as fronteiras das Nações Unidas: agressões , guerras, invasão das fronteiras dos países independentes para destruir sua soberania e independência, a prática de crimes de guerra e genocídios violando a Carta, enquanto o Conselho de Segurança existe. Eles não estão preocupados com o Conselho de Segurança.

Aliás, o mais importante agora é que cada grupo internacional começou a criar o seu Conselho de Segurança, ao qual submete seus problemas e questões. E pouco a pouco, o Conselho de Segurança em sua estrutura atual, que está nesta sala, vai se tornando isolado:

- A União Africana tem atualmente o "Mass", que é o Conselho Africano para Segurança e Paz .
- A União Européia vai criar agora um Conselho de Segurança.
- A ASEAN criará um Conselho de Segurança.
- A América Latina criará um Conselho de Segurança.
- Os Paises Não-Alinhados "Cento e vinte nações ", já têm uma proposta para criar um Conselho de Segurança.

Isso indica que perdemos a confiança no Conselho de Segurança . Ele não nos proporcionou segurança, portanto recorremos a conselhos regionais. Nós não somos obrigados a obedecer ao Conselho de Segurança com sua estrutura atual, a qual não tivemos nenhuma participação na formulação de suas bases . É uma estrutura não – democrática, ditatorial e injusta. Ninguém pode nos obrigar a permanecer neste Conselho de Segurança, ou a obedecer às suas ordens.

Atualmente meus irmãos, não há respeito às Nações Unidas. A Assembléia Geral que é a base das Nações Unidas, não tem consideração nem valor. Não exerce nenhuma influência na vida ou na segurança do mundo. Não exerce uma decisão obrigatória. As decisões do Tribunal Internacional de Justiça, uma instituição jurídica internacional, são aplicadas às nações pequenas e aos países do Terceiro Mundo enquanto os grandes países se recusam a aplicá-las. Aqui, na minha frente, estão as resoluções tomadas pelo Tribunal Internacional de Justiça, indeferidas pelos outros países.

A Agência Internacional de Energia Atômica é uma instituição importante nas Nações Unidas, à qual os grandes países não se submetem. Nós descobrimos que ela está apontada apenas para nós. Vocês não disseram que ela é uma Agência Internacional!? Se fosse internacional, então todos os países do mundo deveriam se submeter a ela. Porem, se não for internacional , fecharemos as portas para ela e não a reconheceremos a partir de agora, a partir deste quadragésimi discurso.

A Assembléia Geral deveria interrogar o Diretor da Agencia de Energia Atomica, “o Baradei “, e seu antecessor, e dizer-lhe: Você inspeciona o arsenal atomico dos Países atomicos? Você monitora o aumento do arsenal ? Você monitora a redução do arsenal?. Se ele disser "Sim, eles se submetem a mim” , então nós também nos submeteremos à Agencia. Mas, se ele disser “ Eu não posso me aproximar das grandes potências que detêm bombas atomicas e elas não se submetem a mim, eu não tenho poder sobre elas”, então que não se aproxime de nós. Nós não a reconheceremos, e fecharemos as portas para ela.

Para seu conhecimento Senhores, eu liguei ao "Baradei", o ex- diretor da agencia, durante a crise da bomba atômica da Líbia e disse a ele : “Ouça Baradei, você está fiscalizando os acordos para redução das armas de destruição em massa , assinados entre os países atomicos? Será que eles realmente reduziram as armas? E se um país aumentou o número de bombas atômicas ou de mísseis nucleares, voce está fiscalizando isso , tem conhecimento disso?". Ele me disse: "De maneira nenhuma, eu não posso perguntar a essas grandes potencias e não posso me aproximar delas”. “Então você inspecionou a nós somente. Saia já , esta não é uma agência internacional, está apontada somente para nós” . O Conselho de Segurança está apontado para nós , assim como a Agencia Internacional de Energia Atomica e o Tribunal Internacional de Justiça também está sobre nós. E eles estão em segurança longe dessas instituições . Esta não é a Organização das Nações Unidas. Isso não é justo. Isso não é segurança, isso é inaceitável.

A África tem direito a um assento permanente no Conselho de Segurança, em merecimento ao passado.

No que diz respeito à África, Sr.Ali Treki, mesmo que a reformulação das Nações Unidas seja feita ou não, inclusive antes da votação das propostas históricas apresentadas por mim agora à Assembléia Geral para votação, a África tem o direito a partir de agora, a um assento permanente com todos os poderes no Conselho de Segurança, como merecimento ao passado, mesmo que a reforma das Nações Unidas não esteja em pauta.

A África é um continente isolado, colonizado e oprimido. Viram o continente como um animal, depois como um escravo e posteriormente como colônias sob tutela. Esse continente, a União Africana, merece um assento permanente como compensação ao passado, exatamente como a China. Este direito não tem nada a ver com a reforma das Nações Unidas. E proposto agora como prioridade. Está sendo proposto imediatamente para decisão da Assembléia Geral.

Que ninguém diga que a África, a União Africana, não é merecedora de um assento permanente. Quem tiver um argumento contra isso que me responda, que argumente comigo. Quem tem uma prova de que a União Africana não mereça um assento permanente, de que o continente africano não o mereça? Ninguém pode responder. Está submetida à Assembléia Geral para votação.

Por que indenizar os paises que foram colonizados? Para que a colonização não se repita. Para que as riquezas dos povos não sejam espoliadas novamente, e para que os cidadãos dessas nações não imigrem atrás daqueles que espoliaram suas riquezas.

Por que os africanos vão à Europa? E por que os asiáticos vão à Europa, e os latino-americanos também? É porque a Europa colonizou a África, a Ásia e a América Latina e usurpou deles ouro, prata, cobre, diamante, ferro, urânio e todos os metais preciosos. Usurpou o petróleo, as frutas, as colheitas, os animais e as pessoas.

Atualmente uma nova geração da África, da Ásia e da América Latina corre atrás destas riquezas. E ela tem tal direito, e nós não fomos capazes de impedi-la.
Quando paro mil africanos que estão indo a Europa nas fronteiras da Líbia e digo a eles: “Aonde vão?”. Eles dizem: “estamos atrás de nossa riqueza que foi espoliada, devolva-nos nossas riquezas, se nos devolvessem as nossas riquezas, nos ficaríamos”.

Quem devolveria a eles suas riquezas? Devolvam a eles suas riquezas. Tomem uma decisão para devolver essas riquezas e para que a imigração cesse, desde as Filipinas até América Latina, Ilhas Mauricio e a Índia. Devolvam-nos as riquezas espoliadas.

