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MCR [01.02.2009]

Movimento pela Democracia Direta do Rio de
Janeiro
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Introdução
Há muito o que falar no
que tange à democracia, que aqui denominamos
como formal. No espaço que me é permitido,
procurarei avaliar certos conceitos e teses, que
considero importantes para desvendar os mitos e
falácias de tal democracia.
Em primeiro lugar,
cumpre estabelecer que o vocábulo democracia,
vem do grego demos = povo e cracia = governo,
portanto etimologicamente, democracia seria um
governo do povo em oposição a outras formas de
governo, como a monarquia onde só um governa
embora de acordo com leis fixas e estabelecidas.
É bastante comum, entre os autores clássicos,
estabelecer que a República é, indubitavelmente,
a forma de governo que abriga em seu cerne a
democracia. Montesquieu por exemplo dizia que
“Quando, numa república, o povo como um todo
possui o poder soberano, trata-se de uma
Democracia. Quando o poder soberano está nas
mãos de uma parte do povo, trata-se de uma
Aristocracia.”
O voto
Nas repúblicas, o que se
estabeleceu, como solução para a questão do
poder soberano nas mãos do povo, foi o sufrágio.
Entretanto o que se verificou no início foi que
o voto não existia para todos, só por parte da
população mais abastada tinha esse direito.
Com o passar do tempo e
com o crescimento e fortalecimento do
proletariado esse direito foi sendo ampliado. Já
no século XX, o voto foi estendido às camadas
populares e às mulheres, não como dádiva da
sociedade burguesa aos mais humildes, mas como
resultado da luta organizada dos trabalhadores e
principalmente, como forma de conter o
descontentamento da maioria espoliada e
excluída.
O parlamento
Nas repúblicas, tem-se
como regra a divisão do estado em três poderes:
o poder executivo, o poder legislativo e o poder
judiciário. Não vou me estender aqui na
explanação do que cada um desses poderes
representa, ou no que se refere às atribuições
de cada um, porque todos o sabem, com certeza,
muito bem. Prefiro ressaltar o uso da palavra
poder. Poder executivo, poder legislativo e
poder judiciário. Faço isso porque considero,
importantíssimo, deixar bem claro que política é
relação de poder, o que implica dizer que
enquanto alguns mandam muitos outros obedecem.
Dito assim de forma crua e objetiva, certamente,
tal afirmação pode assustar os mais idealistas
ou, e nesse caso com toda convicção, assustará e
deixará até mesmo indignados os ardorosos
defensores da “democracia”
Nesse momento os
senhores e as senhoras estarão já pensando, o
que então pode ser melhor que a democracia. Será
que ouvirão daqui para a frente, um receituário
de como um monarca deve agir para manter o poder
nas mais diversas circunstâncias e conjunturas,
como o fez de forma brilhante Maquiavel. Não,
não farei isso, tampouco defenderei um líder
carismático e seus supostos predicados
supranaturais, como guia do destino de um povo.
Mas as Repúblicas Modernas e as Monarquias
Parlamentaristas não serão modelos de
democracia? Afirmo de maneira categórica que
não, e passo de imediato a lançar um pouco de
luz sobre o que afirmei. Em primeiro lugar,
considero que seja muitíssimo importante avaliar
o uso do vocábulo LIBERDADE como sinônimo de
democracia, nas Repúblicas ou Assembléias
Parlamentares. Se não nos contentarmos com uma
análise superficial da questão, observaremos que
liberdade nesse caso, se restringe a livre
iniciativa de explorar a força de trabalho de
outrem, a possibilidade de acumular riqueza e a
garantia e a defesa da propriedade individual
como um bem sagrado. É a liberdade para o mais
industrioso acumular para muito além do que
necessita, sem o transtorno de ver-se ameaçado
pelo saque de outros ao seu tesouro. Nesse caso,
tal liberdade é garantida pelo Estado, que para
cumprir tamanha tarefa, precisa,
obrigatoriamente, reivindicar para si o
monopólio da violência.
Fora disso, o que existe
é apenas um grande, porém triste espetáculo de
ilusionismo, protagonizado pela mídia, por uma
classe dominante corrupta e podre e por lacaios
a serviço do Capitalismo e seus crimes contra a
humanidade. Não é, verdadeiramente, livre o
homem que não tem garantias de prover as
necessidades básicas para sua existência. Serão
livres os milhões de homens, mulheres e crianças
que morrem de fome na África? Serão livres os
palestinos massacrados, emparedados por cercas,
muros, opressão e ódio, expulsos de suas terras
pelas mãos do sionismo? Serão livres os
iraquianos estrangeiros em seu próprio solo,
torturados e aviltados no que temos de mais
caro, que é a dignidade humana.
E os presos de
Guantánamo, condenados sem nenhum julgamento,
punidos sem direito à defesa. Tem eles, por
acaso, a liberdade de ir e vir? Tiveram eles a
liberdade para exigir um julgamento justo?
