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Este
Livro Branco apresenta o problema de modo sério, objectivo e
neutro. Aspira a uma solução final e justa ao persistente
“Problema do Médio Oriente”, como é conhecido, e aspira
livrar a região dos efeitos desastrosos da violência, guerra
e destruição.
O trabalho inclui pontos de vista e conceitos já antes
apresentados, tanto pelos Árabes como pelos Judeus. Além de
projectos internacionais que apoiam e justificam a solução
proposta neste trabalho, não existe nenhum outro conceito
que poderá resolver o problema.
Palestina:
Este é o nome que se encontra registado na História e
Escrituras do país. Deriva do nome dos habitantes
originários, os Filistinos, que o Antigo Testamento, o Livro
de Génesis, Deuteronómio e Josué reconhecem. O Antigo
Testamento regista os nomes, inter-alios, do Anakim, Refaim,
Canaanitos, Jebusitos, Hitites e os Fenícios, e o Livro de
Êxodo afirma explicitamente, “Quando o Faraó deixou partir o
povo, Deus não os conduziu pelas terras dos Filistinos...
O nome da Palestina persistiu durante o Mandato Britânico,
reconhecido por vários projectos e acordos. É um facto
reconhecido até pelos fanáticos do Movimento Sionista; por
exemplo, Shmuel Katz, fundador do Movimento Sionista Herut e
um dos chefes da Organização Militar Nacional Etzel,
escreveu, “O nome da Palestina consta em todas as
instituições Sionistas do Mundo”. Seus exemplos incluem o
Banco Sionista “Anglo-Palestina”, a Fundação do Fundo Judeu,
e a Fundação do Fundo Palestiniana, que era Judeu. Anotou,
que na Diáspora, as canções da Palestina eram hinos
Sionistas, e como emigrantes em países estrangeiros, os
Judeus celebraram a Festa de Tabernáculos como sendo a Festa
Palestiniana de Tabernáculos. O jornal “Palestine Post”, que
teve o nome de al-Barid al-Filistini, era um jornal
Sionista, o porta-voz da Federação Sionista. “O nome da
Palestina só foi substituído após o estabelecimento daquilo
que ficou a ser chamada o Estado de Israel”.
Shmuel Katz admitiu que a língua Hebraica só foi utilizada
no Século X. Até o Presidente Roosevelt dos Estados Unidos
da América respondeu ao Príncipe Abdallah da Jordânia em
Março de 1944, escrevendo, “No que diz respeito à Palestina,
tenho o prazer de comunicar que os Estados Unidos da América
não tencionam tomar qualquer decisão para mudar a situação
na Palestina, sem total consulta dos Árabes e dos Judeus”.
De modo geral, não obstante o nome, a história da Palestina
encaixa no perfil dos outros países da região: um país
habitado por diferentes povos, cuja governação passa
sucessivamente entre as tribos, nações e grupos étnicos, uns
dos quais eram imigrantes e outros invasores, um país que
foi testemunha das numerosas guerras e ondas da imigração
humana de todas as direcções.
Do ponto de vista histórica, portanto, ninguém tem o direito
de afirmar que a terra é sua, porque isso seria mais do que
uma reclamação sem fundamentos. Se não existe um único
partido que pode reclamar o direito a uma parte da
Palestina, também não podem reclamar qualquer outra parte.
Um Estado para os Judeus:
A ideia original foi criar um estado Judaico com o objectivo
de proteger os Judeus, uma ideia inicialmente adoptada por
Theodor Hertzl, entre outros, em tempos recentes. O motivo
imediato foi a perseguição que os Judeus foram sujeitos,
especialmente na Europa, antes do tempo do Hitler.
O Chipre, a Argentina, a Uganda, a Al Jabal Al Akhdar, a
Palestina e o Sinai foram propostos para serem locais para o
estabelecimento do Estado Judaico como modo de livrar a
Europa dos Judeus. Portanto a Palestina não é
necessariamente ou inevitavelmente a pátria dos Judeus.
A Declaração de Balfour:
O motivo essencial da Declaração era livrar a Europa dos
Judeus em vez de expressar simpatia por eles.
A Perseguição dos Judeus:
Os Judeus são um povo infortunado. Tem sofrido muito nas
mãos dos governos, líderes e outros povos desde dos tempos
antigos. Porque? Porque essa é a vontade de Deus, tal como
ilustram os relatos de Faraós do Egipto, e o seu tratamento
nas mãos dos governantes da Babilónia, imperadores Romanos,
desde Tito a Adriano, e os Reis da Inglaterra, como Eduardo
I. Os Judeus foram banidos, cativos, massacrados e
perseguidos em todas as maneiras às mãos do Egípcios,
Romanos, Ingleses, Russos, Babilónios, Canaanitos e, mais
recentemente, às mãos de Hitler.
