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Está gravado nos anais da Organização das
Nações Unidas, para sempre, o dia em que o líder Muammar
Kaddafi rasgou a Carta das Nações durante discurso de uma
hora e meia.
Napoleão Bonaparte escreveu: "Uma imagem
vale por mil palavras!" A imagem de Kaddafi rasgando a Carta
das Nações repercutiu em todo o mundo, mesmo com a imprensa
ocidental tentando manipular o impacto do discurso do líder
líbio, a imagem não deixou dúvidas quanto à gravidade das
conclusões e denúncias apresentadas.
O ato de rasgar o documento que norteou a
criação das Nações Unidas representou o fracasso da
instituição, e Kaddafi foi mais além, denunciou a
manipulação da ONU por parte dos governos dos países mais
ricos, com acento no Conselho de Segurança. "A Organização
das Nações Unidas (ONU) fracassou em intervir ou evitar 65
guerras que ocorreram ao redor do mundo desde que a
organização foi fundada, em 1945." Esta conclusão é uma
bofetada na face dos hipócritas que dizem amém à estrutura
arcaica e superada daquela entidade.
Kaddafi acusou os cinco membros
permanentes do principal órgão (EUA, Rússia, China, França e
Reino Unido) de serem os responsáveis pelos numerosos
conflitos após a Segunda Guerra Mundial, que já causaram
milhões de mortos: "Estes países fazem a guerra e desfrutam
do poder de veto. Começaram guerras que causaram milhares de
mortes", afirmou Kaddafi.
Ao fazer esta denúncia, Kaddafi traduziu
o sentimento de milhares ou milhões de vítimas das guerras
de dominação feitas pelos governos dos países membros do
Conselho de Segurança. Retirou a máscara dos governos que
lucram e criam as guerras como valor de mercado, como fonte
de lucro e riqueza, mediante a exploração, domínio e
submissão de diversos povos.
Para Kaddafi, o poder do Conselho de
Segurança é antidemocrático porque não representa a vontade
da maioria dos membros das Nações Unidas, mas apenas os
interesses de uma minoria. Ele insistiu na transferência de
poderes à Assembléia Geral, onde todos os países estão
representados. Ressaltou que os princípios de paz e
igualdade entre as nações que constam na legislação são
desrespeitados pelas atitudes do organismo. "O veto
contraria a Carta da ONU. A existência de membros
permanentes é contrária à Carta", disse Kaddafi, mostrando o
texto de fundação das Nações Unidas.
Neste contexto, Kaddafi pediu mudanças
fundamentais no Conselho de Segurança da ONU, um organismo
"terrorista" que precisa ser reformado.
"Atualmente nós somos escravos do
Conselho de Segurança: 5 países, ou um deles, levanta a mão
e aborta uma resolução de mais de 190 países. É uma absoluta
decepção para toda a humanidade."
O líder líbio destacou ainda a
necessidade de transformar a composição dos organismos
multilaterais, aos quais definiu como hipócritas: "Como
podemos ficar felizes se o poder está nas mãos de cinco
países?", questionou o líder africano, que exigiu a reforma
e o aumento do número de membros permanentes do Conselho de
Segurança.
Ressaltou que os princípios de paz e
igualdade entre as nações que constam na legislação são
desrespeitados pelas atitudes do organismo.
A localização da sede das Nações Unidas
nos Estados Unidos também foi duramente criticada pelo líder
africano. Para ele, é necessário transferir a sede das
Nações Unidas de forma rotativa para a Ásia, África, Europa,
de forma a facilitar a participação de todos os povos.
Sobre o Afeganistão, Kaddafi falou: "Quem
disse que os talibãs são inimigos? Osama Bin Laden é talibã?
Não. Os que atacaram o World Trade Center, em Nova York,
eram talibãs? Eram afegãos? Não. Se os talibãs querem criar
um Estado religioso como o Vaticano, está bem. Por acaso o
Vaticano constitui um perigo para nós? Não. Se os talibãs
desejam criar um emirado islâmico não quer dizer que sejam
inimigos", afirmou Kaddafi para cerca de 120 chefes de
Estado e de Governo e representantes das 192 Nações que
participam da Assembléia Geral da ONU.
Visando contribuir de forma efetiva para
que a ONU cumpra seu papel, dentro das perspectivas para as
quais foi criada, Muammar Kaddafi apresentou um projeto de
Revolução Cultural Mundial baseada em cinco pontos:
1- A reformulação do Conselho de
Segurança em uma nova base, constituída por associações
continentais.
2- Restituir a dignidade à Organização,
tornando o Conselho de Segurança um órgão executivo sob a
direção da Assembléia Geral, encarregado de cumprir suas
resoluções.
3- Indenizar os países que foram
colonizados para que a colonização não se repita, como a
Itália fez com respeito à Líbia.
4- Transferir a sede da Organização das
Nações Unidas de Nova Iorque, alternando-a entre o centro e
o leste do mundo.
5- Conduzir investigação internacional
sobre questões relativas às guerras, os assassinatos e os
hediondos massacres.
Essas propostas contam com o apoio de
todos os povos do mundo, com certeza, mas contraria os
interesses criminosos de alguns países que fazem da
indústria bélica um dos pilares de suas economias.
Da forma como está estruturada, a ONU não
passa de uma entidade manipulada por governos
antidemocráticos e terroristas, pois levam as guerras a
diversos países para roubar petróleo, riquezas minerais,
biodiversidade, e utilizam o poder de veto para garantir a
impunidade para seus crimes de lesa-humanidade.
Ao rasgar o texto da Carta das Nações
Unidas, Muammar Kaddafi rasgou a mentira dos países
poderosos que não estão preocupados com o bem-estar da
humanidade. E, ao apresentar propostas concretas e viáveis
para salvar a organização, demonstrou que é possível
construir uma entidade que atenda aos objetivos iniciais
apresentados em 1945, prostituídos pelo chamado "direito de
veto" no Conselho de Segurança.
José Gil, coordenador estadual (Paraná)
do Movimento Democracia |