MOVIMENTO DOS COMITÊS REVOLUCIONÁRIOS
 
                

O dia em que Kaddafi rasgou a Carta das Nações Unidas

[MCR 14.02.2010 12:10]

Está gravado nos anais da Organização das Nações Unidas, para sempre, o dia em que o líder Muammar Kaddafi rasgou a Carta das Nações durante discurso de uma hora e meia.

Napoleão Bonaparte escreveu: "Uma imagem vale por mil palavras!" A imagem de Kaddafi rasgando a Carta das Nações repercutiu em todo o mundo, mesmo com a imprensa ocidental tentando manipular o impacto do discurso do líder líbio, a imagem não deixou dúvidas quanto à gravidade das conclusões e denúncias apresentadas.

O ato de rasgar o documento que norteou a criação das Nações Unidas representou o fracasso da instituição, e Kaddafi foi mais além, denunciou a manipulação da ONU por parte dos governos dos países mais ricos, com acento no Conselho de Segurança. "A Organização das Nações Unidas (ONU) fracassou em intervir ou evitar 65 guerras que ocorreram ao redor do mundo desde que a organização foi fundada, em 1945." Esta conclusão é uma bofetada na face dos hipócritas que dizem amém à estrutura arcaica e superada daquela entidade.

Kaddafi acusou os cinco membros permanentes do principal órgão (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) de serem os responsáveis pelos numerosos conflitos após a Segunda Guerra Mundial, que já causaram milhões de mortos: "Estes países fazem a guerra e desfrutam do poder de veto. Começaram guerras que causaram milhares de mortes", afirmou Kaddafi.

Ao fazer esta denúncia, Kaddafi traduziu o sentimento de milhares ou milhões de vítimas das guerras de dominação feitas pelos governos dos países membros do Conselho de Segurança. Retirou a máscara dos governos que lucram e criam as guerras como valor de mercado, como fonte de lucro e riqueza, mediante a exploração, domínio e submissão de diversos povos.

Para Kaddafi, o poder do Conselho de Segurança é antidemocrático porque não representa a vontade da maioria dos membros das Nações Unidas, mas apenas os interesses de uma minoria. Ele insistiu na transferência de poderes à Assembléia Geral, onde todos os países estão representados. Ressaltou que os princípios de paz e igualdade entre as nações que constam na legislação são desrespeitados pelas atitudes do organismo. "O veto contraria a Carta da ONU. A existência de membros permanentes é contrária à Carta", disse Kaddafi, mostrando o texto de fundação das Nações Unidas.

Neste contexto, Kaddafi pediu mudanças fundamentais no Conselho de Segurança da ONU, um organismo "terrorista" que precisa ser reformado.

"Atualmente nós somos escravos do Conselho de Segurança: 5 países, ou um deles, levanta a mão e aborta uma resolução de mais de 190 países. É uma absoluta decepção para toda a humanidade."

          O líder líbio destacou ainda a necessidade de transformar a composição dos organismos multilaterais, aos quais definiu como hipócritas: "Como podemos ficar felizes se o poder está nas mãos de cinco países?", questionou o líder africano, que exigiu a reforma e o aumento do número de membros permanentes do Conselho de Segurança.

Ressaltou que os princípios de paz e igualdade entre as nações que constam na legislação são desrespeitados pelas atitudes do organismo.

A localização da sede das Nações Unidas nos Estados Unidos também foi duramente criticada pelo líder africano. Para ele, é necessário transferir a sede das Nações Unidas de forma rotativa para a Ásia, África, Europa, de forma a facilitar a participação de todos os povos.

Sobre o Afeganistão, Kaddafi falou: "Quem disse que os talibãs são inimigos? Osama Bin Laden é talibã? Não. Os que atacaram o World Trade Center, em Nova York, eram talibãs? Eram afegãos? Não. Se os talibãs querem criar um Estado religioso como o Vaticano, está bem. Por acaso o Vaticano constitui um perigo para nós? Não. Se os talibãs desejam criar um emirado islâmico não quer dizer que sejam inimigos", afirmou Kaddafi para cerca de 120 chefes de Estado e de Governo e representantes das 192 Nações que participam da Assembléia Geral da ONU.

Visando contribuir de forma efetiva para que a ONU cumpra seu papel, dentro das perspectivas para as quais foi criada, Muammar Kaddafi apresentou um projeto de Revolução Cultural Mundial baseada em cinco pontos:

1- A reformulação do Conselho de Segurança em uma nova base, constituída por associações continentais.

2- Restituir a dignidade à Organização, tornando o Conselho de Segurança um órgão executivo sob a direção da Assembléia Geral, encarregado de cumprir suas resoluções.

3- Indenizar os países que foram colonizados para que a colonização não se repita, como a Itália fez com respeito à Líbia.

4- Transferir a sede da Organização das Nações Unidas de Nova Iorque, alternando-a entre o centro e o leste do mundo.

5- Conduzir investigação internacional sobre questões relativas às guerras, os assassinatos e os hediondos massacres.

Essas propostas contam com o apoio de todos os povos do mundo, com certeza, mas contraria os interesses criminosos de alguns países que fazem da indústria bélica um dos pilares de suas economias.

Da forma como está estruturada, a ONU não passa de uma entidade manipulada por governos antidemocráticos e terroristas, pois levam as guerras a diversos países para roubar petróleo, riquezas minerais, biodiversidade, e utilizam o poder de veto para garantir a impunidade para seus crimes de lesa-humanidade.

Ao rasgar o texto da Carta das Nações Unidas, Muammar Kaddafi rasgou a mentira dos países poderosos que não estão preocupados com o bem-estar da humanidade. E, ao apresentar propostas concretas e viáveis para salvar a organização, demonstrou que é possível construir uma entidade que atenda aos objetivos iniciais apresentados em 1945, prostituídos pelo chamado "direito de veto" no Conselho de Segurança.

José Gil, coordenador estadual (Paraná)

do Movimento Democracia