Os Árabes e os Judeus:
Não existe inimizade entre os Árabes e os Judeus. De facto,
os Judeus são primos Adanitos dos Árabes do lado paterno,
dos descendentes de Abraão, que a paz esteja com ele. Quando
os Judeus foram perseguidos, os seus irmãos Árabes
convidaram-nos a viver com eles na cidade de Al-Madinah,
dando lhes a terra de Wadi al-Qura, assim chamado em
referência às aldeias Judaicas (Al-Qura). Com o aparecimento
do Islão sob o Profeta Mohamed, que a paz e benção esteja
com Ele, os Judeus acharam que o profeta não lhes pertencia
e era hostil e repugnante em relação a Ele. Sucederam
ataques, assim como houve ataques contra os povos de
Quarish, que recusaram aceitar o Islão e contra os Árabes
que inicialmente aceitaram o Islão mas subsequentemente o
rejeitaram. Os Judeus juntamente com os Árabes foram
expulsos da Andaluzia no final do Século XV, e refugiaram-se
nos países Árabes, dando origem aos bairros Judeus em todos
os países Árabes. Viveram aí, em paz e amizade com seus
irmãos Árabes.
Propostas de Estado Único
Propostas Britânicas
A- Walkhope
A Proposta do Alto-comissário Britânico na Palestina no
início dos anos 30, indica a criação de um Conselho
Legislativo Palestiniano composto por 11 Muçulmanos, 4
Cristãos e 7 Judeus, em proporção da demografia da Palestina
na altura.
B- Newcomb
i) Estabelecimento de um Estado independente e soberano da
Palestina.
ii) Liberdade sectariana expansiva.
iii) Liberdade municipal expansiva.
iv) Descentralização.
C- Documento Branco Britânico de 1939
i) Estado independente federal da Palestina.
ii) Conselho Consultivo composto por Árabes e Judeus.
iii) Conselho Executivo composto por Árabes e Judeus.
D- Lorde Morson
i) Governo Central.
ii) Quatro áreas administrativas: área Árabe, área Judaica,
Jerusalém e o Negev.
iii) Governo Local e Conselho Legislativo para cada área.
Todas essas propostas foram rejeitadas por razões
não-substantivas: por exemplo, a não-satisfação do tamanho
das áreas ou cidades atribuídas para um lado, divergências
sobre a duração do mandato Britânico, ou assuntos
relacionados com o número de imigrantes.
Propostas Sionistas
1) A primeira proposta foi avançada pela chamada “Federação
da Paz”, dirigida pelo Rabi Benjamin, propondo um estado de
duas nações. Os Judeus foram avisados que a não-aceitação de
um estado de duas nações não trará a paz para eles. Tal como
previsto, foi exactamente isso que aconteceu.
2) A solução confederal ou federal proposta por Mieer Imit,
um líder de destaque do Movimento Sionista e a Organização
Hagana, titular de varias posições militares de renome,
membro de Knesset e Ministro, e titular de outras posições.
Este acredita que a concessão estratégica das terras
ocupadas que naturalmente seriam territórios como Sinai,
Golan, Margem Ocidental e Gaza, significava ganhos tangíveis
para os quais não haverá compensação. Apesar do Egipto ter
oferecido tais ganhos a situação estava sujeito a mudança
repentina. Debateu a possibilidade de estabelecer um estado
federal dando como exemplos da União Europeia, os Estados
Unidos da América que, de acordo com ele, teve 13 anos de
caos até 1789; a Nigéria, um estado multidenominal e
multinacional, do seu ponto de vista. Escreveu que existe na
Palestina as considerações económicas, militares,
geográficas e históricas que motivam tal solução.
Apontou também que a criação de um estado independente da
Palestina constitui um grave perigo. Para evitar tal perigo,
um estado único federal devia ser criado. “O problema da
Jerusalém”, ele escreveu, “pode ser resolvido simplesmente
em torná-la a capital de uma união federal”.
3) Proposta dos Sionistas Alemães. A 12ª Conferência dos
Sionistas Alemães (A Escola Estrutural), reuniu-se em 11 de
Setembro de 1921, e adoptou o conceito da criação de um
estado único para as duas partes. “Estabelecendo, dessa
forma, um lugar numa aliança com o povo Árabe- Palestiniano
para segurança conjunta num estado em desenvolvimento. A sua
estrutura garante o desenvolvimento nacional de cada pessoa
de ambos os povos sem ingerências”.
