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PROF.DR.Rajab Budabus
A crise de alimentos, mundialmente, está na boca de todos, é o
tema das declarações dos políticos expressando suas preocupações
e, a matéria dos noticiários, a fome bate alguns países e
ameaça a outros, já que a alta dos preços é a fonte de
preocupação de todos.
Esta crise não começou hoje, ela é resultado decorrente de
decisões e políticas praticadas há um tempo, mas a pergunta é:
onde está o mecanismo do mercado? Porque a crise foi deixada
agravar até causar fome? Os que apóiam a economia do mercado
acham que o mercado tem leis rígidas, controlam seu desempenho,
e se este desempenho desequilibrar, e isto não é negado, e tão
pouco por eles, então o mecanismo do mercado capaz de sanar esse
desequilíbrio.
Os que apóiam o mercado confiam muito em que as leis do mesmo
sanam, automaticamente, os desequilíbrios e tragam de volta o
equilíbrio perdido e, isso se ninguém interferir de fora do
mercado, porque esta interferência atrapalha o mecanismo do
mercado, e por isso são contra toda interferência do poder
publico. Para eles, basta que o poder público não interfira
para que o desempenho do mercado melhore, porque tal
interferência seria prejudicial ao desempenho das leis do
mercado, então deve deixar o mercado trabalhar livremente.
O processo parece, no papel ou em suas mentes simples, é que
quando acontece problema qualquer, as leis do mercado o
resolvem, por isso não há com que se preocupar.
Mas esses que apóiam o mercado esquecem o tempo necessário para
restabelecer o equilíbrio e, também, o preço pago por este
restabelecimento, isso se suponha que as leis do mercado,
realmente, são capazes de sanar o desequilíbrio do mesmo sem
necessidade de interferência externa.
Tal pensamento, com suas teorias parecem lógicos em que se
relaciona com o modelo teórico do mercado.
O modelo é teórico, logo ele está fora do espaço e do tempo, mas
o que diz respeito ao mercado real e, não teórico, e supondo o
mercado se auto equilibra sem interferência externa, seu
restabelecimento demanda um tempo e pode ser muito longo, e o
pior é que isto afeita à vida de milhões de pessoas causando
sofrimento e fome na espera deste restabelecimento.
Quanto mais, este processo demorar, mais aumenta o numero de
vitimas e incrementam os sofrimentos e isso sem falar dos
prejuízos puramente econômicos representados em desperdício de
recursos.
Vamos ver um problema real vivido por vários paises, hoje em
dia, num estagio de globalização do mercado, alguns desses
enfrentam a fome de fato e outros são ameaçados per ela.
De acordo com que reporta a FAO e que aponta 37 paises que
sofrerão por fome em breve, e a maioria dos paises do mundo
sofrem com a alta dos preços dos alimentos
Esta crise alimentar, de ponto de vista do mercado, é porque a
oferta de alimentos bem menor que a demanda, e isso significa
desequilíbrio do mercado e que leva, por um lado para alta
absurda dos preços dos alimentos, para limitar a grande demanda,
e por outro lado a fome se alastra.
A globalização do mercado significa globalização da fome
Porque este aumento absurdo nos preços dos alimentos? E o que há
por detrás da globalização da crise e da fome?
Com certeza há fatores, como mudanças climáticas, seca, estrago
do solo com o uso de químicas etc, mas a maioria destes fatores
são resultados do sistema do mercado, que avalia a atividade
econômica, e que toma decisão visando lucros ou juros esperados
e não visando atender às necessidades das pessoas ou preocupar
com o meio ambiente e os possíveis estragos. Este mercado se
globaliza e com ele globalizam-se seus efeitos catastróficos em
relação ao meio ambiente e em relação aos humanos.