Ilusionismo e terrorismo de estado, apenas isso.
A FARSA DA
REPRESENTATIVIDADE
Também não podemos nos
abster de uma avaliação mais cuidadosa acerca da
chamada democracia representativa, que apregoa
que o voto é a arma do cidadão e que a eleição é
o grande momento, o ápice, a grande festa da
democracia. Em primeiro lugar, quando votamos,
votamos em alguém previamente escolhido por um
determinado partido. Como podemos perceber, com
clareza, nos dias atuais os partidos são,
meramente, máquinas de governar, não observamos
mais, nem resquícios, das antigas diferenças
ideológicas, principalmente nos países atrelados
ao modelo globalizado de neo-colonialismo,
batizado pelos teóricos burgueses de
neo-liberalismo, mas que de novo só tem o “neo”,
uma vez que se trata na verdade, do velho e
promíscuo liberalismo. Sorte para a espécie
humana que este decrépito e perverso modelo já
tenha se esgotado, deixando, entretanto, para os
povos do mundo, uma crise de proporções
assustadoras.
Os partidos, na verdade,
representam interesses privados de determinados
grupos econômicos. A disputa, de fato, se dá
apenas, para ver qual das máquinas de governar,
através do voto, ascenderá ao poder para cumprir
tal tarefa. O voto é uma transferência de poder
e por isso mesmo um engodo. Quando voto em
determinado candidato de determinado partido,
delego a esse outrem e seu partido, o poder que
tenho de decidir e agir e ainda o que é mais
grave, quando elejo alguém, legitimo a usurpação
do meu poder e tudo o mais decorrente deste ato.
Por isso toda Democracia em que o povo não
exerça diretamente o poder através de
assembléias populares, nada mais é do que uma
farsa grotesca. A representatividade é apenas
uma artimanha da classe dominante, para através
de partidos e lideranças, roubar o poder das
mãos do povo.
O parlamento, a idéia de
representação através do voto (a
representatividade) caracterizam “a democracia
formal burguesa” ou como alguns preferem a
“democracia representativa”, por isso a
necessidade de que sejamos bombardeados todos os
dias com slogans como estes:
“Festa maior da democracia”,
“Liberdade de imprensa”, “vote com
consciência”, “escolha bem seu
candidato”... Tudo isso para nos enganar e
manter o jogo sujo, afinal de contas, obedecendo
à lógica da democracia representativa, se
continuamos sendo espoliados e enganados, isso
se dá apenas porque não fomos capazes de
escolher, acertadamente, nosso candidato. A
culpa de todas as nossas mazelas portanto, deve
recair sobre nossos sofridos ombros, pois somos
nós mesmos os responsáveis por nossos
infortúnios.
Só há uma maneira de por
um fim a toda essa mentira que tanto oprime os
povos do mundo.
Parlamento Burguês x Democracia Direta
A
Democracia Direta, que surgiu na década de 70,
foi um processo inovador no cenário
internacional, num país ao Norte do continente
Africano, chamado Líbia - cuja realidade era
uma das piores do continente, um país atrasado
sob quase todos os aspectos , onde grande parte
desse povo não tinha acesso as questões básicas
elementares tais como observamos hoje em pleno
século XXI ,em muitos países denominados
emergentes como Brasil, México, África do Sul e
Índia,que vivem uma realidade cruel no contexto
de Democracia, onde grande parte da população
está fora do processo produtivo e dificilmente
ocupará esse espaço. Pois, em qualquer sociedade
é fundamental que todos tenham acesso a tudo
como: Educação de qualidade, saúde, trabalho,
moradia, lazer e enfim tudo aquilo que é
prometido, mas fica apenas como uma promessa.
Depois, vem aquele discurso que não é possível
atendera todos, apenas a alguns como Deputados,
Senadores, Vereadores, Governadores, Prefeitos,
Ministros e altos funcionários públicos de
alguns órgãos. No caso da Liba, essa realidade e
totalmente diferente, veja alguns casos: Número
de estudantes de graduação no exterior
aproximadamente cem mil, de mestrandos cinqüenta
mil, e de doutorados trinta mil. Na questão da
habitação quase atendida plenamente, no quesito
saúde, há um pleno atendimento da população, na
questão da educação há baixo nível de
analfabetos, no quesito qualidade de vida está
na frente de muitos países emergentes. Mas isso
é fruto de uma política voltada para a grande
maioria, ou seja, um governo voltado para as
massas no sentido amplo. Por isso o sistema da
Terceira Teoria Universal é um sucesso, num país
onde há pouco tempo isso era impossível, devido
a sua realidade e seu contexto histórico. Hoje a
Líbia é uma referência que não pode ser
esquecida por ninguém e sim ser um rumo, um
norte, para o futuro de muitas sociedades.
