MOVIMENTO DOS COMITÊS REVOLUCIONÁRIOS
 
                

O estado sub questionamento: O equilíbrio do Mercado é fome?

MCR [04.08.2008 14:20]


PROF.DR.Rajab Budabus

A crise de alimentos, mundialmente, está na boca de todos, é o tema das declarações dos políticos expressando suas preocupações e, a matéria dos noticiários, a fome bate alguns países e ameaça  a outros, já que a alta dos preços é a fonte de preocupação de todos.

Esta crise não começou hoje, ela é resultado decorrente de decisões e políticas praticadas há um tempo, mas a pergunta é: onde está o mecanismo do mercado? Porque a crise foi deixada agravar até causar fome? Os que apóiam a economia do mercado acham que o mercado tem leis rígidas, controlam seu desempenho, e se este desempenho desequilibrar, e isto não é negado, e tão pouco por eles, então o mecanismo do mercado capaz de sanar esse desequilíbrio.

Os que apóiam o mercado confiam muito em que as leis do mesmo  sanam, automaticamente, os desequilíbrios e tragam de volta o equilíbrio perdido e, isso se ninguém  interferir de fora do mercado, porque esta interferência atrapalha o mecanismo do mercado, e por isso são contra toda interferência do poder publico. Para eles, basta que o poder público não interfira  para que o desempenho do mercado melhore, porque tal interferência seria prejudicial ao desempenho das leis do mercado, então deve deixar o mercado trabalhar livremente.

O processo parece, no papel ou em suas mentes simples, é que quando acontece problema qualquer, as leis do mercado o resolvem, por isso não há com que se preocupar.

Mas esses que apóiam o mercado esquecem o tempo necessário para restabelecer o equilíbrio e, também, o preço pago por este restabelecimento, isso se suponha que as leis do mercado, realmente, são capazes de sanar o desequilíbrio do mesmo sem necessidade de interferência externa.

Tal pensamento, com suas teorias parecem lógicos em que se relaciona com o modelo teórico do mercado.

O modelo é teórico, logo ele está fora do espaço e do tempo, mas o que diz respeito ao mercado real e, não teórico, e supondo  o mercado se auto equilibra sem interferência externa, seu restabelecimento demanda um tempo e pode ser muito longo, e o pior é que isto afeita à vida de milhões de pessoas causando sofrimento e fome na espera deste restabelecimento.

Quanto mais, este processo demorar, mais aumenta o numero de vitimas e incrementam os sofrimentos e isso sem falar dos prejuízos puramente econômicos representados em desperdício de recursos.

 

Vamos ver um problema  real vivido por vários paises, hoje em dia, num estagio de globalização do mercado, alguns desses enfrentam a fome de fato e outros são ameaçados per ela.

De acordo com que reporta a FAO e que aponta 37 paises que sofrerão por fome em breve, e a maioria dos paises do mundo sofrem com a alta dos preços dos alimentos

Esta crise alimentar, de ponto de vista do mercado, é porque a oferta de alimentos bem menor que a demanda, e isso significa desequilíbrio do mercado e que leva, por um lado para alta absurda dos preços dos alimentos, para limitar a grande demanda, e por outro lado a fome se alastra.

A globalização do mercado significa  globalização da fome

Porque este aumento absurdo nos preços dos alimentos? E o que há por detrás da globalização da crise e da fome?

Com certeza há fatores, como mudanças climáticas, seca, estrago do solo com o uso de químicas etc, mas a maioria destes fatores são resultados do sistema do mercado, que avalia a atividade econômica, e que toma decisão visando lucros ou juros esperados e não visando atender às necessidades das pessoas ou preocupar com o meio ambiente e os possíveis estragos. Este mercado se globaliza e com ele globalizam-se seus efeitos catastróficos em relação ao meio ambiente e em relação aos humanos.

Portanto, pode apontar quatro fatores que, em geral, tem a ver com políticas tomadas por instituições mundiais como FMI, banco mundial ou OMC ou por governos pressionados por essas instituições e pelas forças do mercado. O objetivo do capital é o lucro e o juro e não o atender às necessidades das pessoas,é lógico que o capital não se importar com as necessidades das pessoas uma vez ele é orientado pelo lucro e pelos juros e isso faz da crise e da fome mais que possíveis, hoje são reais.

1-       Há mais de 25 anos que o FMI e o Banco mundial não se preocupam com a agricultura e, em especial agricultura  que produz alimentos que atendem às necessidades de comida para os humanos e concentraram suas preocupações com a abertura dos mercados e liberação do comercio e o transito do dinheiro.

2-       Alem disso, o FMI e o Banco mundial orientaram, em especial, os países endividados, no sentido de dar importância à agricultura de exportação para possam pagar suas dividas, isso em detrimento da agricultura alimentar que oferece comidas para as pessoas, assim grandes áreas que produzia alimentos foram destinadas à agricultura de exportação e isso diminuiu a produção de alimentos nesses países que foram suprir esta falta importando e pressionando o mercado globalizado de alimentos. Os países que depende do mercado globalizado de alimentos, não comprometem apenas sua independência, mas também, compromete a vida de seus povos, A crise atual demonstrou que ter capacidade financeira (dinheiro do petróleo, por exemplo)não significa segurar a obtenção de alimentos do mercado globalizado. Assim a globalização do mercado globalizou a fome e não globalizou o progresso.