Portanto, pode apontar quatro fatores que, em geral, tem a ver
com políticas tomadas por instituições mundiais como FMI, banco
mundial ou OMC ou por governos pressionados por essas
instituições e pelas forças do mercado. O objetivo do capital é
o lucro e o juro e não o atender às necessidades das pessoas,é
lógico que o capital não se importar com as necessidades das
pessoas uma vez ele é orientado pelo lucro e pelos juros e isso
faz da crise e da fome mais que possíveis, hoje são reais.
1-
Há mais de 25 anos que o FMI e o Banco mundial não se preocupam
com a agricultura e, em especial agricultura que produz
alimentos que atendem às necessidades de comida para os humanos
e concentraram suas preocupações com a abertura dos mercados e
liberação do comercio e o transito do dinheiro.
2-
Alem disso, o FMI e o Banco mundial orientaram, em especial, os
países endividados, no sentido de dar importância à agricultura
de exportação para possam pagar suas dividas, isso em detrimento
da agricultura alimentar que oferece comidas para as pessoas,
assim grandes áreas que produzia alimentos foram destinadas à
agricultura de exportação e isso diminuiu a produção de
alimentos nesses países que foram suprir esta falta importando e
pressionando o mercado globalizado de alimentos. Os países que
depende do mercado globalizado de alimentos, não comprometem
apenas sua independência, mas também, compromete a vida de seus
povos, A crise atual demonstrou que ter capacidade financeira
(dinheiro do petróleo, por exemplo)não significa segurar a
obtenção de alimentos do mercado globalizado. Assim a
globalização do mercado globalizou a fome e não globalizou o
progresso.
3-
A retirada do estado, principalmente no terceiro mundo, do
investimento na agricultura alimentar, com o pretexto de
privatização do setor publico, e o fim do subsidio, tudo isso
não foi compensado pelo setor privado, O setor privado prefere o
comercio inclusive a importação de alimentos, prefere a
especulação nos preços, já que a atividade agrícola alimentar é
sujeita a riscos (secas) e também por seu pequeno retorno. Ha
muitos paises onde grandes áreas próprias de agricultura e com
águas abundantes e, mesmo assim, não produzem porque os
proprietários preferem o comercio de alimentos a produção dos
mesmos.Assim vários paises sub pressão da privatização e
diminuição da atividade econômica do estado, abandonaram a
atividade agrícola direta ou pararam de subsidiá-la, enquanto
isso o setor privado não entrou no lugar do estado.A retirada do
estado de uma atividade não significa necessariamente a entrada
do privado no lugar, a lógica e o objetivo do privado são
diferentes dos do estado.
4-
O uso de produto agrícola na fabricação de biocombostivel, como
milho e soja e outros. Por exemplo, em 2007 o USA destinou 70
milhões de toneladas de milho para o biocombustível, esta
quantia foi retirado do mercado que a consumia pressionando a
demanda sobre o substituto da mesma.Aqui, também, a lógica
capitalista desempenha seu papel: assegurar alimentos para as
maquinas (biocombustível) da mais retorno que assegurar
alimentos para as pessoas e aos animais que alimentam essas
pessoas.
Estes fatores, alguns deles são políticos, provenientes de
políticas impostas pelo FMI e o banco mundial e pela OMC, no
sentido de privatização do setor publico, todavia, em alguns
momentos, o privado direciona a atividade econômica no sentido
de outros objetivos por causa do fim do subsidio governamental a
atividade agrícola e também, porque o estado da ênfase a
agricultura de exportação a fim de pagar suas dividas. A
agricultura de exportação atendo às necessidades dos paises
ricos e desenvolvidos e não às necessidades de seus povos.
Estas políticas estão por detrás da grande parte deste
desequilíbrio, entre a oferta e a procura dos alimentos, e
evidente que as leis do mercado, por mais regidas, não podem
tratar deste desequilíbrio, logo se precisa de tratamento
político, que começa por contestar as políticas imposta pelo
FMI, banco mundial e OMC, e pela volta do interesse dos paises
pela alimentação da população, isso não é apenas atender a
justiça social, mas também porque o alimento representa fator
essencial da segurança e da estabilidade desses paises e estas
não serão conseguidas através de gastos com a policia.