Propostas Árabes
1) Primeira Proposta do Rei Abdallah
i) Um Reino.
ii) Administração seleccionada pelos Judeus nas áreas
habitadas por estes.
iii) Um Parlamento, onde os Judeus seriam representados em
proporção da sua parte demográfica.
iv) Gabinete Misto.
2) Segunda Proposta do Rei Abdallah
A divisão da Palestina entre Líbano, Jordão e Egipto, com o
restante deixado ao Judeus.
3) A Proposta de Nuri Al-Said de 1942
i) Um único Estado
ii) A Autonomia Judaica dentro desse Estado.
Todas as propostas antes de 1948 dizem respeito ao Estado
Único e algumas propostas para os Judeus eram iguais às que
os Palestinianos recebem hoje, em termos da autonomia e
divisões de terra, etc.
A não aceitação da ideia de um estado único é portanto em
erro histórico que está por detrás da tragédia actual. A
declaração estabelecendo um único estado por uma parte para
seu benefício próprio é igualmente um erro. O conceito da
divisão falhou e acontecerá novamente.
Antes de 1948, os Judeus eram vistos do mesmo modo como os
Palestinianos são vistos hoje. Eram uma minoria na
Palestina, que alimentava ilusões à autodeterminação num
dado momento e obtenção das áreas Judaicas noutro. Os
Palestinianos foram uma maioria, motivo porque rejeitaram a
tão conhecida resolução da divisão de 1947. Após 1948, a
situação reverteu-se, os Palestinianos tornaram-se numa
minoria em consequência das guerras de 1948 e 1967, os
Judeus ficaram em maioria dentro das áreas da chamada
Israel, tendo intimações de autodeterminação. Houve áreas
árabes e divisões feitas aos Árabes, do mesmo modo que foram
previamente feitas aos Judeus.
A Solução Histórica Final Proposta Neste Livro Branco
A razão para a explicação das várias propostas foi
demonstrar que a ideia do estado único da Palestina
encontrava-se sobre a mesa de negociações e que a rejeição
dessa solução seria a causa da tragédia actual na região. A
alternativa à solução de um estado único é a que se verifica
hoje.
Dois Estados: Riscos e Desilusões
O sábio e Brigadeiro Israelita que serviu como comandante
militar da Margem Ocidental de 1974 a 1976 disse uma vez que
não era possível aceitar a divisão da Palestina ou concordar
a uma governação estrangeira do território Israelita.
Justificou a sua recusa com os seguintes factos que, apesar
de críticos, não podem ser ignorados.
A Margem Ocidental é uma área montanhosa com a largura de
50km e uma altura de 1000 metros. Encontra-se sobre o
coração vital de Israel – o plano costeiro tem uma largura
de 20 km. 67% da população de Israel vive nessa área que
também detém 80% das indústrias de Israel. A presença de uma
outra parte na Margem Ocidental, não pode ser aceite porque
seria uma ameaça directa ao coração de Israel.
O Brigadeiro Mieer Bael é um tolerante aderente da esquerda
Sionista e membro do Conselho de Paz. No entanto afirma e
sublinha, “O nosso direito da Margem Ocidental é histórico e
muitos acreditam que é “o coração da nação Judaica”. O nosso
direito de o manter está sagradamente vincado nas tradições
e direitos religiosos e históricos, que o povo de Israel
acredita.”
O mesmo argumento está a ser levantado por a Margem
Ocidental não ser concedida, baseada em motivos críticos por
Arie Shalev, um sábio e Brigadeiro, “Se perdêssemos a Margem
Ocidental,”, escreveu, “a largura de Israel entre o Tulkarem
e a Natanya seria somente de 15km e 14 km entre a linha
costeira da Qalqiliyah e da Hertsalia. Assim Israel ficaria
exposto em face de qualquer ameaça devido à falta de
profundidade estratégica. Em caso da guerra na Margem
Ocidental, se um exército Árabe chegasse à linha costeira,
Israel ficaria dividida em duas ou três partes”.
“Mesmo sem guerra, Israel ficaria sob a ameaça constante da
Margem Ocidental e o espaço aéreo Israelita ficaria sob
controlo da Margem Ocidental.
Continua afirmando, “Para garantir a segurança de Israel, a
Margem Ocidental deve ser dividida em três posições
defensivas, nomeadamente o Ghur e o Rio Jordão, sopé das
montanhas de Samaria e o deserto de Judia, e os altos picos
que ligam Jenin, Tobas, Nablus, os montes de Lafuna,
Ramallah, Jerusalém, Belém e Tikwa” e ainda as linhas fixas
de defesa no sul da Faixa de Gaza.”