3-       A retirada do estado, principalmente no terceiro mundo, do investimento na agricultura alimentar, com o pretexto de privatização do setor publico, e o fim do subsidio, tudo isso não foi compensado pelo setor privado, O setor privado prefere o comercio inclusive a importação de alimentos, prefere a especulação nos preços, já que a  atividade agrícola alimentar é sujeita a riscos (secas) e também por seu pequeno retorno. Ha muitos paises onde grandes áreas próprias de agricultura e com águas abundantes e, mesmo assim, não produzem porque os proprietários preferem o comercio de alimentos a produção dos mesmos.Assim vários paises sub pressão da privatização e  diminuição da atividade econômica do estado, abandonaram a atividade agrícola direta ou pararam de subsidiá-la, enquanto isso o setor privado não entrou no lugar do estado.A retirada do estado de uma atividade não significa necessariamente a entrada do privado no lugar, a lógica e o objetivo do privado são diferentes dos do estado.

4-       O uso de produto agrícola na fabricação de biocombostivel, como milho e soja e outros. Por exemplo, em 2007 o USA destinou 70 milhões de toneladas de milho para o biocombustível, esta quantia foi retirado do mercado que a consumia pressionando a demanda sobre o substituto da mesma.Aqui, também, a lógica capitalista desempenha seu papel: assegurar alimentos para as maquinas (biocombustível) da mais retorno que assegurar alimentos para as pessoas e aos  animais que alimentam essas pessoas.

Estes fatores, alguns deles são  políticos, provenientes de políticas impostas pelo FMI e o banco mundial e pela OMC, no sentido de privatização do setor publico, todavia, em alguns momentos, o privado direciona a atividade econômica no sentido de outros objetivos por causa do fim do subsidio governamental a atividade agrícola e também, porque o estado da ênfase a agricultura de exportação a fim de pagar suas dividas. A agricultura de exportação atendo às necessidades dos paises ricos e desenvolvidos e não às necessidades de seus povos.

Estas políticas estão por detrás da grande parte deste desequilíbrio, entre a oferta e a procura dos alimentos, e evidente que as leis do mercado, por mais regidas, não podem tratar deste desequilíbrio, logo  se precisa  de tratamento político, que começa por contestar as políticas imposta pelo FMI, banco mundial e OMC, e pela volta do interesse dos paises pela alimentação da população, isso não é apenas atender a  justiça social, mas também porque o alimento representa fator essencial da segurança e da estabilidade desses paises e estas não serão conseguidas através de gastos com a policia.

Claro que alguns fatores têm a ver com o mercado, principalmente no que diz respeito ao lucro e aos juros e, que fazem o investimento privado procurar as atividades mais seguras e lucrativas. Assim a plantação de grandes áreas de flores e rosas traz mais lucro que plantar trigo ou feijão, plantar milho ou soja para bicombustível da mais retorno que destinar para alimento humano ou animal

Os donos do capital não preocupam com a produção de alimentos, mas sim com o lucro, e se o estado não pode produzir logo a  fome virá após a alta dos preços.

Vimos-nos que o estado não investe na agricultura alimentar enquanto o investimento privado norteado por outra lógica, que não é a lógica de assegurar alimentos, então à escassez de alimentos é fatal. Especialmente que isto não ocorre em um ou alguns países apenas, e que pode ser compensado pela produção de outros países. Já é uma situação globalizada.

Os torcedores  do mercado podem não se convencer com nosso argumento, e podem apostar na lógica do mercado e acreditar em que a alta dos preços dos alimentos faz da produção dos mesmos uma coisa lucrativa e que atrai o capital privado para mais investimento no setor e assim é se aumenta a produção dos alimentos e se realiza o equilíbrio entre a oferta e a procura, e porque não a fartura quando a oferta fica maior que a pro

Tal pensamento ainda se baseia no modelo teórico do mercado: que a alta dos preços encoraja novos investidores, logo a produção aumenta e o equilíbrio volta e, talvez, a fartura também.

Se aceitarmos esta lógica e, supondo que a volta do capital ao investimento na agricultura de alimentos maior que sua volta à especulação nos preços, e ninguém assegura isso, mesmo assim, a produção agrícola, como sabemos, não é flexível, e precisa de uma safra e às vezes de anos entre o inicio do investimento e a realização da produção.

A produção agrícola não é com a produção industrial, esta pode ser incrementado em horas, enquanto a produção agrícola necessita de um tempo relativamente longo.

Com tudo, aceitarmos, dialeticamente, em determinado tempo, possível que aconteça o equilíbrio entre a oferta e a procura de alimentos, e supondo exclusão de todos os outros fatores, durante esse tempo, entre inicio do investimento e a realização da produção, há  milhões de seres humanos que seriam consumidos pela fome, e há os distúrbios e as revoltas dos famintos e os custos sociais e políticos e ate econômicos durante esse tempo: quanto sofrimento, dores e defeitos físicos por causa de falta de alimentação, quantos problemas sociais e quantas vidas se vão nesta espera da volta deste equilíbrio que muitos não o verão porque estarão mortos.