A África merece uma indenização no valor de (7,77) trilhões dos paises que a colonizaram. A África exige isto. Se vocês não nos devolverem os 7,77 trilhões, os africanos irão até onde vocês investiram esses trilhões. Eles têm o direito de ir atrás desses trilhões. Devolvam esses trilhões para detê-los.

Não existe imigração da Líbia para a Itália, o pais mais próximo da Líbia. Por que não há imigração Líbia para a Itália? Porque a Itália concordou em indenizar o povo líbio pela colonização, se desculpou. Firmou um tratado com a Líbia, aprovado pelos povos líbio e italiano.

O passado foi encerrado e a Itália reconheceu que a colonização fora um erro, um programa fracassado que não se repetirá. A Itália não permitiria uma agressão por terra, mar ou ar contra a Líbia, seja por parte dela mesma, ou de qualquer outro país, como consta no tratado aprovado pelo parlamento italiano e que prevê que a Itália irá indenizar a Líbia durante vinte anos, período que durou a colonização italiana na Líbia, através do pagamento de um quarto de bilhão anualmente e da construção de um hospital para implante de membros superiores e inferiores aos líbios que perderam seus membros por causa das minas instaladas pela Itália, ou como conseqüência da presença italiana na Líbia durante a primeira e a segunda guerra mundiais.

A Itália lamentou e se desculpou pela colonização e reconheceu ser impraticável um pais ocupar os territórios de outro e permanecer nele, admitindo que esse fosse um erro cometido pela Itália monárquica, a Itália fascista. Esta Itália, a atual, esta na glória. Aquele foi um feito histórico e civilizado realizado na época do Berlusconi e que deverá servir de exemplo.

Para que o colonialismo não se repita.

Por que o terceiro mundo reivindica o seu direito à indenização?!. Para que o colonialismo não se repita, para que todo pais do terceiro mundo ao se tornar forte não deseje colonizar outro país do primeiro mundo quando este tornar-se um pais do segundo ou terceiro mundo, já que esses paises irão reivindicar uma indenização. Então é para se dizer não. Eu não colonizarei este pais, para que assim a colonização não se repita.

Há que punir e incriminar o colonialismo e indenizar aqueles que tiveram prejuízos por causa dele. Aliás, há outro ponto que espero que nos encaremos com paciência, e antes de abordar este ponto há frases que eu direi entre parênteses: Sem dúvida nós, em particular os africanos autênticos, estamos felizes e orgulhosos pelo fato de um filho da África governar os Estados Unidos da América. Esse é um fato histórico. Um dia o negro não entrava em uma cafeteria freqüentada por brancos, não entrava em um restaurante freqüentado por brancos, tampouco em um ônibus de brancos. “Agora, o povo americano votou com um entusiasmo sem precedentes em Obama, o jovem negro queniano, para ser o presidente dos Estados Unidos da América. Isto é magnífico e acreditamos que possa ser o inicio de mudança. Ele usou o slogan da mudança. Mas, para mim, eu considero” Obama” como uma luz para um período de quatro ou cinco anos de escuridão. E depois temo que os velhos costumes voltem.

Quem garantiria os Estados Unidos depois de “Obama”? Quem de vocês garante os Estados Unidos? Você garantiria? . Ninguém dá garantias.

Se “Obama” estiver sempre no poder nos Estados Unidos, estaremos satisfeitos.
Nós não divergimos do discurso proferido por nosso filho “Obama”, anterior ao meu, o qual difere totalmente de qualquer outro presidente americano com quem convivemos. O que os ex-presidentes americanos diziam?. Eis o que falavam: “Lançaremos chumbo fundido sobre vocês e a mãe das bombas. Lançaremos a ira como chuvas de verão, a tempestade do deserto e o trovão. Lançaremos rosas tóxicas sobre as crianças da Líbia”. Em 1986 essa era a lógica. Quando um presidente dos Estados Unidos chegava a este fórum, se dirigia a nós nesses termos, aterrorizando o terceiro mundo: “Lançaremos o trovão sobre vocês assim como fizemos com o Vietnã”. Apontaremos a vocês o trovão arrasador, como fizemos no Vietnã. Lançaremos a tempestade do deserto como foi feito no Iraque. Anunciaremos a Operação Cavaleiro, assim como fizemos contra o Egito em 1956, apesar de, naquele tempo, os Estados Unidos serem contra essa operação. Enviaremos a vocês a rosa tóxica “El dorado”, que Reagan lançou sobre as crianças da Líbia em 1986.

Imaginem o presidente de uma potencia que detém um assento permanente no Conselho de Segurança, com a qual nos sentíamos seguros e achávamos que iria proteger nossa independência e nos defender da agressão, dizer que “havia resolvido lançar rosas tóxicas sobre as crianças da Líbia, e que aqueles que as cheirassem morreriam”.

O que é uma rosa tóxica?. São mísseis dirigidas a laser do porta bombardeiro F.111. Essa era a lógica que prevalecia. Eles diziam: “Lideraremos o mundo e puniremos aqueles que nos desobedecem, quer gostem ou não”.

Agora o discurso proferido por nosso filho “Obama” é totalmente diferente. Ele convoca seriamente a eliminação de armas nucleares, e isso é algo que aplaudimos. Ele disse que os Estados Unidos não podem resolver os problemas do mundo sozinhos. O mundo deverá resolver seus próprios problemas. Ele disse: “a situação que enfrentamos atualmente não pode continuar assim”. Nós nos encontramos, discutimos e depois vamos embora. Nós concordamos com ele. Ele também disse: “as Nações Unidas tem sempre sido um fórum de divergências, onde nos encontramos para atacar-nos mutuamente”. É verdade. Devemos acabar com isso e nos unir em torno de instituições internacionais com igualdade e segurança.

Ele também disse: “não se pode impor a democracia de fora”, enquanto o ex-presidente dizia:” há que se impor a democracia ao Iraque, a..., a... e a... Obama disse: “Esse é um assunto interno. Um país faz ou não faz sua própria democracia. “Todo país tem a sua cultura e seu patrimônio”. É verdade, faltava essa conversa. E, portanto, devemos estar cientes antes de abordar o ponto chave.

Parem um pouco diante desta frase: “Um mundo multipolar”. Será necessário que o mundo seja multipolar? Não poderia ser um mundo com igualdade para todas as nações? Respondam. Alguém tem uma resposta. Diz-se que o multipolar é melhor. Por que não pode ser um mundo de nações com igualdade e sem polaridade. Será que é necessário ter um patriarca? Será que necessário ter Papas? Será que devemos ter deuses?.