“Qualquer área que divide os Palestinianos e os Israelitas
não será uma fonte de segurança para Israel. De facto
constituirá uma ameaça para a sua segurança.”
No entanto, apontou, “As políticas de Israel têm envenenado
as ideias Sionistas de transformar o país num estado de duas
nações.”
O Professor Shlomo Evneri afirmou, “O conflito
Israelita-Palestiniano difere em relação aos conflitos dos
Séculos IX e XX, que são essencialmente disputas de
fronteiras, apesar de alguns durarem mais de 100 anos. No
entanto, o conflito Israelita-Palestiniano difere em relação
aos mesmos. É uma luta entre dois movimentos e cada um
acredita que o mesmo território é seu ou que faz parte da
sua nação. Assim, os Palestinianos acreditam que aquilo que
é agora chamado Israel faz parte da sua nação mesmo se
consigam assegurar a Margem Ocidental e a Gaza. Do mesmo
modo, os Judeus acreditam que a Margem Ocidental é Samaria e
Judia, parte da sua pátria, mesmo se um estado Palestiniano
aí for criado.” Prossegue, escrevendo sobre a Margem
Ocidental, “Para os Judeus, é uma pátria histórica, terra de
uma herança gloriosa e terra da salvação.”
O Professor Evneri continua “Para os Árabes”, é a sua terra,
que governaram como Árabes e Muçulmanos desde do Século VII.
A maioria dos seus habitantes é Árabe Muçulmano e forma
parte de uma pátria Árabe mais vasta, estendendo do Golfo
até ao Oceano Atlântico, nada diferente do Iemen ou do
Iraque”. Apontou também que os Árabes chamaram a esta terra
Palestina ou Sul da Síria. Em contraste, o Movimento
Sionista chama-lhe a Terra de Israel. Ele escreve “Em tal
situação, qualquer um dos movimentos deve destruir o outro,
ou deve-se chegar a um compromisso. O compromisso é o
estabelecimento de um Estado para todos, que permite cada
parte sentir que vive em todo o território em disputa e que
não está privado de qualquer parte da mesma. O
reconhecimento de autodeterminação da Palestina significa
nada mais do que a definição da área da actividade permitido
por Israel, que é contrario à solução uma vez que (ele
acredita) isso não é nenhuma solução.”
O Professor Evneri escreve também, “Não apoio o
estabelecimento de um Estado Palestiniano na Margem
Ocidental e na Faixa de Gaza, porque não é possível tirar a
identidade Palestiniana de um milhão de Palestinianos que
vivem a leste da Jordânia. Um estado Palestiniano na Margem
Ocidental e na Faixa de Gaza não pode resolver o problema
dos refugiados, mesmo dos que se encontram no Líbano e na
Síria.... qualquer situação que mantém a maioria de
Palestinianos nos campos de refugiados e não oferece uma
solução honrada dentro das fronteiras históricas
territoriais de Israel/Palestina, não é uma solução. Mesmo
se houvesse um Estado Palestiniano na Margem Ocidental e na
Faixa de Gaza e se os Palestinianos estivessem dispostos a
viver em paz com o Israel, sob qualquer liderança
conciliatória excepto da Organização da Libertação da
Palestina (OLP), isso não seria uma solução, uma vez que não
enfrenta o problema dos refugiados e da repatriação, ainda
que só para acomodar os refugiadas do Líbano na Margem
Ocidental e na Faixa de Gaza, porque essa área não consegue
receber tais números.
Yahu Shifat Herkabi, um estratega e sábio Sionista,
professor universitário, especialista do conflito
Árabe-Israelita e autor de vários livros, escreve, “A
aceitação pela Organização da Libertação da Palestina de um
estado Palestiniano na Margem Ocidental é mais do que uma
postura táctica de resolver as disputas com Israel. Exige
mais - Haverá uma luta para atingir os objectivos. A
aceitação de um estado na Margem Ocidental e na Faixa de
Gaza só adia a continuação da luta para uma fase posterior.
“As Zonas Desmilitarizadas são experiências amargas e
falidas porque tornam fraco o controlo dessas áreas, e é uma
forma de provocar a luta e não um factor da estabilidade.
“O criação de um estado Palestiniano independente também
põem fim ao sonho de Israel de se tornar na Grande Israel, e
força os Palestinianos a concederem o resto da Palestina.