Aí se faz a pergunta inevitável: se o equilíbrio resgatado, entre e a oferta e a procura de alimentos, é graças ao mecanismo do mercado ou é graças à eliminação do numero excedente relativo aos alimentos, isto é os famintos?

Assim, T.Robet Malthus, é mais sincero quando considerou a fome um fator de equilíbrio e escreveu francamente: ”quem venha, sem convite, a um banquete e não achar lugar deve sair” logo esses milhões que não foram convidados para a existência,  não acharam na vida(vida do mercado)lugar, devem deixar a vida.

O trato do desequilíbrio do mercado, desta maneira, não apenas caro economicamente, e seu custo é a vida de milhões de gente, mas também, este trato vem de fora do mercado, e a escolha é entre a interferência do estado para evitar estes desequilíbrios e preservar  a vida dos humanos e a interferência do anjo da morte que elimina o excesso de procura por alimentos.

Assim, não são as leis do mercado que resgatam o equilíbrio perdido entre a oferta e a procura de alimentos, mas sim, a fome é o instrumento deste equilíbrio no mercado de alimentos, a não ser pensar, como T.Robet Malthus, que a fome é um dos instrumentos do mecanismo do mercado e que o anjo da morte é mais importante sujeito nisso.

Um dia eu estava numa cidade africana, e ouvi falar que o lobo é chamado de prefeito, perguntei: por que, disseram porque ele limpa a cidade à noite tirando os mortos de fome. assim o anjo da morte limpa o mercado tirando os excedentes da oferta.

Assim, após as esperanças e promessas de progresso feitas por aqueles que apóiam o mercado em sua forma globalizada, voltamos para T.Robet Malthus.

Não estou maculando o mercado, e o que exponho não é rancor, assim como não sou o inventor deste resultado catastrófico proveniente da confiança no mecanismo do mercado, as revoluções dos famintos batem as portas, e gritos e sofrimentos dos famintos indiciam o mercado.

Não reclamo do capital privado, este não teria outra conduta e, não pode trair sua natureza, assim como não se considera responsável pela coisa publica. mas reclamo dos governos que ficam parados como espectadores enquanto a fome bate suas portas e se tomar atitude é para preparar os instrumentos da repressão.

A Globalização do mercado globalizou a crise e a fome e não globalizou o progresso e a fartura.

O mercado afasta o estado e diminui suas funções, mas não ocupa seu lugar. Os países que conta com o mercado globalizado, não aposta apenas sua independência, mas também a vida de seu povo, a crise atual e os sinais das fomes demonstram que ter poder financeiro (dinheiro do petróleo, por exemplo) não significa assegura a obtenção de alimento do mercado globalizado e, a especialização internacional, querida do coração do Ricardo e, que esta sendo ressuscitada, para muitos países, significa não apenas uma dependência e apostar a vida dos seus povos, mas também, significa o entregar ao desconhecido

Ficou claro que o mercado é incapaz de concertar seus desequilíbrios, os encontros dos políticos ao nível da cúpula, demonstraram isso e, por sorte, está sendo descoberto, que as nuvens da globalização não trazem chuvas e, as promessas da globalização do mercado, rapidamente se apresentam falsas. Será que os povos retomam a consciência? E que seus governos retomam a iniciativa diante as três terríveis?

A economia significa a vida das pessoas e, é mais importante que deixar a sabor do mercado e, a política é administrar a coisa publica e, é mais importante que deixar a sabor dos profissionais da política.

Diz-se e é verdade: não há independência para um Povo que conta no seu sustento com o alem da sua fronteira, e podemos acrescenta: não há vida para um povo que conta em sua alimentação com outro povo. Isso  não toca apenas a independência, mas também toca a própria vida.

De se estranhar que os que apóiam o mercado, se colocam com todas as forças, contra a interferência do estado na economia e, o pretexto é a liberdade do mercado, isso enquanto aplaudem as políticas impostas pelas três terríveis(banco mundial, FMI e OMC ) sobre os países obrigando os a executar tais políticas, para eles, tal interferência em prol do mercado é aceita, mas não é aceita quando em prol da justiça social.

Diz-se que o socialismo é feitio do estado, mas se esquece que o capitalismo também é, a diferença não esta apenas entre o socialismo e o capitalismo, mas também entre uma forma de um governo e outra, e aqueles que choram a democracia nos regimes sociais estão preparando o enterro da mesma no regime do mercado.

      

 

*margem

As três terríveis: Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e Organização Mundial de Comercio

 

Mummar Al Kaddafi chamou o  Fundo Monetário Internacional de Fundo da Infelicidade Internacional, este adjetivo vale para as três instituições e, que nunca entram em um país sem desgraçar sua vida com desemprego e pobreza, causando a violência e o crime e, agravando as crises que dizem pretender resolver...até a fome.

 

Tradução: eng. Ajuad Al Jawabri