Claro que alguns fatores têm a ver com o mercado, principalmente
no que diz respeito ao lucro e aos juros e, que fazem o
investimento privado procurar as atividades mais seguras e
lucrativas. Assim a plantação de grandes áreas de flores e rosas
traz mais lucro que plantar trigo ou feijão, plantar milho ou
soja para bicombustível da mais retorno que destinar para
alimento humano ou animal
Os donos do capital não preocupam com a produção de alimentos,
mas sim com o lucro, e se o estado não pode produzir logo a
fome virá após a alta dos preços.
Vimos-nos que o estado não investe na agricultura alimentar
enquanto o investimento privado norteado por outra lógica, que
não é a lógica de assegurar alimentos, então à escassez de
alimentos é fatal. Especialmente que isto não ocorre em um ou
alguns países apenas, e que pode ser compensado pela produção de
outros países. Já é uma situação globalizada.
Os torcedores do mercado podem não se convencer com nosso
argumento, e podem apostar na lógica do mercado e acreditar em
que a alta dos preços dos alimentos faz da produção dos mesmos
uma coisa lucrativa e que atrai o capital privado para mais
investimento no setor e assim é se aumenta a produção dos
alimentos e se realiza o equilíbrio entre a oferta e a procura,
e porque não a fartura quando a oferta fica maior que a pro
Tal pensamento ainda se baseia no modelo teórico do mercado: que
a alta dos preços encoraja novos investidores, logo a produção
aumenta e o equilíbrio volta e, talvez, a fartura também.
Se aceitarmos esta lógica e, supondo que a volta do capital ao
investimento na agricultura de alimentos maior que sua volta à
especulação nos preços, e ninguém assegura isso, mesmo assim, a
produção agrícola, como sabemos, não é flexível, e precisa de
uma safra e às vezes de anos entre o inicio do investimento e a
realização da produção.
A produção agrícola não é com a produção industrial, esta pode
ser incrementado em horas, enquanto a produção agrícola
necessita de um tempo relativamente longo.
Com tudo, aceitarmos, dialeticamente, em determinado tempo,
possível que aconteça o equilíbrio entre a oferta e a procura de
alimentos, e supondo exclusão de todos os outros fatores,
durante esse tempo, entre inicio do investimento e a realização
da produção, há milhões de seres humanos que seriam consumidos
pela fome, e há os distúrbios e as revoltas dos famintos e os
custos sociais e políticos e ate econômicos durante esse tempo:
quanto sofrimento, dores e defeitos físicos por causa de falta
de alimentação, quantos problemas sociais e quantas vidas se vão
nesta espera da volta deste equilíbrio que muitos não o verão
porque estarão mortos.
Aí se faz a pergunta inevitável: se o equilíbrio resgatado,
entre e a oferta e a procura de alimentos, é graças ao mecanismo
do mercado ou é graças à eliminação do numero excedente relativo
aos alimentos, isto é os famintos?
Assim, T.Robet Malthus, é mais sincero quando considerou a fome
um fator de equilíbrio e escreveu francamente: ”quem venha, sem
convite, a um banquete e não achar lugar deve sair” logo esses
milhões que não foram convidados para a existência, não acharam
na vida(vida do mercado)lugar, devem deixar a vida.
O trato do desequilíbrio do mercado, desta maneira, não apenas
caro economicamente, e seu custo é a vida de milhões de gente,
mas também, este trato vem de fora do mercado, e a escolha é
entre a interferência do estado para evitar estes desequilíbrios
e preservar a vida dos humanos e a interferência do anjo da
morte que elimina o excesso de procura por alimentos.