Tal estado ficaria cada vez mais exposto à ingerência por
parte da Jordânia e dos Israelitas nos seus assuntos
internos, que inevitavelmente conduzia a violência.”
Mati Steinburg, professor da Universidade Hebraica, escreve,
“Qualquer Acordo com o objectivo de criar um Estado
Palestiniano na Margem Ocidental/Faixa de Gaza, não seria
interpretada, em circunstância nenhuma, como sendo uma
concessão em lugar do objectivo final..... O Acordo não
seria mais do que um curto estado no âmbito da teoria
convencional, que não muda”.
Este Professor Sionista teme que um acordo de
autodeterminação se refira também aos chamados Árabes de
Israel e Palestinianos da Jordânia.
A SOLUÇÃO HISTÓRICA FUNDAMENTAL
Isratina: Um Estado Único para Judeus e Palestinianos
Pré-Requisitos
Do mesmo modo que é permitido o regresso dos Judeus que não
são habitantes originários da Palestina e cujos antepassados
não foram habitantes originários do país, deveria também ser
permitido o regresso, caso queiram, dos refugiados e
deslocados Palestinianos de qualquer ponto do globo. Essa
justificação é mais persuasiva, dado que os Judeus insistem
em como os Palestinianos não foram por eles expulsos mas sim
que fugiram das suas casas acreditando na campanha da
Propaganda. É suficiente anotar que um dos mais conhecidos
fanáticos, Shmuel Katz, membro do primeiro Knesset, e chefe
do Movimento Herut e da organização Militar Nacional Itzel,
citou as palavras de Glubb Pasha: “Os cidadãos Árabes foram
sequestrados com terror e fugiram das suas aldeias sem
estarem expostos à qualquer ameaça durante a guerra.”
Shmuel sugere que foi assim que a mentira emergiu para os
Judeus expulsarem forçosamente os Árabes das suas aldeias.
Escreve, “Os correspondentes que cobriram a guerra de 1948,
maioria dos quais eram hostis aos Judeus, descreveram que os
Árabes fugiram. Mas não disseram que a sua fuga foi forçada.
Nem sequer sugeriram isso”. Assim Shmuel reconhece o
fenómeno da fuga. Reconhece também que tal ocorreu numa
escala significativa. Reconhece também que foi uma fuga
maciça de camponeses, que deveriam ter ficado firmes nas
suas terras. Shmuel continua, “os homens fugiram sem
defender as suas casas e esse fenómeno da fuga colectiva
maciça dos Palestinianos requer uma explicação lógica. Cita
também as palavras do correspondente de “Times” em Ama, que
escreveu que a Síria, o Líbano, a Jordânia de Leste e o
Iraque se “encheram” das pessoas que fugiam do Israel.
Manifestou surpresa em como eles fugiram e não ficaram em
casa a resistir.
Shmuel também cita Emil al-Ghuri, Secretário da Autoridade
Suprema Árabe, que dirigiu as seguintes palavras ao comité
político das Nações Unidas em 17 de Novembro de 1960: “Foram
os actos de terror Sionistas, acompanhados de matanças
maciças, que causou o êxodo maciça dos Árabes e
Palestinianos”. A propagação dessas mentiras podia ter sido
cortada à nascença.
O motivo de citar tais comentários é destacar duas coisas:
primeiro, reconhecer que o êxodo maciço de facto ocorreu;
segundo, tornar claro que os motivos do êxodo estavam na
propagação de rumores assustadores e falsos, de massacres
que nunca ocorreram, em especial os eventos que diziam ter
acontecidos na aldeia infame de Dir Yasin.
Tais comentários e provas – e há muito mais que pode ser
incluído – são apresentados neste Livro Branco, por forma a
tirar proveito dos mesmos e assim chegar mais perto à
solução final, para o testemunho dos lideres Sionistas,
académicos e observadores neutros e serve para afirmar o
seguinte:
Em primeiro lugar, que os Palestinianos habitaram esta terra
e que foram donos das quintas e casas até 1948 e 1967.
Em segundo lugar, que deixaram esta terra em 1948,
abandonando as suas quintas e casas, com medo de massacres,
que de facto ocorreram.
Em terceiro lugar, os chefes e sábios do Movimento Sionista,
incluindo indivíduos que participaram no conflito de 1948,
afirmam que os Judeus não expulsaram os Palestinianos da
Palestina, das suas quintas, nem das suas casas; de facto os
Palestinianos acreditaram nos rumores terríveis e deixaram a
Palestina por vontade própria.
Em quarto lugar, os que saíram formaram um grande grupo e o
êxodo teve uma escala significativa.
Tudo isso é positivo – ajuda-nos a resolver o problema.