Para que ter um mundo multipolar!. Vivemos sob a luta dos pólos. Nós rejeitamos um mundo multipolar. Queremos um mundo com igualdade para as nações, as grandes e as pequenas, sem qualquer polaridade.

A Sede das Nações Unidas

O ponto delicado, senhores, é a sede das Nações Unidas. Todos vocês vieram de ultramar e outros continentes. Atravessaram o Oceano Atlântico, o Oceano Pacifico e os continentes da Ásia, Europa e da África para chegar até aqui. Por quê?. Esta seria a Terra sagrada? O Vaticano? Ou Mecca?. Todos vocês estão cansados e com sono por causa do fuso horário, e extenuados fisicamente.

Alguém acabou de chegar depois de vinte horas de vôo e esperam que ele discurse aqui e fale sobre o destino do mundo. Todos vocês estão com sono agora, todos estão cansados. Para que esse cansaço? Seus países estão dormindo agora, é meia noite agora e vocês estão acordados enquanto deveriam estar dormindo. Hoje eu acordei às quatro horas, antes do amanhecer pelo horário de Nova Iorque, sendo agora onze horas da manhã na Líbia. Considero este horário tarde para mim se acordar às onze horas na Líbia. Estou acordado desde as quatro horas. Pensem, digam , para que o cansaço? Se esta era a situação em 1945, será preciso continuar até agora? Vocês não consideram a possibilidade de uma localização conveniente no centro. Este é o primeiro ponto.

Outro ponto notório é que os Estados Unidos, o país anfitrião, assumiu o ônus de proporcionar segurança à sede das Nações Unidas, às missões permanentes, às dezenas de chefes de estado que vêm aqui todos os anos. Segurança reforçada, despesas e custos. Nova Iorque e os Estados Unidos vivem com os nervos a flor de pele. Eu quero aliviar esta carga. Agradeçam os Estados Unidos e os aliviem desta carga. Digam a eles que agradecemos. Queremos ajudá-los. Queremos que Nova Iorque fique tranqüila, segura. Que os Estados Unidos fiquem tranqüilos, que não assumam a responsabilidade por dezenas de presidentes que vêm aqui. Suponhamos que alguém fosse explodir uma aeronave de um presidente, que um terrorista fosse explodir este edifício. Este prédio, para seu conhecimento, é um alvo para Al – Qaeda. Sim, este prédio. Nós nos perguntamos como ele não foi atacado em 11 de setembro. Não o atacaram, estava fora do alcance deles. Talvez as aeronaves que foram derrubadas estivessem se dirigindo a este local. O próximo alvo será este local. Não estou falando do nada. Temos dezenas de membros de Al-Qaeda detidos na prisão e suas confissões são muito perturbadoras. Isto faz com que os Estados Unidos fiquem com os nervos a flor de pele, tensos com a probabilidade de que este edifício das Nações Unidas seja atacado por uma aeronave seqüestrada, ou por um míssil, resultando na possível morte de dezenas de presidentes.

Queremos livrar os Estados Unidos desta preocupação. Dizer obrigado a eles, queremos ajudá-los e queremos transferir a sede para um lugar que não seja um alvo.

Depois de cinqüenta anos se cogita em transferir a sede a outro lugar do planeta. Cinqüenta anos com a sede nesta metade ocidental basta. Os outros cinqüenta anos podem ser no centro ou no leste do planeta. E desta maneira, alternar a cada cinqüenta anos entre o leste, oeste e o centro.

Completamos agora sessenta e quatro anos, quatorze anos a mais do prazo estipulado para a transferência da sede para outro lugar. Isto não prejudicará os Estados Unidos, ao contrario é um serviço prestado aos Estados Unidos. Agradecemos aos Estados Unidos.

Essa era a situação em 1945 e não pode perdurar até agora. Não aceitamos agora. É isso que está em pauta agora para ser votado pela Assembléia Geral somente, por que o artigo 23 do acordo de 26/7/1947 diz: “Não é permitida a transferência da sede das nações Unidas a não ser por decisão da simples maioria da Assembléia Geral”.

Se 51% da Assembléia Geral concordar com a transferência, então a sede será transferida.

Não somos obrigados a suportar toda esta exaustão, vir da Índia, das Filipinas, da Austrália e de Comores até aqui.

Surpreende-me que meu irmão, o presidente Ahmed, passou quatorze horas no ar para chegar aqui vindo de Comores. Solicitaram que ele viesse discursar nas Nações Unidas. Como que ele iria discursar se seu fuso horário mudou?.

Existem algumas restrições que incomodaram as pessoas que vieram. Os Estados Unidos tem o direito de impor restrições rigorosas por serem um alvo da Al Qaeda, alvo dos terroristas. Os Estados Unidos tem razão e nós não discutimos isso de forma nenhuma. Mas não é necessário que nós suportemos estes procedimentos. Para que? Para vir à Nova Iorque? Não há necessidade de vir à Nova Iorque, e não há necessidade de passarmos por estes procedimentos.

Um presidente reclamou para mim, disse que o informaram que seu co-piloto não poderia entrar nos Estados Unidos por ser uma pessoa não desejável. O presidente retrucou: como que vamos a atravessar o oceano sem co-piloto. Disseram a eles “atravesse o oceano sem co-piloto”. Por quê? Ele não é obrigado a isso, a final das contas pode não vir.

Outro presidente reclamou comigo que informaram a ele que o seu assistente não poderia vir aos Estados Unidos por que o nome dele não estava correto e por isso não foi aprovado. Então ele veio sem o seu assistente.

Outro presidente reclamou por que informaram a ele que havia um problema com o visto de seu médico particular e, portanto não poderia entrar nos Estados Unidos.
Vocês vêem que os procedimentos aqui são muito rigorosos.

Se um país tiver algum problema com os Estados Unidos, claro que eles determinarão a movimentação de seu representante e de sua delegação: vocês podem se movimentar 50 passos nessa direção, 500 metros para se movimentar naquela direção, como se estivessem em Guantanamo.

Isto está proposto à Assembléia Geral para votação, votar sobre transferir a sede ou não.

Se 51% dizerem sim para a transferência da sede, iremos à segunda votação, para votar se a sede será transferida para o centro ou o leste do planeta.
Suponhamos que eles decidam a favor do centro do planeta. Então, as cidades de Sirte e Viena serão candidatas. Vota-se nelas. Querem a sede no centro do planeta, na cidade de Sirte ou de Viena?.

Votem em Sirte. Podem caminhar mil quilômetros em Sirte que ninguém irá impedi-los. Venham com sua aeronave cheia de acompanhantes, mesmo sem vistos, por que enquanto estiverem acompanhando o presidente, estarão autorizados. É um país seguro.