Vejamos alguns casos da questão da habitação – A
habitação é uma necessidade individual e
familiar. Por conseguinte, essa não pode ser
propriedade de outrem. Não há liberdade para o
indivíduo que vive em casa alugada. Quase todas
as tentativas por vários países para solucionar
essa questão espinhosa da habitação não tiveram
êxito. A razão reside no fato dessas tentativas
não terem sido dirigidas para a solução última
e radical do homem, que se baseia na necessidade
deste possuir a sua própria casa. As tentativas
concentram-se na redução ou aumento da renda e a
sua uniformização, seja a expensas públicas ou
privadas.
Outro exemplo clássico é a questão da terra,
pois, a terra não é propriedade de ninguém, Mas
toda pessoa tem o direito de utilizar e receber
benefícios seus trabalhando-a, cultivando-a,
apascentando gado. Isto pode acontecer durante a
vida do homem e dos seus herdeiros e deverá ser
conseqüência do seu próprio esforço, sem
utilizar outros, com ou sem salários e apenas
com o objetivo de satisfazer as suas próprias
necessidades.
A posse da terra é permitida, apenas àqueles
que dela tiram o seu sustento. A terra está
permanentemente ali, enquanto, ao longo dos
tempos, quem a utiliza muda na profissão, na
capacidade e na sua presença.
O objetivo da nova sociedade Socialista é
criar uma sociedade feliz, porque é livre. Esta
pode ser alcançada através da satisfação das
necessidades materiais e morais do homem, o que
por sua vez, o liberta da dominação e controle
exterior destas necessidades.
As satisfações destas necessidades devem ser
alcançadas sem exploração, dominação ou
escravidão de outros, pois caso contrário será
antagônico aos objetivos da nova sociedade
Socialista.
O homem na nova sociedade trabalha para si
próprio com vista a garantir as suas
necessidades materiais ou trabalha numa
corporação socialista na produção da qual ele é
um associado, ou desenvolve um serviço para a
sociedade, que providencia as suas necessidades
materiais.
A atividade econômica na nova sociedade
socialista é a atividade produtiva para
satisfação das necessidades materiais. Não é uma
atividade estéril ou com o objetivo do lucro
puro e simples depois de satisfeitas as
necessidades. Isso é impossível segundo as
regras do novo socialismo.
O legítimo objetivo da atividade econômica
individual é apenas a satisfação das suas
necessidades. As riquezas do mundo têm limite
para cada fase, assim como as riquezas de uma
sociedade individual. Pois que assim é, nenhum
indivíduo tem o direito de desenvolver uma
atividade econômica com o objetivo de adquirir
dessa riqueza mais do que o necessário para
satisfazer suas necessidades, porque o excedente
pertence a outros indivíduos.
A riqueza da sociedade é bem comum, é como uma
corporação ou uma loja que fornece diariamente
o que é necessário a um determinado número de
pessoas com uma quantidade determinada desse
total, que é suficiente para satisfazer as
necessidades dessas pessoas durante um período.
Cada pessoa tem o direito de economizar dessa
quantidade o que quiser, isto é, pode consumir
ou poupar o que desejar dessa parte. Neste caso
pode usar a sua esperteza e talentos. Mas o que
utiliza a sua capacidade para obter uma
quantidade adicional para si, através da
provisão do abastecimento público, é
indubitavelmente um ladrão. Sendo assim, aquele
que usa a esperteza para ganhar riqueza que
excede a satisfação das suas necessidades, está
de fato a usurpar um direito público,
nomeadamente a riqueza da sociedade que é como
que o aprovisionamento mencionado como exemplo.
O objetivo da sociedade socialista é a
felicidade do homem que apenas pode ser obtida
através da liberdade material e espiritual. O
alcançar dessa liberdade depende da capacidade
de posse, que é pessoal e sagradamente
garantida, isto é, aquilo de que necessita não
pode ser propriedade de ninguém, nem sujeito a
extorsão por qualquer parte da sociedade. Caso
contrário, viver-se-á num estado de permanente
ansiedade que faz desaparecer a felicidade.
É provável que o desencadear da revolução para
alcançar o socialismo se inicie com a
apropriação, por parte dos trabalhadores naquilo
que produzem. O objetivo das greves
transformar-se-á da reivindicação de um aumento
salarial numa exigência do direito à sua parte
da produção. Tudo isto deverá acontecer, mais
cedo ou mais tarde, sob a guia e orientação do
LIVRO VERDE.
O mundo não suporta mais tanta violência, fome,
guerra, globalização de miseráveis, drogas,
prostituições, analfabetos, grifes inúteis,
parlamentos corruptos, judiciários falsos,
educação sem sentido, executivos podres,
barbárie, meio ambiente sem controle, tudo em
função do lucro.
Texto do Professor Luis Hideraldo Teixeira,
Professor Armando Bragança, Professor Anézio
Caetano da Silva Filho e Antonio Carlos Braga.
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