Os Judeus portanto não detestam os Palestinianos. Não
desejaram expulsar os Palestinianos da sua terra, a
Palestina. Não decidiram massacrá-los como sugeriram os
rumores. Além disso o massacre de Dir Yasin nunca ocorreu.
De facto, foram os Árabes não-Palestinianos que declararam
guerra contra aos Judeus.
Para encontrar uma solução para o problema, permite-nos
acreditar tudo que foi dito aqui, e regressar ao inicio, ao
ponto de origem, nomeadamente do regresso dos Palestinianos
que deixaram a Palestina entre 1948 e 1967. Os Judeus
insistem que não expulsaram os Palestinianos, que fugiram
pelas razões atrás mencionadas. Isso significa que os
Judeus, que ocuparam a sua terra, não se podem opor que os
Palestinianos permaneçam. A chave para resolver o problema
é, portanto, o regresso dos refugiados Palestinianos à
Palestina. Tal medida teria o efeito de repor tudo no seu
lugar próprio bem como implementar a Resolução das Nações
Unidas, emitida em 11 de Dezembro de 1948, na qual o Artigo
11 menciona o regresso dos refugiados. Não pode haver
nenhuma base legítima ou qualquer direito para quaisquer
objecções.
No sentido de resolver o problema, devemos aprender as
lições que a História nos tem ensinado. O Antigo Testamento
e a história dessa área, descreve que a Palestina tem visto
sucessivas movimentações das numerosas tribos e povos. Foi o
motivo de uma luta para a terra inteira e não só de uma
parte. Os Palestinianos foram os habitantes originários – o
nome Palestina deriva de Filisteus – os Judeus e o Movimento
Sionista chamaram à terra Palestina até 1948. Conforme
demonstramos neste trabalho, cada movimento Sionista, banco
ou instituição Judaica teve o nome “Palestina”, uma prática
que, de acordo com seu próprio testemunho, continuou até
1948.
Como já afirmámos antes, e como a história da região
claramente demonstra, ninguém, portanto, tem o direito de
tomar posse de toda Palestina ou efectivamente tem o direito
de ceder parte da Palestina aos outros.
O Insucesso Inevitável da Divisão
Dois Estados Vizinhos
1) Antes de mais, esses não são estados vizinhos: estão
entrelaçados um do outro em termos tanto da demografia como
da geografia.
2) Após o estabelecimento de um outro estado na Margem
Ocidental a profundeza do chamado estado de Israel seria só
de 14 km. Os Israelitas não permitiram que isso aconteça.
3) Todas as cidades costeiras ficavam a mercê da artilharia
de médio alcance de qualquer ponto da Margem Ocidental.
4) Ver os comentários da secção intitulada: Dois Estados:
Riscos e Desilusões
5) Qualquer zona tampão estaria na origem de uma ameaça a
segurança e seria o alvo de batalha para seu controlo ou
vantagem. Na história internacional, zonas tampão têm sido a
causa de muitas guerras e conflitos.
6) Os Palestinianos não aceitariam um mini estado. Querem um
estado armado e capaz de se defender. Teriam o direito de se
armar ao mesmo nível dos estados vizinhos. Isso é um direito
natural e legítimo que ninguém se pode opor.
7) O total da área, do Rio Jordão até ao Mediterrâneo, não é
suficientemente grande para dois estados.
8) A Margem Ocidental e a Faixa de Gaza não são
suficientemente grandes para acomodar refugiados, nem os do
Líbano e da Síria, sem contar com os que se encontram nas
outras zonas do Mundo.
9) Existe o problema dos recentes deslocados. Para onde irão
estes? A Margem Ocidental e a Faixa de Gaza não são terras
dos deslocados de outras zonas.
10) O chamado Estado de Israel não é suficientemente grande
para aceitar novos imigrantes.
11) Já existe assimilação e pode haver um modelo para as
duas partes assimiladas criarem um único estado.
Actualmente, tal assimilação constitui a base para a criação
de um único estado.
Existe um milhão de Palestinianos no chamado estado de
Israel. Possuem nacionalidade Israelita e fazem parte na
vida política dos Judeus, formando partidos políticos. O seu
número irá aumentar de um milhão para vários milhões ao
longo do tempo. O mesmo diz respeito aos colonatos
Israelitas na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza. Se os
Judeus que actualmente vivem lá são milhares, este número
irá aumentar para um milhão ou mais ao longo do tempo. A
criação do chamado estado de Israel em 1948 não é unicamente
um estado para os Judeus, existem Cristãos e Judeus
Católicos, Muçulmanos e Muçulmanos Druízos, Árabes e
Israelitas, Falasha e outros.