É razoável autorizá-los a andar 500 metros somente?

A Líbia não tem inimizade com ninguém e não é um alvo, da mesma maneira que Viena. Não creio que haja restrições como estas na Viena.
Se a votação for a favor da transferência da sede para o leste do planeta, vota-se na cidade de Delhi, capital da Índia, ou em Pequim, capital da China. Isto, meus irmãos, é lógico, sem objeção nenhuma.

Logo vocês dirão “que Deus o abençoe, foi você quem nos propôs isso”. Que Deus abençoe aqueles que votarem nela.

Teremos nos livrado deste peso de voar por quatorze, vinte ou cinco horas para chegar até aqui. Que ninguém diga que a contribuição dos Estados Unidos ficou menos importante. Para que pensar mal dos Estados Unidos? Os Estados Unidos São um país comprometido para com suas obrigações perante esta Organização Internacional. Os Estados Unidos não se sentirão ofendidos, e não dirão nada. Por que ficar indignado. Ao contrário, eles nos agradeceriam por termos aliviado de seu fardo. Foi bom eles terem encontrado quem lhes dissesse que aliviariam seu fardo, suprimindo essas restrições impostas às delegações e à sede. Alem disso, este prédio é um alvo.

O julgamento da Organização

Examinaremos a seguir as questões que serão investigadas sobre a Assembléia Geral, presidida pelo Dr. Ali Abdel Salam Treki. Agora nós julgaremos, vamos julgar as Nações Unidas. Que ela acabe ou comece como novas nações unidas, do Conselho de Segurança à Assembléia Geral. Esta não é uma sessão ordinária. É uma reunião extraordinária. Inclusive meu filho “Obama” assim o disse antes de mim. Ele disse que a reunião não era ordinária, e sim um encontro histórico.

Em primeiro lugar, por que aconteceram as guerras declaradas após a criação das Nações Unidas? Onde estava o Conselho de Segurança e a Assembléia Geral? Como ocorreram essas guerras? Onde estava a Carta? Há que se investigar e tomar decisões a respeito disso e dos massacres cometidos.

1 – As guerras.

- Comecemos com a Guerra da Coréia, ocorrida após a criação das Nações Unidas. Como aconteceu uma guerra com milhões de vitimas, onde a bomba atômica esteve prestes a ser usada? A guerra da Coréia ainda é uma ameaça iminente, é uma bomba relógio. Então é provável que aconteça uma nova guerra na Coréia, é provável que se faça uso de armas nucleares. É uma questão muito grave . Temos de julgar aqueles que causaram essa guerra, e as suas conseqüentes perdas.
Quem pagaria por isto? Quem fará o julgamento e quem será julgado?

- Abordaremos depois a guerra do Canal do Suez em 1956. Essa guerra tem de ser investigada. Há que se abrir este arquivo para poder fechá-lo. Por que Países detentores de assentos permanentes e com direito a veto atacaram o Egito, outro país membro desta Assembléia Geral das Nações Unidas? O Egito é um estado soberano. Para que destruir suas cidades, seu Canal e seu exército e matar milhares de egípcios? Por ele ter exercido o direito de nacionalizar o Canal do Suez?!.
Como isso aconteceu na vigência das Nações Unidas e da Carta? Como podemos estar seguros de que isso não repetirá se uma punição não for aplicada? É uma questão grave. Os arquivos das guerras da Coréia e do Canal do Suez devem ser abertos, para que possamos encerrá-los.

- E a guerra do Vietnã que vitimou três milhões. Na guerra do Vietnã, ao longo de doze dias foram lançadas muito mais bombas do que as lançadas durante os quatro
anos da Segunda Guerra Mundial. Como podemos ficar calados diante disso? Foi mais horrível do que a Segunda Guerra Mundial.

Nós estabelecemos as Nações Unidas após a Segunda Guerra Mundial e afirmamos que não haveria mais guerras. Mas elas aconteceram. Deixemos passar, é isso?
Esse é o destino do mundo. Não podemos silenciar sobre o destino do mundo.
Como nós, nossos filhos e nossos netos iremos nos sentir seguros no dia de hoje e no dia de amanha?

Estamos aqui na cúpula do mundo. Este é o parlamento do mundo.

- A Questão do Panamá. O Panamá foi invadido. Um país soberano, membro das Nações Unidas, desta Assembléia Geral. Foram mortos quatro mil panamenhos. Seu presidente foi preso. Tratando-se de um prisioneiro de guerra, foi julgado como um criminoso e detido em prisão do outro país. Esse caso deve ser discutido pela Assembléia Geral. Noriega deve ser libertado e esse arquivo deve ser aberto. Como pode um país membro das Nações Unidas dar-se o direito de agredir outro país pequeno das Nações Unidas? Prender o presidente de um país, matar quatro mil cidadãos e transferir o presidente a uma prisão fora do país como se fosse um criminoso. Quem aceitaria isso?

Isto pode acontecer novamente. Não podemos nos calar diante disto. Devemos investigar este caso, sendo que cada um de nós também está sujeito a isso. Todos os países correm risco de passar por isso, especialmente quando a agressão parte de uma nação com assento permanente no Conselho de Segurança, entidade supostamente encarregada de garantir-lhes segurança.

- A guerra de Granada. Esse país, membro das Nações Unidas foi invadido por sete mil soldados, cinco mil navios de guerra e dezenas de aviões de caça, mesmo sendo o menor país no mundo.

Após o estabelecimento das Nações Unidas e a criação do Conselho de Segurança com seus assentos permanentes e direito a veto, esse país chamado Granada foi atacado. O presidente Maurice Bishop foi morto. Como isso pode passar impune? Como? Como pudemos ignorar esta tragédia? .

Devemos decidir se as Nações Unidas existem ou não. Se o Conselho de Segurança é útil ou não. Se estamos no caminho certo ou errado. Se devemos nos preocupar com nosso futuro ou não.

- É preciso investigar em seguida o bombardeio contra a Somália. Um país independente foi atacado na época de Farah Adid. Devemos investigar as conseqüências desse bombardeio, seus motivos e por quem foi autorizado.

- A guerra na Iugoslávia é conhecida. Um país pacífico como a Iugoslávia, que se reconstruiu tijolo por tijolo depois de ser destruído por Hitler. Nós o destruímos novamente como se fossemos o segundo Hitler. Que lástima! A Federação Iugoslava, um país pacífico construído tijolo a tijolo por “Tito”, o herói da paz.

