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À
véspera da abertura oficial da cimeira de Lisboa, o líder
líbio Mouammar Kadhafi lançou um godo na lagoa avisando que
uma nova parceria sobre um pé de igualdade entre Europeus e
Africanos necessitava que a Europa paga-se da sua dívida
para com os países que colonisés.
Ninguém em Lisboa não esperava, nem não desejava de resto
que o debate sobre as compensações ligadas ao período
colonial seja à ordem de trabalhos. E é o coronel Kadhafi
que lançou um godo na lagoa. Na frente de uma plateia de
professores de Universidades, o guia da revolução líbia
declarou: "as forças coloniais devem compensar os povos que
colonisés e cujas riquezas espoliaram". Será um dos
principais pontos da cimeira, teve a precisar o coronel
Kadhafi.
Quinta-feira, o secretário de Estado português aos Negócios
estrangeiros e a Cooperação, Joao Cravinho, tinha desejado
que esta cimeira permitisse "girar a página postcolonial"
das relações entre a África e a Europa. Visivelmente não foi
entendido.
Os debates correm o risco por conseguinte de ser houleux, se
esta pergunta das compensações coloniais reencontra-se
certamente à ordem de trabalhos. Outro vedette de esta
cimeira o zimbabuense Robert Mugabe de momento tem escolhido
fazer perfil baixo. Chegou muito discretamente quinta-feira
noite evitando os jornalistas que esperavam-o ao aeroporto.
Em ausência um Primeiro ministro britânico, é o chancelière
alemão Angela Merkel que deveria evocar a situação no
Zimbabwe, aquando de um discurso consagrado aos direitos do
homem e a boa governança. |