12) A existência de uma parte depende da outra. As fábricas
Israelitas dependem das operações Palestinianas. Mercadoria
e serviços são trocados entre as duas partes de modo
regular.
13) O conhecido Sionista Mieer Bael, cujo ponto de vista já
aqui foi mencionado, reitera o ponto: “A cada ano que passa
os dois grupos (i.e. os Palestinianos e os Judeus)
assimilam-se cada vez mais. De um lado, essa assimilação é
conseguida através dos colonatos Judaicas na Margem
Ocidental e na Faixa de Gaza; do outro, de acordo com Bael,
essa assimilação é afastada cada vez mais pela expansão
maciça de mão-de-obra Árabe em todas as áreas do Israel.
Em cada edifício que é erguida, cada campo que é cultivado,
cada fábrica que necessita operários, cada hotel,
restaurante e serviços municipais de limpeza, cada utilidade
pública, dezenas de milhares de Palestinianos de todas as
zonas do país trabalham diariamente – jovens Palestinians de
Nablus, Gaza, Tiba, Galileu e Heron.
Tomando em consideração esse estado de coisas, seria
simplesmente impossível e impraticável dividir a Palestina
em dois Estados. Com essa divisão não pode haver um Estado
chamado Israel nem um Estado chamado Palestina. Os que
recomendam a divisão da Palestina em dois estados são
ignorantes da natureza da região e da sua demografia, ou
querem livrar-se do problema e passar o mesmo pelas mãos dos
Judeus e dos Palestinianos. Pode parecer que já resolvemos o
problema mas nesse caso seriamos insinceros: faríamos pouco
mais do que estabelecer as bases para um novo conflito.
Terra dos seus Antepassados / A Terra Prometida
Os Palestinianos consideram como suas, as cidades costeiras
de Acre, Haifa ou Jaffa e outras, são terras dos seus
antepassados, passadas de geração em geração. Foi só há
pouco tempo que de facto viveram lá, e a prova disso é que
vivem actualmente nos campos de refugiados. Donde vieram os
habitantes dos campos da Margem Ocidental e da Faixa de
Gaza? São da Margem Ocidental ou da Faixa de Gaza, e fugiram
para lá após a guerra de 1948.
Essas pessoas não aceitam nada menos do que a terra dos seus
antepassados que deixaram em 1948. E os refugiadas que vivem
no campos do Líbano e da Síria? Onde fica a sua terra, a
terra dos seus antepassados? E os Palestinianos da Diáspora?
No caso dos Judeus, eles acreditam que a Margem Ocidental é
seu território sagrado, se não o coração na Nação Judaica.
Não a chama Margem Ocidental, mas sim a Judia e Samária.
Como podemos privar um povo da terra dos seus antepassados?
Como, alguma vez, podemos privar um povo da terra que lhes é
sagrada?
Alov Harabin, um sábio Sionista, afirma que a posse de um
pedaço de terra é o problema principal do conflito entre os
dois povos. Chaim Weizmann afirma, na sua expressão que se
tornou famosa nos anos 30: “O problema é que as ambas as
partes têm razão”.
Como podemos substituir um por outro? É simplesmente
impossível. Nem seria correcto tentar. Os Judeus, em
especial os religiosos, não aceitariam qualquer substituição
para uma terra que lhes é sagrada, de acordo com a sua
crença. Os Palestinianos, por sua vez, em especial os da
linha dura, não aceitariam qualquer substituição para a
terra dos seus antepassados.
No caso da criação de dois estados, cada parte continuará a
lutar contra a outra para poder viver na terra dos seus
antepassados no caso dos Palestinianos, e na Terra Prometida
no caso dos Judeus.
A solução seria tirar proveito tanto das circunstâncias
actuais como da realidade histórica dessa situação, e
estabelecer o Estado de Isratina para satisfazer os
Palestinianos e os Israelitas, permitindo assim a ambos a
circulação por onde desejam. Os que acreditam que a Margem
Ocidental é a sua terra podem viver aí ou viajar até lá caso
desejem. Podem chamar a terra Judia e Samária caso
pretendam. De igual modo, se os Palestinianos desejarem
viver ou viajar dentro das cidades costeiras de Acre, Haifa,
Jaffa, Tel Aviv, Jadwal e outras, podem fazê-lo. Tal
situação colocaria tudo como era dantes, e assim colocaria
fim à injustiça e à privação, uma vez que não existe
historia de inimizade entre os Judeus e os Árabes. A única
hostilidade foi o que ocorreu nos tempos antigos entre os
Judeus e os Romanos e mais recentemente entre os Judeus e os
Europeus.