Depois da morte de “Tito”, vocês vieram para dividir e despedaçar a Iugoslávia por interesses imperialistas pessoais . Como podemos nos sentir seguros, sabendo que isso aconteceu com a pacifica Iugoslávia.

A Iugoslávia representa uma ameaça para alguém? De maneira nenhuma. Isso deve ser investigado pela Assembléia Geral, decidindo quem deverá ser mandado ao Tribunal Penal Internacional.

- E a guerra contra o Iraque? “A Mãe das Maiores” será investigada pelas Nações Unidas, pela Assembléia Geral presidida pelo Dr. Ali Treki. Investigar a guerra contra o Iraque. Aqui existem quatro questões muito graves:

A primeira questão é a invasão do Iraque.

A invasão do Iraque em si é uma violação à Carta, sem justificativa, cometida por grandes potencias detentoras de assentos permanentes no Conselho de Segurança.

O Iraque é um país independente, membro da Assembléia Geral. Por que foi agredido? Por que não se aplicou o capítulo da Carta onde se diz para “deter a agressão”? Eu lí para vocês, no início, o que está escrito: “as Nações Unidas detém agressões”. Eis um exemplo. Quando o Iraque invadiu o Kuwait, eles imediatamente recorreram à Carta e disseram que as Nações Unidas deveriam deter a agressão. Todos nós concordamos. Outros países árabes participaram da guerra, ao lado de países estrangeiros, para deter a agressão do Iraque contra o Kuwait. Todos nós fomos contra a invasão. Países árabes lutaram ao lado de países estrangeiros em nome da Carta.

E quando houve a agressão contra ao Iraque, por que não aplicamos a Carta? No primeiro caso, a Carta foi considerada sagrada. No segundo exemplo, a Carta foi jogada no lixo. Foi ignorada por que queriam agredir o Iraque.
Por que as Nações Unidas não detiveram a agressão contra o Iraque? Qual foi o motivo? A Assembléia Geral tem que investigar isso e mostrar ao mundo o motivo da invasão do Iraque.

Por quê? É um mistério ao qual todos nós poderemos ser expostos. Por qual motivo o Iraque foi invadido? A invasão em si é uma violação muito grave.

A segunda questão é o genocídio

Houve um genocídio após a invasão do Iraque. Investiguem o genocídio cometido no Iraque. Mais de um milhão e meio de pessoas foram mortas no genocídio.

Mostrem-nos o Tribunal Penal Internacional para onde mandaremos aqueles que cometeram o genocídio contra o povo iraquiano!.

É fácil dizer ao presidente Al-Bashir que vá ao Tribunal. É fácil mandar Slobodan, Taylor, Habré e Noriega ao Tribunal.

Tudo bem . E aqueles que cometeram o genocídio no Iraque não serão levados ao Tribunal Penal Internacional?

Se o Tribunal está apontado para nós, então rejeitamos esses tribunais, e não os reconhecemos. Ou todos nós nos submetemos ao Tribunal ou não o reconheceremos. Todos nós, grandes e pequenos, devemos nos submeter ao Tribunal Penal Internacional. Se cometermos um erro, seremos levados ao Tribunal. Nós não somos animais num curral sermos mortos nas festas, como eles quiserem. Somos nações com direito a viver, merecidamente na terra e sob o sol. Nações prontas a lutar e morrer e a não viver sob esta situação. Teste-nos.

A terceira questão é a execução.

Por que foram executados os prisioneiros de guerra no Iraque ?

Como se pode executar prisioneiros de guerra? Quando o presidente do Iraque e seu governo foram detidos, os países que ocupavam o Iraque anunciaram que eles seriam prisioneiros de guerra. Vamos julgá-los por terem agido assim. Não se pode julgar e executar um prisioneiro de guerra, ele deve ser libertado após o termino de guerra.

Quem executou o presidente do Iraque? Respondam. Nós sabemos quem foi. Sabe-se o nome, o rosto e a identidade do juiz.

Quem conduziu a execução no dia do Eid Al Adha , a festa do sacrifício , quem responderá? . Pessoas disfarçadas, mascaradas, executaram a pena da morte. Gente, será possível isso ?

Como isso pode acontecer em um mundo civilizado, se eles eram prisioneiros de países civilizados e sob a guarda do direito internacional? Como o presidente de um país e membros do seu governo foram executados por uma quadrilha disfarçada e mascarada com roupas de fantasia?.

Quem foram os executores da pena da morte ? Quem foram eles? Eles tinham competência jurídica, tinham autoridade legal para executar um prisioneiro de guerra ?!.

Sabem o que as pessoas comentam . As pessoas falam que os mascarados eram o presidente norte-americano e o presidente da Grã Bretanha. Que foram eles que executaram a pena de morte do presidente iraquiano e de seu governo. Esta acusação persistirá até ser refutada, sim.

Por que eles não mostraram os rostos? Por que suas patentes e suas identidades não foram divulgadas? Foi um oficial, um suboficial ou um soldado? Um juiz ou um médico? Como é possível executar o presidente de um dos estados membro nas Nações Unidas desta forma ambígua?.

Até este momento não sabemos quem executou a pena da morte no dia do El Eid.
Os responsáveis por isso são os países que ocuparam o Iraque. Prenderam o presidente iraquiano e os membros de seu governo, julgando-os e condenando-os à morte . Mas a execução em si é um mistério até hoje em dia.
As Nações Unidas terão de responder.

Aqueles que irão executar a pena da morte de alguém que tenha sido julgado por uma corte de justiça e tenha sido condenado à morte , tem a mesma autoridade jurídica, as mesmas competências dos agentes supervisores de justiça, eles devem assumir a responsabilidade, seus nomes, patentes e identidades deveriam ser divulgados e a execução deveria ocorrer na presença de um médico e de acordo com todas as condições necessárias para a execução de uma pessoa, mesmo que fosse uma pessoa comum. Então, imaginem tratando-se do presidente de um país membro nas Nações Unidas.

- A quarta questão da guerra contra o Iraque.

Refere-se à prisão de Abou Gharib, uma afronta vergonhosa para a humanidade. Sei que é provável que os Estados Unidos, seu governo e suas autoridades investiguem este escândalo. Mas as Nações Unidas não deixarão este assunto passar. A Assembléia Geral investigará esta questão, a de Abou Gharib, onde os prisioneiros de guerra foram torturados e mutilados, despedaçados vivos pelos cães. Homens eram estuprados, mesmo sendo prisioneiros de guerra. Um ato sem precedência por parte de qualquer pais que tenha ocupado outro pais, sem precedência por parte de qualquer dos dois mundos, inclusive de vocês, nenhum país colonizador e agressor havia feito isso antes de vocês. Nem o diabo faz isso.