Assim, não são as leis do mercado que resgatam o equilíbrio
perdido entre a oferta e a procura de alimentos, mas sim, a fome
é o instrumento deste equilíbrio no mercado de alimentos, a não
ser pensar, como T.Robet Malthus, que a fome é um dos
instrumentos do mecanismo do mercado e que o anjo da morte é
mais importante sujeito nisso.
Um dia eu estava numa cidade africana, e ouvi falar que o lobo é
chamado de prefeito, perguntei: por que, disseram porque ele
limpa a cidade à noite tirando os mortos de fome. assim o anjo
da morte limpa o mercado tirando os excedentes da oferta.
Assim, após as esperanças e promessas de progresso feitas por
aqueles que apóiam o mercado em sua forma globalizada, voltamos
para T.Robet Malthus.
Não estou maculando o mercado, e o que exponho não é rancor,
assim como não sou o inventor deste resultado catastrófico
proveniente da confiança no mecanismo do mercado, as revoluções
dos famintos batem as portas, e gritos e sofrimentos dos
famintos indiciam o mercado.
Não reclamo do capital privado, este não teria outra conduta e,
não pode trair sua natureza, assim como não se considera
responsável pela coisa publica. mas reclamo dos governos que
ficam parados como espectadores enquanto a fome bate suas portas
e se tomar atitude é para preparar os instrumentos da repressão.
A Globalização do mercado globalizou a crise e a fome e não
globalizou o progresso e a fartura.
O mercado afasta o estado e diminui suas funções, mas não ocupa
seu lugar. Os países que conta com o mercado globalizado, não
aposta apenas sua independência, mas também a vida de seu povo,
a crise atual e os sinais das fomes demonstram que ter poder
financeiro (dinheiro do petróleo, por exemplo) não significa
assegura a obtenção de alimento do mercado globalizado e, a
especialização internacional, querida do coração do Ricardo e,
que esta sendo ressuscitada, para muitos países, significa não
apenas uma dependência e apostar a vida dos seus povos, mas
também, significa o entregar ao desconhecido
Ficou claro que o mercado é incapaz de concertar seus
desequilíbrios, os encontros dos políticos ao nível da cúpula,
demonstraram isso e, por sorte, está sendo descoberto, que as
nuvens da globalização não trazem chuvas e, as promessas da
globalização do mercado, rapidamente se apresentam falsas. Será
que os povos retomam a consciência? E que seus governos retomam
a iniciativa diante as três terríveis?
A economia significa a vida das pessoas e, é mais importante que
deixar a sabor do mercado e, a política é administrar a coisa
publica e, é mais importante que deixar a sabor dos
profissionais da política.
Diz-se e é verdade: não há independência para um Povo que conta
no seu sustento com o alem da sua fronteira, e podemos
acrescenta: não há vida para um povo que conta em sua
alimentação com outro povo. Isso não toca apenas a
independência, mas também toca a própria vida.
De se estranhar que os que apóiam o mercado, se colocam com
todas as forças, contra a interferência do estado na economia e,
o pretexto é a liberdade do mercado, isso enquanto aplaudem as
políticas impostas pelas três terríveis(banco mundial, FMI e OMC
) sobre os países obrigando os a executar tais políticas, para
eles, tal interferência em prol do mercado é aceita, mas não é
aceita quando em prol da justiça social.
Diz-se que o socialismo é feitio do estado, mas se esquece que o
capitalismo também é, a diferença não esta apenas entre o
socialismo e o capitalismo, mas também entre uma forma de um
governo e outra, e aqueles que choram a democracia nos regimes
sociais estão preparando o enterro da mesma no regime do
mercado.
*margem
As três terríveis: Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial
e Organização Mundial de Comercio
Mummar Al Kaddafi chamou o Fundo Monetário Internacional de
Fundo da Infelicidade Internacional, este adjetivo vale para as
três instituições e, que nunca entram em um país sem desgraçar
sua vida com desemprego e pobreza, causando a violência e o
crime e, agravando as crises que dizem pretender resolver...até
a fome.
Tradução: eng. Ajuad Al Jawabri
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