Foram os Árabes que receberam e protegeram os Judeus da
perseguição e maus tratos nas mãos dos Romanos e dos Reis da
Inglaterra e após serem expulsos da Andaluzia.
O Sábio Sionista, Alov Herabin, atrás citado, escreve, “Os
Palestinianos perguntam, “Qual a razão que nós em
particular, devemos pagar o preço para a perseguição dos
Judeus na Europa?” Os Palestinianos nunca perseguiram os
Judeus. Os Judeus, por sua vez, afirmam, “Não fomos nós que
expulsamos os Palestinianos.” “Foram os Árabes
não-Palestinianos que declararam guerra contra nós em 1948.”
Isso constitui uma prova positiva, que pode ser adaptada aos
interesses na solução de estabelecer um estado que assimila
as duas partes.
Alov afirma, “O encontro dos Israelitas e Palestinianos é um
encontro de dois povos que viveram tragédias cruéis e
dolorosas enquanto outros fingiram não reparar. E
acrescenta, “Os Palestinianos foram culpados por rejeitarem
os Judeus após esses serem odiados na Europa, “Não há duvida
que os Palestinianos têm as suas razões para esse fenómeno.
Não temos conhecimento de um povo ter aberto as suas portas
para acolher um outro povo, e ceder por vontade própria
parte da sua terra para que esse povo estabelecesse a sua
entidade”. Alov está a fazer referência à resposta do povo
Palestiniano face à imigração Judaica na Palestina, Judeus
que não conheceram a Palestina, quando outros territórios
como a Uganda e a Argentina foram candidatos possíveis.
SUMÁRIO
1) A área deste território é muito estreita para dois
estados.
2) Os dois Estados entrarão em conflito, uma vez que
acreditam que a terra de cada um forma parte da terra do
outro e cada estado sente-se ameaçado pela outra parte.
3) Nem um nem outro poderiam acolher a imigração Judaica e
os refugiados Palestinianos.
4) Cada parte possuí colonatos na terra do outro. Pelo menos
um milhão de Palestinianos vivem no chamado Estado de Israel
e pelo menos cerca de meio milhão de Israelitas vivem
actualmente na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza. Outras
seitas incluem Druízos, Católicos, Cristãos e Muçulmanos. A
zona é um modelo de assimilação.
5) Os operários das fábricas Israelitas são Palestinianos.
6) A dependência mútua, bem como a integração, no que diz
respeito à mercadoria e aos serviços.
NOTA FINAL
1) O regresso dos refugiados Palestinianos e pessoas
deslocadas para as suas casas.
2) Um Estado único – O Líbano é um exemplo.
3) Eleições livres sob supervisão das Nações Unidas na
primeira e segunda ocasião.
4) A remoção de armas de destruição maciça do estado novo e,
caso exista, de todo o Médio Oriente.
5) Desse modo o conflito do Médio Oriente terminará. O novo
estado seria como o Líbano. Receberá o reconhecimento e
poderá até aderir à Liga Árabe.
Poderá haver alguma objecção ao seu nome, mas tal seria
inútil, prejudicial e superficial. Os que se opõem falam dos
seus corações e não das suas mentes. É necessário fazer um
julgamento entre as duas alternativas: a segurança Judaica,
com os Judeus a viver em paz com os Palestinianos,
assimilando com eles um estado único; ou a retenção do nome,
sacrificando assim a segurança Judaica e a paz no Médio
Oriente e no Mundo em geral.
Não devemos ouvir as vozes da velha guarda, com a sua
mentalidade da Segunda Guerra Mundial; devemos ouvir as
vozes dos jovens, a geração da globalização, a geração do
futuro.
É a velha mentalidade que se mantém por trás da actual
tragédia.
Sozinho um Estado Judaico fica exposto às ameaças dos Árabes
e Islâmicos, no entanto um estado misto composto por
Muçulmanos, Judeus, Árabes e Israelitas nunca ficaria sob a
ameaça do ataque Árabe ou Muçulmano.
Desde 1967 a situação tem sido de um estado único
Israelita-Palestiniano. Até os ataques pelo Fedayeen foram
montados fora das fronteiras desse estado.
Os ataques actuais do Fedayeen não são montados pelos Árabes
de 1948, como são conhecidos, mas pelos Palestinianos que
não foram incluídos dentro das fronteiras dos chamados
Árabes-Israelitas. Isso é um exemplo claro do sucesso de um
estado único assimilado – Isratina. |