Homens, prisioneiros de guerra estuprados na prisão de Abou Gharib, em um país membro nas Nações Unidas, por um estado com assento permanente no Conselho de Segurança.

Que Conselho de Segurança é este?! Esta é uma questão humanitária e não se pode calar sobre isto de forma alguma. Há que ser investigada. Há que se chegar a uma solução para este caso. O mundo deve saber disso.

Ate hoje em dia, irmãos, ainda existem um quarto de milhão de prisioneiros iraquianos na prisão de Abou Gharib, entre homens e mulheres. Vocês viram como eles são tratados. Não podemos nos esquecer ou deixar isto de lado, nunca. Há que se investigar.

- A guerra no Afeganistão também deve ser investigada. Por que hostilizar o Talibã e hostilizar o Afeganistão?. Quem é o Talibã ?

Se o Talibã quiser fazer do Afeganistão um país teocrático, que seja. O que nós temos com isso? É tal como o Vaticano. O Vaticano representa uma ameaça para nós? De maneira nenhuma. É um Estado religioso muito pacífico.

Se os afegãos quisessem fazer de seu país um principado islâmico, que assim seja tal como o Vaticano.

Quem disse que o Taliba é um inimigo e tem de mobilizar exércitos para atacá-lo! Bin Laden é afegão, do Talibã? Não, ele não é. Bin Laden não é do Talibã, nem afegão.

Eram afegãos ou do Talibã os terroristas que atacaram Nova Iorque, esta cidade onde estamos ?. Não, eles não eram afegãos nem do Talibã.
Então por que o Iraque? E por que o Afeganistão?

Se eu quisesse enganar os meus amigos norte-americanos e britânicos, eu não teria dito isto. Eu os teria incentivado, dizendo-lhes para continuarem e mandarem mais tropas ao Afeganistão, aumentar o contingente para que eles se afoguem num mar de sangue, sendo que eles não chegarão a resultado nenhum no Afeganistão nem no Iraque.

Viram o que lhes aconteceu no Iraque, apesar do Iraque ser um deserto com terrenos abertos, então imaginem o Afeganistão ! Montanhas até o dia da ressurreição, ninguém é capaz de derrotá-las .

Se quisesse enganá-los, diria “estão certos, prossigam com a guerra no Afeganistão e no Iraque”. Mas eu quero salvá-los, salvar os filhos dos pobres povos dos Estados Unidos e dos outros países que estão combatendo no Afeganistão e no Iraque. Dizer-lhes para deixar o Afeganistão para os afegãos e deixar o Iraque para os iraquianos. Deixem-nos, mesmo que eles lutem entre si, são livres. Inclusive aqui nos Estados Unidos houve uma guerra civil, quem interviú nela ? Não houve uma guerra civil nos Estados Unidos?. Não houve guerras civis na Espanha, na China e em todos os cantos do mundo !. Deixem que seja uma guerra civil, deixem os iraquianos lutando entre si. Eles são livres. Deixem que os afegãos lutem entre si!.

Quem foi que disse que se os afegãos governassem o Afeganistão, se tornariam uma ameaça? O Talibã têm mísseis transcontinentais? Os aviões que atacaram Nova Iorque, aqui, partiram do Afeganistão, ou do Iraque? As aeronaves decolaram daqui, do aeroporto Kennedy, em Nova Iorque. Então porque fomos atacar o Afeganistão? Eles não eram afegãos nem de Talibã ou iraquianos.

Como acontece isso ? Vamos nos manter calados ? Quem se cala diante da injustiça é um demônio mudo. Nós não somos demônios mudos. É nosso dever porque somos comprometidos com a paz no mundo, com o destino do mundo. Nós não queremos ser levianos para com a humanidade, nem com a raça humana desta maneira.

2 - Os assassinatos

Depois disso, a Assembléia Geral deveria abrir as portas para também investigar os assassinatos.

Investigar novamente o assassinato de “Patrice Lumumba”. Quem assassinou “Patrice Lumumba” e porque? Queremos registrar isto em nossa historia africana e saber como se assassina um líder libertador africano. Quem o matou? Queremos registrar isso na historia para que nossos filhos estudem , na matéria de historia, que o herói “Patrice Lumumba”, o herói da libertação, o africano do Congo, foi morto em tais e tais circunstancias, foi morto por este ou aquele e que depois de cinqüenta anos, por exemplo, o assassino foi condenado. Esse é um arquivo para ser reaberto, revisando os documentos inicias.

Quem matou o Secretario Geral das Nações Unidas “Hammar Skjold”? Quem explodiu sua aeronave em 1961, o mesmo ano do assassinato de “Lumumba”? Quem explodiu a aeronave do Secretario Geral? Como nos calamos diante da morte do Secretário Geral das Nações Unidas. Explodiram seu avião e permanecemos calados. Quem foi que o fez? Quem tinha interesse nisso?.

E a morte de Kennedy em 1963? Devemos abrir o arquivo do assassinato de Kennedy, o presidente norte-americano. Por que e quem o assassinou?. Foi um tal chamado “Harvey Logo”, depois veio um chamado “Jack Ruby” que matou “Harvey”, o assassino de “Kennedy”. Por que o matou? “Jack Ruby”, um israelense , matou “Harvey” que havia assassinado “Kennedy”. Por que aquele israelense matou o assassino de “Kennedy” ?

Logo depois, “Jack Ruby” , o assassino do assassino de “Kennedy” faleceu em circunstancias misteriosas antes de seu novo julgamento. Por quê?!.

Voltem aos arquivos, saberemos com certeza. Que eu saiba e o que mundo talvez saiba e o que estudamos na história, é que “Kennedy” havia decidido inspecionar o reator nuclear israelense “Dimona” para averiguar se continha bombas atômicas ou não, e por este motivo foi eliminado.

Já que a questão trata de um assunto internacional como este, que diz respeito à paz mundial e às armas de destruição em massa, deve-se por tanto investigar o assassinato de "Kennedy".

Abram o arquivo de “Martin Luther King”, o pastor negro que invocava os direitos da pessoa humana, e cujo assassinato foi um complô. Deve-se reabrir este arquivo, descobrir quem o assassinou e puni-lo.

E o assassinato de “Khalil Al- Wazir” , “Abou Jihad”, o palestino ? Ele foi atacado enquanto estava na Tunísia, um país soberano e membro desta Assembléia Geral. Ele morava na capital, em segurança. Foi atacado por quatro navios de guerra, dois submarinos e dois helicópteros. A independência daquele país foi desrespeitada para assassinar “Khalil Al-Wazir” . Como podemos calar-nos diante de uma questão como esta? Isso significa ficarmos rotineiramente vulneráveis, vendo submarinos e navios de guerra zarpando em nossa costas, levando embora a quem quiser , sem sequer puni-los ?.

Depois, aconteceu uma operação chamada de “Operação Alfaradan”, ou “Operação Fonte da Juventude” . Naquela operação foram assassinados o poeta “Kamal Nasser”, “Kamal adwan e “Abou Yousef Al-Najar” . Três palestinos foram atacados em um país árabe, membro desta Assembléia Geral das Nações Unidas: o Líbano. Eles viviam seguros em sua capital. Foram atacados e mortos. Há que saber quem executou esta operação e puni-los, para que não se repitam estes atos absurdos contra seres humanas.

Como foi assassinado “Maurice Bishop”e como aconteceu a agressão contra a Granada ?.

Já falamos como Granada foi atacada, com quantos navios de guerra e com quantos soldados . Dissemos que Granada foi atacada por sete mil soldados, quinze navios de guerra e dezenas de aviões de caça carregados de bombas . Seu presidente “Bishop” foi morto, mesmo sendo um país membro desta Assembléia.

Não podemos calar-nos diante desses crimes, se não todos nos seremos oferendas, e todo ano chegará a vez de cada um de nós. Nós não somos animais amarrados para sacrifício. Nós defendemos nossa existência. Defendemos a nós mesmos, nossos filhos e nosso netos. Nós não estamos com medo. Temos o direito à vida. Este planeta não foi feito para as grandes potências, meu Deus o fez para todos nos. Viveremos humilhados nele? De maneira nenhuma .

3 – Os horríveis massacres.

O massacre de Sabra e Shatila vitimou três mil pessoas. Aquela área estava sob a proteção de exército israelense. Homens, mulheres e crianças foram massacrados, a maioria delas palestinos. Três mil. Como nos mantermos calados ? . O Líbano é um país independente e membro desta Assembléia, foi ocupado, o controle sobre Sabra e Shatila foi tomado e três mil pessoas foram massacradas.

Depois o massacre de Gaza em 2008. Para sua informação, as vitimas daquele massacre contabilizaram mil mulheres entre feridas e mortas, e duas mil e duzentas crianças. Significa três mil e duzentas entre mulheres e crianças somente. Foram destruídas cinqüenta instituições das Nações Unidas, desta Assembléia, e trinta instituições não governamentais, organizações internacionais de ajuda humanitária. Foram mortos 40 médicos e enfermeiros enquanto exerciam seu trabalho humanitário. Isto aconteceu no massacre de Gaza no mês de dezembro de 2008. Os autores daquele crime ainda estão vivos e devem ser levados ao Corte de Justiça Internacional. Ou será que os países pequenos, os países do terceiro mundo são os únicos a serem levados ao Tribunal Penal Internacional, e esses protegidos não?!.

Se o Tribunal não é internacional, então nós também não o reconhecemos. Mas se for internacional, então todos deverão se submeter a ele.

Já que as decisões do Corte Internacional de Justiça não são respeitadas nem executadas, a Agencia Internacional de Energia Atômica não é para todos os países e a Assembléia Geral existente não é nada , e já que o Conselho de Segurança é monopolizado como uma segurança feudal, então o que são as Nações Unidas ? Nada. Quem são as Nações Unidas ? Onde estamos ? Não há Nações Unidas.

Outras questões a serem apresentadas à Assembléia Geral

1 – A pirataria.

É um fenômeno que pode se espalhar a todos os mares, tornando-se uma ameaça semelhante ao terrorismo. Estou falando agora da pirataria Somali. Eu afirmo a vocês que os somalis não são piratas. Somos nós os piratas. Nós é que extinguimos os peixes, afetamos o sustento dos filhos dos somalis, prejudicamos suas águas e sua economia, suas águas territoriais. Todos os navios da Líbia, Índia, Japão, Estados Unidos e de qualquer outro país do mundo, todos nós somos piratas. Nós agredimos as águas da Somália. Depois da Somália ter sucumbido, viemos para destroçá-la . Os somalis, com o objetivo de defender seus recursos pesqueiros, seu sustento e o sustento de seus filhos, tornaram-se piratas para garantir sua sobrevivência. Eles não são piratas. Eles defendem o sustento de seus filhos e agora vocês querem resolver essa questão de forma equivocada, mandando navios de guerra para atacar os somalis. Não, mandem navios de guerra para atacar os piratas que usurparam as riquezas dos somalis e o sustento de seus filhos. Quando acharem um navio estrangeiro de pesca, vão até lá e ataquem-no. De todas as maneiras, eu me reuni com os piratas e disse a eles “eu faria um tratado entre vocês e o mundo, um acordo: primeiro que o mundo respeitasse as águas comerciais da Somália, uma extensão de duzentas milhas marítimas, conforme o Direito do Mar, sendo que toda a riqueza marítima dessa área é garantida ao povo da Somália.

Em segundo lugar, todos os países irão se abster de jogar lixo tóxico nas águas da Somália e nas costas da Somália, e, em contrapartida, os somalis parariam de atacar os navios.

Vamos elaborar este tratado, um acordo a ser apresentado por nós à Assembléia Geral das Nações Unidas. A solução seria esta , e não mandar mais navios para atacar os somalis. O pior e o mais grave é que eles mandaram navios de guerra para proibir os somalis de sair de seus portos para pescar alimentos para seus filhos.

2 – Medicamentos gratuitos.

Nós lidamos com a pirataria de forma errada. Lidamos errado com o terrorismo. Lidamos com as doenças de maneira equivocada. Como lidamos com as enfermidades de maneira errada?

Se há vacina especifica para uma doença que se propaga, como a gripe suína - e talvez futuramente tenhamos a gripe do peixe – vende-se a preço muito caro, já que as indústrias do serviço de inteligência trabalham na sua produção. Isso significa comércio. Eles fabricam o vírus e o propagam pelo mundo para que as empresas capitalistas obtenham lucros com a venda dos medicamentos. Isso é uma vergonha, tenham piedade. Vacinas não se vendem. Medicamentos não se vendem. Leiam o Livro Verde, ele proíbe a venda dos medicamentos. Os medicamentos não são para ser vendidos. Declarem e assegurem que os medicamentos e as vacinas serão gratuitos. Os vírus não irão se propagar porque eles os criam para produzir vacinas e para que as empresas capitalistas obtenham lucro. Essa forma de lidar com o assunto é errada. Que se declare que os medicamentos serão gratuitos e não para venda. Mesmo se os vírus forem reais, não devemos vender as vacinas. Devemos distribuí-las gratuitamente. O mundo empenha esforços e fabrica essas vacinas para se salvar. Isso tudo está em arquivos e as questões pertinentes serão discutidas pela Assembléia Geral das Nações Unidas, que não tem agora outra tarefa a não ser esta.

3 – A Convenção de Ottawa sobre a proibição de minas.

A Convenção de Ottawa proíbe a fabricação, o transporte e o comércio de minas... etc.

Isso é errado. As minas não são um meio ofensivo e sim um meio defensivo.
Uma mina não se move e não ataca. Ela permanece no lugar onde foi instalada, a não ser que alguém pise nela. Porque chegar à mina? Eu quero instalar minas nas fronteiras de meu país. Se você invadir minhas fronteiras, então que se amputem sua mão e sua perna. Rogo-lhes que os países signatários revoguem a Convenção de Ottawa.

Isso está na internet, no site de Al Khaddafi, onde diz “esta Convenção ou se cancela ou se modifica”.

Querem nos privar inclusive das minas anti-pessoas . Eu quero instalar uma mina em frente à minha casa e em frente à minha fazenda. É um meio defensivo, não ofensivo. Eliminem as bombas atômicas e os mísseis transnacionais!.

4 – A solução está em um único Estado: “ISRATINA”.

Quanto à questão palestina, a solução de estabelecer dois estados é impossível. Peço-lhes, por favor, para não falar desta solução.

A solução reside no estabelecimento de um único estado democrático para os judeus, os palestinos, os muçulmanos, os cristãos e outros, tal como ocorre no Líbano.

Dois estados significam uma solução impraticável. Não é viável. Não existem dois estados vizinhos. Eles são desde agora totalmente interligados. A divisão inevitavelmente fracassará, porque em primeiro lugar estes dois estados não são vizinhos, mas interligados e despedaçados em termos de população e geografia. São interligados entre si, não existem dois estados e não há como criar uma zona de separação entre eles por que a extensão da área não é vasta o bastante para viabilizar tal opção.

Há meio milhão de israelenses, colonos na Cisjordânia, e há um milhão e meio de palestinos vivendo no chamado “Israel”. Portanto, como iremos estabelecer dois estados?.

O mundo deverá se inclinar ao estabelecimento de um único estado democrático, sem intolerância religiosa, nacional ou lingüística, porque a intolerância é reacionária. Foi-se o tempo desta conversa , isso é passado, acabou-se.

Essas idéias são da “Guarda Ferrenha”, são idéias de uma terceira guerra mundial, tal como “Yasser Arafat” e “Sharon”. A era deles já se acabou. A nova geração quer um único estado democrático e nós devemos empenhar todos os esforços para conceder a eles um único estado, onde todo o mundo possa viver em paz.

Vejam os jovens palestinos e israelenses. Eles querem a paz, querem viver em um único estado. Acabemos com essa dor de cabeça que está destruindo e envenenando o mundo inteiro.

Eis aqui o Livro Branco. Nele está a solução: O Estado de “Isratina”.

Os árabes não têm inimizade com os israelenses, seus primos. Convivem pacificamente com eles. Que voltem os refugiados palestinos e vivam em paz em único estado. Foram vocês que acabaram com os judeus, vocês que fizeram o Holocausto. Vocês construíram as câmaras de gás na Europa. São vocês que odeiam os judeus, não nós. Nós os acolhemos e protegemos na época dos romanos, na época que estavam sendo expulsos da Andaluzia e durante a guerra de “Hitler” e dos gases tóxicos. Os gases do genocídio.

Nós os protegemos. Vocês os expulsaram, disseram a eles que viessem lutar contra os árabes. Vamos expor a verdade. Nós não somos inimigos dos judeus, nossos primos. Um dia os judeus irão precisar dos árabes, e os árabes não irão proteger-lhes no futuro como fizeram no passado.

Vejam o que “Titus” fez, o que “Hadrin” fez, o que “Eduardo I” e o que “Hitler fizeram com os judeus”. Vocês odeiam os judeus, vocês odeiam o semitismo.

5 - A questão de Caxemira .

Resumindo, não existe outra solução para a questão de Caxemira a não ser tornar-se um estado independente situado entre a Índia e o Paquistão. A Caxemira não pode ser indiana ou paquistanesa e assim acaba-se com este conflito.

6 - O problema de “Darfour”.

Quanto ao problema de Darfour , espero que a ajuda das organizações internacionais, das quais tanto falam, se transformem em projetos de desenvolvimento industrial, pecuário e agrícola . Darfour vive agora em paz, não há guerra. Foram vocês que deram dimensão ao problema para poder intervir e poder se instalar. Vocês sacrificam o povo de Darfour por causa do petróleo.
Por que eu digo que devemos investigar estas questões? Porque no passado vocês já tinham levado o problema de “Al-Hariri”, que Deus o tinha em sua misericórdia, às Nações Unidas. Por que o fizeram ?.

Querem sacrificar o sangue de “Al-Hariri” e se aproveitar do corpo dele para vendê-lo e assim acertar as contas com a Síria!. O Líbano não é então um país independente com procuradoria Geral, leis, tribunais e policia para poder chegar aos autores do crime?!.

Mas, da forma como as coisas foram feitas, o objetivo não era chegar aos autores do crime, o objetivo era acertar as contas com a Síria, sacrificando assim o caso de “Al-Hariri”. Desta forma não chegaremos a nenhum resultado no que diz respeito ao caso de “Al-Hariri” .

E os casos de “Abou Iyad” , de “Khalil Al-Wazir”, de “Kennedy”, “Lumumba” e de “Hammar Skjold” , serão levados às Nações Unidas, como os outros casos !
De todas as maneiras, a Assembléia Geral é presidida pela Líbia, como é seu direito. O que a Líbia poderá fazer é ajudar o mundo para avançar de uma etapa a outra , mudar deste mundo que está confuso ,este mundo doloroso, miserável,com medo, aterrorizado e ameaçado, para um mundo humano com paz e tolerância.

Eu vou acompanhar este trabalho com a Assembléia Geral, com o Dr. Treki e com o Secretário Geral das Nações Unidas. É porque nós não somos complacentes nem omissos com o destino do mundo.

A luta da humanidade é para viver em paz e a luta do terceiro mundo, em particular dos cem pequenos países, é para viver merecidamente sob o sol e na terra. Nossa luta continuará até o fim.

Que a paz esteja convosco.

Pro. salem Al  zubeidy